
 

Ttulo: Um beb a caminho
Autor: Sandra Paul 
Ttulo original: Baby on the way
Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1998
Publicao original: 1997
Gnero: Romance contemporneo
Digitalizao: Nina
Correo: Nyne
Estado da Obra: Corrigida

Grvida?
Richard quase engasgou com o caf, ao ver sobre a mesa da cozinha o convite para um ch-de-beb. Por que sua irm estaria organizando tal evento para Liz Sinclair? E quem estava grvida, afinal? Foi ento que se lembrou de um maravilhoso fim de semana, sete meses antes... Achou melhor adiar sua prxima viagem de negcios e ir quela reunio. Porque, se Liz estivesse mesmo grvida, com certeza ele era o pai!
Sandra Paul
Um beb a caminho

CAPITULO I









Richard Delaney estava prestes a tomar um gole de leite diretamente da caixinha, mas parou de repente ao ver o delicado carto cor-de-rosa ao lado de vrias caixas de presente, dispostas sobre a mesa da cozinha da casa de sua irm. Leu mais uma vez o nome impresso no convite. Elizabeth Sinclair. Liz?, pensou, enrijecendo o maxilar. No podia ser. Sem hesitar, pegou o carto e foi at a porta.
	 Chris!  gritou.  Christine Delaney, venha j at aqui!
	 Sim, meu adorado irmo?  disse ela, entrando na cozinha.
Os olhos de Chris, to azuis quanto os do irmo, voltaram-se na direo da caixinha de leite aberta. Balanando a cabea com desaprovao, falou:
 Richard, se voc no usar um copo desta vez, eu juro que...
	 O que diabos  isso?  ele a interrompeu.
	Christine arqueou as sobrancelhas, notando que ele segurava o carto.
  	  Bem, acho que serei redundante se disser que irei a um ch-de-beb.  uma pequena festa para celebrar a chegada de um novo ser humano ao mundo. Um beb, se voc no sabe...
	  Claro que sei o que  um beb!  replicou ele.  Ento, Liz est grvida?
	  At que enfim voc entendeu! Sempre desconfiei que houvesse ao menos algum lampejo de inteligncia nessa sua cabea. Agora fique de lado e deixe-me reunir mais algumas coisas. Eu disse a Susan que iria chegar mais cedo para ajudar nos preparativos.
Ela comeou a abrir algumas gavetas, enquanto Richard continuou parado no mesmo lugar.
	  De quantos meses Liz est?  perguntou ele.
	  Como?
Richard olhou para a irm, contendo a vontade de sacudi-la pelos ombros.
	  Perguntei de quantos meses ela est  repetiu, enfatizando cada palavra.
         Christine se virou para ele.
	 Liz? Oh, cerca de sete ou oito meses. 
	Dizendo isso, voltou a se concentrar no contedo de uma gaveta, enquanto Richard sentou-se em uma cadeira. Sentia-se como se houvesse sido nocauteado. Alis, a sensao se assemelhava muito  que experimentara na primeira vez em que fitara os lindos olhos castanhos de Liz. Isso acontecera sete meses e meio antes.
	 Onde ela est?
	 Continua trabalhando  respondeu Chris.  Contei isso assim que voc chegou.
     Sim, Chris havia mencionado aquilo. De fato, fora a primeira pergunta que lhe fizera ao entrar na casa em estilo vitoriano, onde Liz alugava os aposentos do terceiro andar. Na verdade, mesmo antes de Chris dizer algo, ele soube que Liz no estava em casa. A atmosfera do lugar parecia vazia sem ela por perto.
Ele deveria ter ligado. At planejara fazer isso, mas acabara deixando o assunto de lado. Na verdade, fora justamente sua imensa vontade de faz-lo que o impedira de telefonar para Liz. Olhou mais uma vez para o convite. Liz estava grvida. Era difcil acreditar. De repente, a lembrana daquele corpo desejvel lhe voltou  mente.
 Richard, sei exatamente o que est pensando. 
A afirmao de Chris o trouxe de volta  realidade.
	 Sabe?
	 Aposto que sim. Est achando que cometi um grande erro ao aceitar Liz como inquilina e que ela parece ser do tipo irresponsvel. S que est enganado. Liz no  desse tipo de mulher. Quando conhec-la, tenho certeza de que vai gostar dela. Todos nessa cidade a adoram. At mesmo a sra. Peyton disse...
Chris continuou falando enquanto o olhar de Richard se voltou mais uma vez para o convite. Ento Liz no contara a ningum sobre eles.
	...e com todas as viagens que ns dois precisamos fazer a trabalho...
Mas por que Liz no dissera nada? Ser que ela no imaginava que mais cedo ou mais tarde todos saberiam?
	...esta casa fica vazia dez meses por ano 
prosseguiu Chris.  E bom ter algum que possa ficar aqui todo o tempo...
	Ele dera a Liz um nmero de telefone para emergncias. Por que ela no o usara? A menos que... Franziu o cenho ao pensar melhor sobre sua certeza inicial a respeito da paternidade.
	 Quem  o pai?  perguntou de repente.
	 Com Liz aqui...  Chris se interrompeu, surpresa.  O qu?
	 Quem  o pai do beb que Liz est esperando?
	 Oh, ningum sabe. Sei que parece estranho, mas ela nunca falou sobre isso. Metade da cidade acredita que ela j estava grvida antes de chegar em Lone Oak, e a outra metade suspeita que o pai seja o novo mdico vindo de Vicksville.  Abaixando o tom de voz, com ar de confidencia, acrescentou: 	O doutor Daniel  muito charmoso e acho que Liz j se encontrou uma ou duas vezes com ele.
Richard estreitou os olhos.
	 Oh,  mesmo? E esse... mdico vem visit-la?
	Chris balanou a cabea negativamente.
	 Pelo que sei, no. Mas Liz no fala sobre ele, e esse  um dos motivos que me leva a achar que o doutor no  o pai. De qualquer maneira, ele parece ser um homem muito gentil. No  do tipo que engravidaria uma mulher e a abandonaria depois.
Richard endireitou os ombros, sentindo o rosto esquentar.
 Foi isso o que ela lhe disse?  perguntou ele.  Que o pai da criana a abandonou?
Chris pegou uma das caixas.
	 No, essa  apenas minha teoria. Liz no gosta de falar sobre sua vida particular, e eu respeito isso. Ela  bastante... reservada, entende o que quero dizer?
	 No, no entendo.
A Liz que ele conhecera, e muito bem, durante os trs dias em que haviam ficado sozinhos naquela casa, no fora nem um pouco reservada. Agira at com certa timidez em alguns momentos, mas, de modo geral, ela se comportara com bastante carinho e sinceridade. Ao menos, ele achara que ela fora sincera. Richard ficou de p de repente e tirou a caixa das mos da irm.
 O que est fazendo? E aonde pensa que vai com isso?  perguntou Chris, ao v-lo se dirigir  porta.
Vou ao ch-de-beb, ora!  respondeu ele, sem hesitar.  Quero conhecer essa brava herona. Tenho a impresso de que esse evento ser muito interessante...
 Surpresa!
Liz se sobressaltou, levando as mos ao ventre num gesto instintivo, quando Susan Kayle abriu a porta de repente. Atrs de Susan, avistou um grupo de mulheres sorridentes e, acima delas, uma faixa onde se lia: "Parabns, Liz, pelo presente que ir receber em breve".
Ela sentiu um aperto na garganta. As amigas haviam lhe preparado um ch-de-beb surpresa.
	 Oh, nem sei o que dizer...  murmurou, contendo as lgrimas.
Susan se adiantou e tirou o chapu de Liz, molhado de chuva. Em seguida, pegou a bolsa e o casaco da amiga, deixando-os pendurados no cabide prximo  entrada.
	 Essas chuvas de vero de Oregon esto se tornando piores a cada ano  disse ela, conduzindo Liz at uma poltrona confortvel.  Sente-se e descanse um pouco, querida. Como sempre, Chris est atrasada, e no podemos comear sem ela.
	Liz se acomodou na poltrona e deixou que Susan posicionasse melhor algumas almofadas, para apoiar suas costas. O tecido de seu macaco jeans se avolumou sobre sua barriga, parecendo torn-la ainda maior. Depois de ajeitar a roupa, passou a observar as amigas conversando animadamente. Sim, era muito gratificante ter boas amizades.
Em Beverly Hills, onde ela crescera, nunca conhecera os vizinhos de sua me. A mini manso de Beth Sinclair era separada das outras propriedades por paredes altas e isoladoras. Porm, mais isoladora ainda era a atitude de sua me, sempre desconfiada das pessoas que no compartilhavam o mundo do cinema com ela. Como Liz sempre quisera se tornar professora, e seu interesse pelo cinema era mais do que comum, ela prpria sentia-se como uma estranha em meio quele mundo.
At chegar a Lone Oak, o tipo de cidade pequena onde ela sempre quisera viver. Um lugar habitado por pessoas sinceras, que se importavam umas com as outras.
	 Ento ficou surpresa, Liz? Acreditou mesmo que Susan iria fazer a reunio para demonstrar uma nova linha de cosmticos?  perguntou-lhe Anabel Royce.
Liz olhou para a morena esguia.
	 Fiquei completamente surpresa.
	 No achou estranho quando lhe pedi para ficar at mais tarde na loja sendo que seu expediente j havia terminado?
	 Sim, claro que achei estranho.
Na verdade, Liz no achara to estranho assim. Anabel, que a empregara para cuidar de uma loja de departamento, no ficara nem um pouco satisfeita quando a nova empregada dissera estar grvida apenas dois meses depois de haver sido contratada. Liz pensara que o pedido para ela ficar at mais tarde fosse apenas mais uma demonstrao do desagrado da chefe.
"Puro engano", concluiu, retribuindo o sorriso amistoso de Anabel. De fato, enganara-se com todos. A princpio, pensara que as pessoas iriam lhe virar as costas quando soubessem que ela estava grvida mesmo sendo solteira. No entanto, todos estavam sendo mais do que gentis com ela. Depois de ficarem sabendo, por meio de Christine, que ela no queria falar sobre o pai da criana, ningum a questionara sobre o assunto.
	 Est sabendo que teremos uma liquidao no setor infantil da loja essa semana?  perguntou Brooke Frenzel, que tambm era empregada da loja de Anabel.
Liz sorriu para ela.
	 Sim, eu sei. Vou aproveitar a oportunidade para estocar algumas fraldas.
	 Mas, Liz, um beb no vive apenas com fraldas 	salientou Anabel. Abaixando o tom de voz, acrescentou:  Posso conseguir um desconto maior para
voc. Ter as roupinhas certas para o beb  muito importante.
Isso no era tudo, pensou Liz. Ela prpria sempre tivera as "roupas certas" na infncia, mas nunca soubera o que era ter amor. De qualquer modo, era muita gentileza de Anabel se preocupar com isso.
	 Obrigada, Anabel, mas assim que minha me souber sobre o beb com certeza comprar mais roupas do que ele conseguir usar.
	 Liz! H duas semanas, voc disse que pretendia contar isso  sua me naquele mesmo dia! 	ralhou Susan.
	Sua me no era a nica que ainda no fora avisada, pensou Liz. Por um instante, a imagem de um inesquecvel par de olhos azuis surgiu em sua mente.
	 Oh-oh, no olhe agora, mas a pessoa mais "notvel" de Lone Oak est vindo em sua direo  sussurrou-lhe Brooke.
Liz levantou a cabea e avistou Pamela Peyton, acompanhada pela filha, Dorrie Jean.
	 Ora, Brooke, ela no  to desagradvel assim.
	 Claro que no. O nico problema de Pamela  que ela no entende que ningum quer os conselhos dela sobre assuntos pessoais  cochichou Brooke, retirando-se discretamente.
Liz desejou poder fazer o mesmo, mas no teve escapatria. No que no gostasse da sra. Peyton. O problema era ter de ouvir um discurso completo sempre que se encontrava com a vizinha de Christine. Por mais que tentasse se esquivar da mulher, sempre acabava tendo de ouvi-la.
Reunindo coragem, forou um sorriso quando as duas se aproximaram.
	 Desculpe-me pela sinceridade, Elizabeth, mas eu diria umas poucas e boas para minha Dorrie Jean se lhe acontecesse isso e ela no me contasse de imediato.
	 Mame!  Dorrie a censurou, enrubescendo.
	A sra. Peyton deu de ombros.
	 Ora, Dorrie Jean, Liz sabe que sempre digo o que penso...
Sim, Liz sabia disso muito bem.
 ...e acho que a me dela ficar desapontada por no haver sido avisada antes.  Voltando-se para Liz, perguntou:  No concorda?
	 Eu e minha me no temos o mesmo tipo de relacionamento que a senhora e Dorrie Jean 	explicou Liz.
Sabia que a sra. Peyton acompanhava cada um dos passos da filha, quer ela gostasse ou no. Liz, por sua vez, no falava com a me desde que se mudara para Lone Oak.
	 Ainda assim, devia estar preocupada por no haver contado a ela...  insistiu a sra. Peyton.
Ter omitido o fato a Beth Sinclair era a menor das preocupaes de Liz. No haver contado ao pai da criana era sim o maior problema.
	 Acho que a av deveria ser a primeira a saber... 	continuou a sra. Peyton.
Liz mudou de posio, sentindo-se desconfortvel em todos os sentidos. Talvez fosse melhor contar primeiro a ele.
	 Ela ficar chocada...
"Ele ficar boquiaberto", pensou Liz.
	 ...e talvez um pouco aborrecida...
	"Furioso,  a palavra mais correta."
	 ...mas tenho certeza de que ela no a culpar...
"Talvez ele no me culpe, pelo menos no completamente." A verdade era que no o conhecia bem o suficiente para saber como ele reagiria. S sabia que o pai de seu beb no tinha interesse em manter um relacionamento permanente e muito menos se casar. Isso ficara bem claro desde o incio.
A sra. Peyton se inclinou em sua direo e disse:
	 D logo a notcia, Elizabeth. Acabe com isso de uma vez.
Deveria mesmo contar a ele?, Liz se perguntou, lembrando-se do semblante msculo e determinado.
"Nunca fico por muito tempo em um mesmo lugar. Viajo com freqncia por causa do trabalho", fora o que ele dissera. Pelo menos seu pai, o primeiro dos trs maridos de Beth, fazia questo de reservar um tempo para visit-la de vez em quando.
Sim, tomara a deciso certa. No queria que seu filho crescesse convivendo com um pai que no se importasse com ele. Tudo que lhe restara fora um nmero de telefone, reservado apenas para uma "emergncia", segundo ele.
Liz levantou o queixo, ajeitando a frente do macaco. Teria seu filho e o criaria sozinha, sem que o pai dele soubesse.
	 Vejo que est me dando razo  disse a sra. Peyton, com toda segurana de algum que no admitia a possibilidade de errar.
Liz forou um sorriso.
	 Obrigada, sra. Peyton  respondeu, evitando uma resposta direta.  Seu conselho foi de grande ajuda.
A sra. Peyton sorriu com satisfao, fazendo um sinal para a filha se encaminhar at a mesa com petiscos. Nesse momento, a campainha soou mais uma vez. Susan veio da cozinha e foi abrir a porta.
	 S pode ser Christine  disse ela, olhando para Liz.  Minha nossa, como voc est tensa, Liz! Pelo amor de Deus, isso  para ser um divertimento! Tente relaxar um pouco, sim?
Liz se encostou melhor na poltrona e respirou fundo. Porm, seu esforo logo se revelou intil. Christine entrou na sala, seguida por algum cujo vislumbre a fez conter o flego. Conhecia muito bem aqueles cabelos negros, os olhos incrivelmente azuis e aquele porte atltico de fazer qualquer mulher suspirar.
Sim, estava mesmo diante de Richard Delaney.

CAPTULO II

O que ele estava fazendo ali?, Liz se perguntou, tentando levantar-se da cadeira. Richard ainda no a tinha visto, j que Susan estava conversando com ele desde que entrara na sala, logo atrs da irm. Se ela tivesse tempo de escapar para o corredor, talvez pudesse correr para o banheiro sem que ningum a visse.
Porm, estava mais afundada na poltrona do que imaginara. Para seu maior desespero, ouviu a voz de Chris vinda da entrada:
	 E ento? Onde est ela?
Liz conteve um gemido quando seu olhar encontrou o de Richard, do outro lado da sala. Deu graas por j estar sentada porque sentiu uma espcie de vertigem. Todas as vezes em que imaginara um reencontro com Richard, vira-se linda e com total controle das prprias emoes. Nunca imaginara se deparar com ele depois de um dia difcil de trabalho, com os cabelos molhados de chuva e a maquiagem praticamente desaparecida.
Como o irmo e as demais senhoras, Christine olhou em sua direo.
	 Oh, a est voc!  exclamou ela. Segurando o brao de Richard, conduziu-o at Liz, olhando em volta para cumprimentar as amigas. 	Ol, meninas! Imaginem s? Richard est de volta! Terminou um trabalho em Seul e resolveu vir
me visitar. Insistiu em me acompanhar at aqui com a desculpa de ajudar na decorao, mas estou desconfiada de que ele quer mesmo  um pedao de bolo.
Todas aceitaram a explicao de bom grado, segundo a observao de Liz. Richard veio em sua direo, sem desviar a ateno de seu rosto. Ela engoliu em seco, mais do que ciente do poder daquele olhar.
	 Desculpe-me pelo atraso, Liz  disse Chris. 	Na verdade, eu deveria culpar Richard, mas duvido que algum acreditaria em mim. Richard, esta  Liz, nossa forasteira. Fico feliz por vocs finalmente se conhecerem.
Para Liz, o silncio que se seguiu pareceu durar uma eternidade. Por fim, Richard falou:
	 Ol, Liz.
Ela assentiu, respirando mais aliviada ao perceber que ele no pretendia revelar que os dois j se conheciam. Talvez Richard no estivesse to furioso quanto imaginara a princpio.
Com cautela, fitou-o nos olhos, mas desviou a vista logo em seguida. O rosto atraente mantinha uma expresso inquiridora, enquanto os olhos incrivelmente azuis pareciam acus-la de algo.
Ao sentir o rosto esquentar, lembrou a si mesma que por mais que Richard estivesse desconfiado, no tinha certeza sobre a paternidade de sei filho. Tudo que teria de fazer seria agir naturalmente.
S que isso se mostrou mais difcil do que ela imaginara. Engoliu em seco, unindo as mos sobre o colo.
	 Ol  conseguiu dizer, forando um sorriso. 	Christine me falou muito sobre voc.
	Liz no tinha inteno de trocar um aperto de mos com ele, mas Richard estendeu a mo para ela.
	 Oh,  mesmo?  perguntou ele.  Engraado, mas ela no falou muito a seu respeito. Na verdade, at hoje eu nem sabia que nossa inquilina estava grvida.
	 No?  indagou Liz.
O toque da mo de Richard lhe pareceu perturbadoramente familiar. Quando deu por si, Liz estava pensando na ltima vez que ele a tocara. Lembrou-se daquelas mos carinhosas moldando seus seios, deslizando sobre seu ventre... Num gesto quase defensivo, tentou afastar a mo da dele.
Entretanto, Richard continuou segurando-a com firmeza, enquanto Liz tentava desviar o olhar. Quando ele finalmente soltou sua mo, ela disse:
	 Talvez Christine ache que voc no se interessa por bebs.
	Richard se inclinou para a frente, fazendo Liz sentir vontade de se encolher na poltrona.
	 Ela pode estar errada, no?  perguntou ele.  De fato, estou muito interessado no seu beb.
Chris olhou de um para o outro.
	 Eu sabia que vocs iriam se dar bem!  exclamou.  Esse meu dom de conhecer as pessoas chega a ser impressionante. Eu no lhe disse que meu irmo era incrvel, Liz?
	 Sim, voc disse  confirmou ela.
	 Richard!  exclamou a sra. Peyton, puxando pelo brao a enrubescida Dorrie Jean.
Richard deu um breve sorriso para a sra. Peyton.
	 Como vai voc?  perguntou ela, ampliando ainda mais o sorriso.  Deixe-me cumpriment-lo, afinal...
As  outras  mulheres  se  agitaram ligeiramente, para  desespero  de   Liz,   que  s  respirou  aliviada quando a sra. Peyton completou a frase.
	 ...voc obteve mais uma promoo.
	 Sim,  verdade  confirmou Richard.
	 Dorrie Jean e eu mal podemos esperar para ouvir todos os detalhes.
Dizendo isso, soltou o brao da filha e puxou uma cadeira mais para perto. Porm, antes de ela se sentar, Richard olhou para o outro lado da sala e falou casualmente:
	 Parece que Susan j est cortando o bolo.
	 Oh,  mesmo?  A sra. Peyton olhou na mesma direo que ele, parecendo interessada.  Ela deve estar precisando de ajuda. Com licena, voltarei em um instante.
Richard e Liz ficaram olhando ela se afastar, seguida por Dorrie Jean. Chris se aproximou de Liz e lhe sussurrou:
	 Ela decidiu encontrar um marido para a filha e acha que Richard  o pretendente perfeito. Pergunta sobre ele todas as vezes em que nos encontramos, por mais que eu j tenha repetido que meu irmo  casado com o trabalho.
	 Chris...  Richard a interrompeu, lanando-lhe um olhar de censura.  Eu j lhe pedi para no ficar falando do meu trabalho com todas as pessoas de Lone Oak.
	 Mas eu no fao isso!  protestou ela, indignada.  Sou apenas educada quando a sra. Peyton pergunta sobre voc. No tenho culpa se ela acha que voc seria o genro ideal.
No parecendo muito convencido sobre o que a irm dissera, Richard se voltou para Liz. Fitando-a com um olhar penetrante, indagou:
 O que Chris andou falando sobre mim exatamente?
	 Bem, ela disse...  Liz hesitou, tentando encontrar uma resposta coerente. 
O que Chris lhe dissera mesmo?, perguntou-se. E o que ela prpria sabia a respeito de Richard? Quase nada.
	 Est se sentindo bem, Lis?  perguntou Chris.
Ela pestanejou. Chris parecia preocupada enquanto Richard continuava a fit-la com ar inquiridor. Ansiosa para distra-lo, apressou-se em responder:
	 Ela me falou sobre sua promoo e na grande responsabilidade que o novo cargo exige de voc. Suponho que tenha de partir logo, no?
Richard cruzou os braos, no parecendo muito satisfeito com o comentrio.
	 Na verdade, no. Pretendo passar alguns dias em Lone Oak. Quero conversar com uma pessoa que conheci da ltima vez em que estive aqui.
Liz conteve o flego.
	  mesmo?
	 Sim.  Richard no desviou os olhos dos dela.  A propsito... Chris no soube me dizer, mas quando o beb nascer?
Liz hesitou, tentando raciocinar rpido.
	 Dentro de... de trs meses.
	Christine arqueou as sobrancelhas, surpresa.
	 Mas Liz, pensei que voc houvesse dito que...
	 Desculpe-me, Chris, mas acho que Susan est tentando chamar sua ateno, e a de Richard tambm  Liz a interrompeu, aflita. Indicando o outro lado da sala, completou:  Ela deve estar querendo comear alguma brincadeira.
	 As brincadeiras!  exclamou Chris.  Eu j estava esquecida delas.
Dizendo isso, encaminhou-se na direo de Susan. Liz estava prestes a respirar aliviada quando notou que Richard no seguiu a irm. Arqueando uma sobrancelha, com ar sardnico, ele disse:
	 Achou mesmo que iria se livrar de mim to facilmente? Com licena  acrescentou, sentando-se ao lado dela.
Liz sentiu o estmago se contrair. A ltima coisa que desejava era ter Richard por perto, fazendo-lhe mais perguntas do que ela queria responder.
 Quer dizer que o beb nascer daqui a trs meses? Ento, por que esto fazendo o ch-de-beb to cedo?
	 Christine achou que seria uma boa idia. Assim, terei tempo para comprar as peas que ficarem faltando no enxoval.
	  uma boa resposta  ironizou Rbhard.  Tem certeza de que no est se equivocando na data?
Fingindo espanto diante da pergunta, Liz se esforou para encar-lo.
	 Claro que tenho certeza!
	Richard estreitou os olhos.
	 Est querendo dizer que poucas semanas depois de ter um romance comigo foi para a cama com outro homem?
	 No estou dizendo isso  refutou ela, tentando ignorar as batidas aceleradas de seu corao. Reunindo coragem, acrescentou:  Na verdade, esse assunto no lhe diz respeito.
	 No?!
 Susan ainda no cortou o bolo. Ela disse a mame que vai esperar mais um pouco  anunciou Dorrie Jean, atrs deles.
Liz se sobressaltou, mas quando olhou para a moa no notou indcios de que ela tivesse ouvido a conversa. Felizmente, Richard mantivera um tom de voz baixo e o falatrio das mulheres ao redor encobrira a conversa dos dois. Lis se afastou um pouco dele, aproveitando a aproximao da sra. Peyton.
Continuou sentindo o olhar de Richard sobre si, mas fingiu no se importar. Ele no iria conseguir intimid-la, se era isso que pretendia. Richard podia at suspeitar que ela no estivesse dizendo a verdade, porm, a menos que ela confirmasse, no havia como ele ter certeza de nada,
Tendo cuidado para no encar-lo, fingiu se concentrar nas palavras da sra. Peyton, que instrua todos que quisessem, e tambm os que no quisessem ouvir, sobre como preparar corretamente um bolo de chocolate recheado.
Em meio  conversa, notou quando Richard esticou as pernas, exibindo as botas pratas de couro. Ela nunca as vira antes, pensou, contendo um riso histrico. Era mesmo irnico pensar que ela se lembrava dos ps de Richard mais descalos do que calados.
Quando deu por si, estava agitando a mo diante do rosto. Estava ficando quente ali. Mesmo com Richard sentado a certa distncia, conseguia sentir o calor emanado por aquele corpo viril. Para piorar ainda mais sua situao, ele se mexeu ligeiramente, fazendo um delicioso perfume masculino chegar at suas narinas.
Aquela fragrncia familiar a fez suspirar inconscientemente. Depois que Richard partira, ela passara dias sentindo esse mesmo perfume em seus travesseiros e sentindo-se a mais solitria das criaturas.
Como pudera ir para a cama com um homem a quem mal conhecia? Forando um sorriso para a sra. Peyton, que pelo visto terminara o discurso, pousou a mo sobre o ventre. Desde alguns meses antes, no se sentia mais sozinha. Tinha seu beb, bons amigos e um lugar para ficar. No precisava de mais nada. Richard havia decidido sair de sua vida, e era assim que a situao permaneceria.
Esforou-se para ignorar a presena dele, rindo e respondendo aos comentrios de Christine, que passou distribuindo blocos de anotao e canetas para a primeira brincadeira.
Assim que o jogo terminou, sem nenhum incidente desagradvel, Liz suspirou, aliviada. Talvez Richard houvesse finalmente entendido que ela no iria revelar nada sobre a paternidade do beb.
Arriscou-se a olh-lo pelo canto dos olhos, dando graas por ele estar distrado, conversando com Susan. No podia negar que a presena dele mimara muito a reunio. As mulheres solteiras pareciam encantadas com todo aquele charme e at as casadas o estavam olhando por mais tempo do que deviam.
A sra. Peyton insistiu tanto em puxar Dorrie Jean para perto dele que a certa altura a moa quase caiu sentada no colo de Richard, para seu total embarao. Apesar de toda a agitao e da troca de olhares, Richard no saiu de perto de Liz.
	 No acha que deveramos partir o bolo agora? 	sugeriu a sra. Peyton, aparentemente frustrada com a falta de progresso de Dorrie Jean.
Susan deu um sorriso de desculpa para Richard e retirou-se, concordando com a sra. Peyton.
Depois que o bolo foi servido, Liz provou dois pedaos e deixou o pratinho de lado. O bolo estava delicioso, mas seu apetite no andava muito bom.
	 No me diga que est de regime, Elizabeth? 	perguntou a sra. Peyton, com ar de desaprovao.
	 Quando uma mulher carrega um filho no ventre, tem de esquecer a vaidade.
Liz percebeu que o olhar de Richard se voltou para ela no mesmo instante. Sentindo o rosto esquentar, levou as mos ao ventre ao responder:
No estou de regime, sra. Peyton.
	 timo. Acho que est at abaixo do peso normal. Tem de se esforar para no adoecer.
	 No estou doente.
	 O que ser? Menino ou menina?  indagou a sra. Peyton, ignorando o comentrio de Liz.
	 Menino, acho.
	 Voc acha  A mulher franziu o cenho.  Ainda no sabe? Pensei que j houvesse feito um... Como  mesmo o nome, Dorrie Jean? Ultra-som?
Ciente do olhar curioso de Richard, Liz se apressou em responder:
	 Eu preferi no saber o sexo do beb. Aceita outro pedao de bolo, sra. Peyton?  perguntou, mudando de assunto.
	 No, obrigada. Esse tipo de cobertura me d gases.
	 Mame!  sussurrou Dorrie Jean, enrubescida.
	 Ora, Dorrie, no h nada de errado em ser sincera.  Olhando para a barriga de Liz, continuou: 	Pelo formato, est parecendo que ser menina.
	 Concordo  anuiu Richard, sorrindo para a sra. Peyton, que assentiu, satisfeita.
Liz o olhou, com ar indignado.
	 Pois eu acho que ser menino.
	 Eu tambm  concordou Christine.  Todos sabem que quando a barriga fica empinada para a frente significa que ser um menino.
	 Mas o formato est parecido com o de uma bola de basquete  argumentou a sra. Peyton.  Isso indica que ser menina. Quando  menino, o formato da barriga fica como o de uma bola de futebol.  Antes que algum mais pudesse prolongar a discusso, Dorrie interveio:
	 J escolheu algum nome, Liz?
	 Ainda no tenhc certeza...
	 No vai dar a ele o nome do pai?  perguntou Richard, arqueando uma sobrancelha.
	 No.
	 Por qu?  insistiu ele.
"Porque s sei o apelido do pai dele!", Liz teve vontade de responder. O pai no ficara com ela tempo suficiente para lhe dizer seu nome verdadeiro.
	 Vamos l, pessoal!  anunciou Christine a todos.  Ainda temos mais uma brincadeira.
Liz deu graas pela oportunidade de se livrar da resposta.
	 Todos tero de cortar um pedao de fio de l. Aquele que se aproximar mais do tamanho da barriga de Liz ser o vencedor.
Liz nem ousou olhar para Richard. Forou um sorriso para Brooke, que se aproximou para a primeira tentativa. "Ele no vai acertar", disse a si mesma, levantando os braos para Brooke medir o dimetro de sua cintura.
As outras mulheres seguiram o exemplo de Brooke, at que Richard anunciou:
	 Tambm quero um pedao de l. Acho que posso ganhar essa competio.
	 Voc?  Christine se surpreendeu.  O vestido que me deu de presente no ltimo Natal era to grande, que caberiam duas de mim dentro dele!
O restante das mulheres apoiou Christine, duvidando que ele fosse acertar o tamanho da cintura de Liz. Apesar da gozao, Richard permaneceu impassvel, olhando para a barriga de Liz com ar pensativo. Por fim, mediu um pedao do fio de l que todas acharam ser pequeno demais.
	 Pelo visto, voc no entende mesmo de medidas femininas, meu jovem  disse a sra. Peyton.
	 Veremos  respondeu Richard. 
	Ajoelhou-se ao lado de Liz, fazendo-a conter o flego
Ele estava to prximo que ela se surpreendeu mais uma vez com a intensidade do azul de seus olhos.
Em silncio, Richard estendeu os braos em torno de sua cintura e enlaou-a com o pedao de l.
	 Ei, vejam s isso!  exclamou Christine, surpresa.  Richard acertou com exatido!
Liz sentiu o beb se mexer preguiosamente em seu ventre. Richard a olhou no mesmo instante, demonstrando que percebera o movimento da criana. Fitou Liz nos  olhos.
"Ele sabe", pensou ela. "Richard sabe que o filho  dele."
	 Cheguei perto, mas parece que Richard  mesmo o vencedor  anunciou a sra. Peyton, desapontada.
Liz levou a mo aos lbios e arregalou os olhos. Oh, Deus... Estava ficando enjoada.

CAPTULO III

Aflita, Liz fez um sinal para Richard se afastar, para que ela pudesse correr at o banheiro. No podia passar pelo vexame de continuar ali e deixar que o pior acontecesse.
De sbito, sentiu uma mo firme ajudando-a a ficar de p. Com um abafado "obrigada", saiu correndo para o banheiro de Susan.
Minutos depois, quando abriu a porta, encontrou Richard do lado de fora. A cena a fez lembrar da primeira vez em que o vira, no corredor da casa para onde ela havia se mudado alguns dias antes.
A luz havia acabado, devido a um problema na rede de energia eltrica da regio. Antes de sair para uma viagem a trabalho, Christine a avisara sobre o problema, e Liz tivera o cuidado de se munir de uma lanterna, antes de ir para o banho. Quando sara, meia hora depois, vestida com uma camisa masculina e segurando a lanterna, sobressaltara-se ao encontrar, na sala, aquele atraente desconhecido.
 Desculpe-me  dissera ele.  Eu no queria assust-la. Sou Richard... irmo de Christine.
Dessa vez, porm, no sentira receio ao v-lo. A luz estava acesa e a casa de Susan parecia mais do que segura.
 Est doente?  perguntou Richard, preocupado.
	 No. Vim apenas lavar o rosto com gua fria. Richard teve de conter a desejo de aninh-la em seus braos. Liz parecia to frgil, to indefesa...
		Vamos embora daqui, Liz  sugeriu.  Despea-se de suas amigas, mas no pare para falar com ningum, seno ficaremos aqui por mais duas
horas no mnimo.
Sem dar a ela a chance de protestar, Richard a segurou pelo brao, conduzindo-a at a sala. As amigas cercaram Liz no mesmo instante, mas Richard no saiu do lado dela.
	 Oh, Liz, ficamos preocupadas  falou Susan.
	 Enjos matutinos so normais, mas a esta hora da noite...  insinuou a sra. Peyton.
	 Voc est bem?  perguntou Christine. 
	Liz sorriu para todas.
	 Sim, estou. Fiquei apenas um pouco cansada.
		No me diga que j vai embora?  indagou Anabel, ao ver Richard conduzi-la em direo  porta.  Ainda nem abriu os presentes!
Antes que Liz pudesse responder, Richard interveio:
		Ela est exausta e quer ir para casa descansar. Eu me ofereci para lev-la at l.
Ao olhar para a irm, percebeu sua expresso de surpresa, mas no disse nada. Para evitar que ela se oferecesse para acompanh-los, acrescentou:
	 Sei que vai querer ajudar Susan a arrumar a cozinha e reunir os presentes de Liz, portanto, no precisa se preocupar.
	 Claro que vou ajudar Susan  respondeu, sem muito entusiasmo. Olhando para Liz, perguntou:  Tem certeza de que no quer que eu a acompanhe?
Richard segurou o brao de Liz com mais firmeza.
 Eu ficarei bem, Chris, no se preocupe.  Agradeo a todas pela gentileza. Adorei a surpresa.
	 V logo para casa e descanse bem, Liz  aconselhou a sra. Peyton  Est dormindo por dois agora, sabia?
Richard e Liz saram em seguida. Mesmo sabendo que ela estava cansada, ele s diminuiu o ritmo dos passos quando chegaram  calada. A certa altura, parou de repente e virou-a para ele. Fitando-a nos olhos, tocou-lhe o ventre com delicadeza.
 Essa criana  minha, no ?  perguntou.
	 Isso no  da sua conta  respondeu Liz, dando um passo atrs.
Richard enrijeceu o maxilar.
	 Depois que fizemos amor, tudo a seu respeito passou a ser da minha conta.
	 S porque estou grvida? Fez amor com outras mulheres e no se importou mais com elas. O que me torna to especial?
Richard no sabia o motivo, mas tinha certeza de que Liz era especial. A chuva fina continuou a cair, molhando os cabelos castanhos e o lindo rosto de Liz, enquanto ele tentava encontrar uma resposta. A lembrana da noite que haviam passado juntos sempre o acompanhara, despertando-lhe um desejo difcil de ser ignorado.
A distncia e o ritmo intenso do trabalho haviam servido para atenuar os nimos, mas bastara rev-la para o desejo voltar a se acender em seu corpo. E, para seu maior espanto, ele parecia ainda mais intenso do que antes.
Enquanto a fitava, sentiu uma onda de possessividade tomar conta de seu ser. A sensao era forte demais para ser negada e muito nova para conseguir ser explicada.
 No tive muitas mulheres no passado  respondeu.  E aquelas que passaram pela minha vida no queriam ter nenhum compromisso, como eu.
	 timo, porque eu tambm no quero. 
	Antes que Richard pudesse det-la, Liz seguiu em frente. Seus ombros estavam tensos, denunciando quanto a presena de Richard a afetava.
Richard entrou no carro e alcanou-a pouco depois. Ao v-lo, Liz entrou no veculo sem protestar. Durante o trajeto, Richard preferiu se manter em silncio, esperando para continuar a conversa depois que chegassem em casa.
Arriscando um olhar de soslaio, achou o perfil daquele rosto delicado mais lindo do que nunca. Sim, Liz era mesmo especial... Mas por que estava relutando tanto em admitir que o filho era dele? Talvez ela estivesse preocupada com sua reao. Com certeza, enfrentar tudo aquilo sozinha, nos ltimos meses, no fora nada fcil para ela.
Franziu o cenho ao pensar no fato. Esperava que Liz soubesse que ele cuidaria de tudo dali em diante.
Quando chegaram  velha casa em estilo vitoriano, a chuva continuava a cair preguiosamente. Ainda em silncio, saram do carro e encaminharam-se para a entrada principal.
Quando Liz fez meno de subir direto para o terceiro andar, Richard se adiantou e a deteve.
	 Ainda no terminamos nossa conversa, Liz. 
	Ela no protestou quando ele a acompanhou at seus aposentos. Chegando no cmodo que fora transformado em uma sala, Liz se acomodou em uma poltrona prxima  lareira.
Richard hesitou um instante, distrado em observar um novelo de l e duas peas tricotadas, deixados em um cestinho com agulhas de tric, ao lado do sof.
 O que  isso?  perguntou, curioso.
	 Sapatinhos de tric.
	 No imaginei que voc soubesse tricotar  disse ele, surpreso.
	 H muitas coisas que no sabe a meu respeito, Richard.
	 Pode ser, mas tenho certeza de que o filho que voc est carregando  meu.
	 No pode ter certeza disso  contestou ela.
	 Claro que tenho certeza!  insistiu Richard, impaciente.  Voc no  do tipo de mulher que sairia da minha cama direto para a cama de outro homem. E mesmo que fosse desse tipo, o fato no passaria despercebido em Lone Oak. No com minha irm habitando a mesma casa que voc, e todos esses vizinhos bisbilhoteiros.
	 Ningum viu voc  Liz lembrou.
	 Aquilo foi pura sorte. Qual a freqncia de blecautes nesta cidade? Provavelmente, um a cada cinqenta anos. Se eu no houvesse chegado to
tarde da noite, por certo algum teria me viste.  at surpreendente que eu no tenha me deparado com a sra. Peyton debruada  janela, com o binculo a postos. Nada passa despercebido quela mulher!
Aps uma breve pausa, Liz resolveu falar:
	 Ok, talvez no tenha havido ningum depois de voc, mas quem pode garantir que no estive com outro homem antes de vir para Lone Oak?
	 No houve outro antes de mim, Liz.
	 Como sabe?
Richard estreitou os olhos.
	 Esqueceu-se de que era virgem quando fizemos amor?
	 Oh, ento voc percebeu...
	 Claro que percebi! Acha que sou algum idiota? 	Liz fez meno de falar, mas ele apontou o dedo em riste para ela.  No ouse responder!
Liz fechou a boca e pegou as agulhas de tric, tentando fazer algo que a impedisse de encar-lo.
Richard continuou a olh-la, notando suas faces enrubescidas. Liz no estava acostumada a dormir com homens, ou a falar sobre isso, pensou ele. Ao se dar conta disso, sua impacincia desapareceu como que por encanto. Respirando fundo, prosseguiu:
	 Liz, claro que percebi que era sua primeira vez. 
	Ela enrubesceu.
	 Como eu poderia saber? Voc nunca disse nada.
	 Nem voc. Tambm, mal tive chance, no ? O telefone tocou antes de ns acordarmos e tive de partir menos de uma hora depois. Mas eu lhe disse
que voltaria.  Sem se importar com a atitude indiferente de Liz, ele sentou-se no sof e deitou a cabea dela em seu ombro.  Desculpe-me, Liz. Eu
deveria ter ligado, mas tive de...
Richard se interrompeu, pensando em uma maneira de se explicar.
	 Teve de resolver assuntos mais importantes?  Liz completou por ele.
	 Assuntos mais urgentes  corrigiu Richard.
 Tentei resolv-los o mais rpido possvel, para que pudssemos...
Recomear de onde havamos parado?
Conversar  completou Richard, num tom de voz firme.  Agora pare de pr palavras na minha boca e admita que esse filho  meu.
Liz no respondeu de imediato. Fitou-o nos olhos durante um longo tempo, antes de falar:
 Sim, o filho  seu.
Um ar de satisfao surgiu no rosto de Richard.
 Vou me casar com voc  anunciou ele, para completo espanto de Liz.
Ele prprio nunca pensara que algum dia diria aquilo a algum, mas assim que falou teve a certeza de haver tomado a deciso correta. Talvez Liz no ocupasse tanto seus pensamentos se os dois estivessem casados.
Liz no disse nada. Talvez estivesse surpresa demais para conseguir falar, pensou  ele. Satisfeito por haver resolvido tudo to facilmente, puxou-a mais para junto de si.
Ser mais fcil do que imagina  disse a ela. Tornando-se pensativo, acrescentou:  Direi a todos que sou o pai de seu filho e...
No!  bradou Liz, afastando-se dele.
Ento, quer contar pessoalmente a todos?  indagou Richard, surpreso.
No! No quero que ningum saiba que voc  o pai!

CAPITULO IV

Liz devia estar mais cansada do que ele imaginara, pensou Richard, espantado com aquela reao.
	Liz, no estou entendendo. As pessoas precisam
saber que sou o pai para que o casamento...
	No vamos nos casar, Richard.
Ele franziu o cenho.
Mas temos de nos casar  insistiu.  Vai ter um filho meu!
Ambos sabemos disso, mas ningum mais precisa saber  salientou Liz, voltando a se concentrar no tric.  E esse  o ponto principal do meu plano.
Que plano?
O de mant-lo fora disso. Afinal, no tem culpa por eu haver engravidado.
Richard passou a mo pelos cabelos, controlando a impacincia.
 Mas acabamos de esclarecer que a culpa foi minha.
No fizemos isso  contestou Liz.  Apenas confirmei que voc  o pai. Usamos preservativo. Como voc poderia saber que eu acabaria engravidando?
Nem voc mesma teria como saber isso.
Est enganado, Richard. Eu estava nos meus dias frteis, e poderia haver cogitado essa possibilidade.  Deixando as agulhas de lado, voltou a encar-lo.  Ser que no entende? Esse beb diz respeito apenas a mim. Tenho de arcar com as conseqncias do que fiz.
Isso  ridculo!  bradou ele, exasperado.
No, no . Minha me, por exemplo,  uma pessoa inconseqente. Porm, por mais que ela aja errado, nunca tem de sofrer as conseqncias do que faz. Comigo, por outro lado, sempre acontece o contrrio.
Richard no disse nada, mas continuou fitando-a com ar de ceticismo.
	Quando eu estava com sete anos  continuou ela , roubei um chiclete de uma doceira da esquina durante uma visita a meu pai, mas fui flagrada. Meu
pai ficou to furioso que me mandou mais cedo para a casa de minha me. Aos treze anos, uma garota pediu que eu segurasse o cigarro dela enquanto ela
amarrava um dos sapatos, e a inspetora apareceu. bem naquele momento. Levei suspenso e fui transferida para outra escola. Na faculdade, entrei nua na
piscina com um grupo de amigas, em um sbado  noite, e fui a nica a ser flagrada totalmente nua pela polcia local. Como v, no  de admirar que eu
tenha ficado virgem at os vinte e seis anos.
Richard continuou em silncio, ouvindo-a com ateno.
Alm disso, os homens que passaram pela minha vida estavam interessados apenas em conhecer minha me. Com voc senti algo... especial. S que tive de pagar um preo pela oportunidade de ser livre e ousada.
 Ento o fato de havermos feito amor significou apenas isso para voc? Uma chance de ser livre e ousada?
Liz assentiu.
S que acabei cometendo o maior erro da minha vida.
Acha que esse filho  o maior erro de sua vida?
No, de modo algum  respondeu ela.  Meu maior erro foi haver me envolvido com voc, Richard.
O que h de errado comigo?
Bem, para comear, voc  do tipo de homem com quem minha me sempre se envolveu.
Richard no fazia idia do tipo de homem que agradava  me de Liz, mas no gostou da comparao.
No sou no.
Sim, . Um exemplo disso  o fato de no gostar da idia de casamento. Nem sei quantas vezes ouvi Christine mencionar isso. Alm disso, deixou esse detalhe bem claro, antes... antes de nos envolvermos. Falou que seu trabalho tornava o casamento impossvel em sua vida.
 verdade  anuiu Richard.  Mas no temos escolha, Liz. Est grvida, e estou disposto a assumir minha responsabilidade, casando-me com voc.
Obrigada, mas no posso aceitar sua proposta. J cometi um erro, e no pretendo cometer outro. Eu nunca me casaria com um homem simplesmente porque ele se sente obrigado a assumir um compromisso comigo. Na verdade, voc nem  do tipo com quem eu pretendia me casar.
Por qu?  Richard franziu o cenho.
Voc  do tipo que prefere ter uma aventura a um casamento. Daquele que nunca est por perto quando uma mulher precisa. Acho que no  a pessoa mais indicada para ser pai. Quero um marido normal, Richard. Algum que compartilhe sua vida comigo, que trabalhe oito horas por dia e que volte para casa todas as noites.
E onde pensa que vai encontrar esse mrtir?  ironizou Richard.
No sei. Talvez aqui mesmo, em Lone Oak. Por isso no quero que ningum saiba que voc  o pai do meu filho. As pessoas da cidade me aceitaram bem, e dou graas por isso. Mas se souberem que dormi com voc, mesmo sem conhec-lo direito, mudaro de opinio a meu respeito.
Elas entendero...
No! Eu me recuso a correr esse risco.
Est dizendo que no quer mais ter um relacionamento fsico comigo?
Liz respirou fundo.
 Estou dizendo que no quero nenhum tipo de relacionamento com voc.
Por alguma razo, ouvir aquilo deixou Richard mais espantado do que saber sobre seu filho. A atitude de Liz parecia muito estranha. Richard se recusava a crer que s ele sentira falta dela nos ltimos meses.
 No quer que a criana saiba quem  o pai dela? 
Liz pensou por um momento, antes de responder:
 Se voc quiser visitar seu filho quando vir a Lone Oak, acho que poderemos pensar em uma maneira que no prejudique ningum. Vamos esperar
e ver como ficar a situao.
E se eu me recusar a esconder minha paternidade?
Mudarei para outro lugar e recomearei minha vida  Liz no hesitou em responder.
Richard a fitou nos olhos. Sim, Liz teria coragem de fazer aquilo. Conhecia aquele ar de determinao no rosto dela. Como pudera se esquecer de quanto ela conseguia ser teimosa quando queria?
Recordou a manh seguinte  noite em que haviam dormido juntos. Quando recebera aquele telefonema do trabalho, Liz sara da cama e vestira-se antes dele, insistindo em ajud-lo a levar as malas para o carro. Nenhum argumento conseguiu  impedi-la de prosseguir. At que, por fim, ele desistira de contestar.
E os gastos com mdico?  perguntou a ela.
Meu pai me deixou um pouco de dinheiro no banco. Posso pagar as despesas mdicas.
Ele deveria deixar que Liz cuidasse de tudo sozinha. Se tivesse um pouco de juzo, sairia da vida dela naquele mesmo instante e pegaria o primeiro vo de volta para Seul. Por que insistir em ficar por perto, se ela queria se ver livre de sua presena? A paixo que Liz demonstrara naquela noite desaparecera por completo. Pelo visto, a nica preocupao que ela tinha no momento era o bem-estar do filho.
De qualquer maneira, no poderia permitir que ela assumisse tamanha responsabilidade sozinha. Sua conscincia no permitiria que ele abdicasse de sua responsabilidade moral diante da situao.
Liz podia at achar que seria capaz de cuidar do filho sozinha, mas qualquer um que visse as olheiras em seu rosto saberia que ela estava blefando. Independncia era algo bom, mas no para uma mulher com mais de sete meses de gravidez. A menos que fosse muito cautelosa, Liz poderia acabar arruinando a prpria sade e tambm a do beb.
No, no deixaria isso acontecer. Mostraria a ela a realidade dos fatos e a convenceria de que permanecer sozinha no seria assim to fcil. S que no faria isso nessa noite. Toda aquela tenso acabaria sendo prejudicial para ela. Depois de algum tempo, com certeza Liz concluiria que o casamento seria a alternativa mais prtica.
 Est bem  disse a ela.  No contaremos a ningum que sou o pai, pelo menos at tomarmos uma deciso melhor.
Liz estreitou os olhos, desconfiada.
Sobre o que est falando?
Vou ficar mais alguns dias na cidade para me certificar de que voc est tendo todos os cuidados necessrios. Parece cansada.
Liz ficou de p, deixando o tric de lado.
No precisa se preocupar, Richard. Sei que no pode ficar por muito tempo na cidade. Estou bem, pode acreditar.
timo, ento no far diferena se eu quiser confirmar isso.
Richard se tornou mais atento ao ouvir o motor de um carro do lado de fora da casa.
Deve ser Chris. Vou dizer a ela para estacionar na garagem para que possamos esvaziar o bagageiro amanh. Voc precisa repousar.
Espere! Ainda no terminamos a conversa  lembrou Liz, parecendo aflita.
Sim, terminamos. Portanto, no perca tempo discutindo  respondeu Richard, encaminhando-se para a porta.
Antes de sair, olhou mais uma vez para ela.
 Enfrente a realidade, Liz. No vai se livrar de mim to facilmente.

CAPITULO V

Mesmo na manh seguinte, a simples lembrana da frase sarcstica de Richard e daquele sorriso irnico teve o poder de deixar Liz enfurecida.
 No sou obrigada a aceitar a presena dele  disse ao ursinho de pelcia sentado sobre sua cmoda.  Pelo menos no por muito tempo  acrescentou.
Tinha seu beb para lhe fazer companhia, no precisava de mais ningum. Levando as mos ao ventre, perguntou-se como seria possvel amar tanto um ser que ela ainda nem conhecia e que j lhe parecia to real.
Quando desconfiara de que estava grvida, sua primeira reao fora de pnico. Sozinha, no banheiro, e segurando o kit de teste com a mo trmula, nunca sentira-se to apreensiva em toda sua vida. No queria ter um filho logo no perodo em que estava comeando a pr sua vida em ordem.
Haviam aceito seu pedido para a realizao do mestrado e arrumara um emprego de meio perodo para ajudar a cobrir as despesas. Entretanto, por mais que estivesse aflita, quando o indicador ficou cor-de-rosa, sentira uma onda de felicidade que nunca mais a abandonara desde ento.
Nem os enjos matutinos, as preocupaes financeiras ou mesmo os desentendimentos com Richard poderiam faz-la se arrepender de estar esperando aquele beb.
Acariciando o ursinho de pelcia, falou:
 Posso no haver comeado tudo isso direito, mas pretendo ser a melhor me do mundo.
Lembrou-se do modo protetor como Richard a tratara na noite anterior. Enquanto estivera aninhada naqueles braos fortes, quase chegara a acreditar que ele estivesse sendo sincero.
 No  comigo que Richard est preocupado, nem com o beb  disse ao ursinho.  Ele quer apenas aliviar a conscincia, antes de ter de partir novamente.
Se quer saber, no tenho a mnima vontade de que ele fique. J superei meus sentimentos e, no momento, ele  apenas o irmo da minha senhoria...
Liz se interrompeu ao ouvir uma breve batida  porta. Logo em seguida, Chris colocou a cabea na fresta, fazendo os cabelos carem sobre seu ombro.
 Ol. A conversa  particular ou tambm posso participar?  Retribuiu o sorriso de Liz, antes de olhar para o ursinho de pelcia.  Oh, mas que
gracinha! Onde o comprou?  perguntou, aproximando-se da amiga.
	 Ganhei de Dorrie Jean, ontem  explicou Liz.
	Entregando o ursinho  amiga, foi sentar-se na cadeira de balano, a um canto do quarto. Com um suspiro, pegou a cestinha de tric.
Dorrie Jean  mesmo um amor  disse Chris.  E o que a sra. Peyton lhe deu?
Mais conselhos sobre o martrio do parto  ironizou Liz.
Como se ela soubesse  replicou Chris, com uma careta.  Dorrie Jean  adotada.
Dizendo isso, sentou-se na cama da amiga e deixou o ursinho de lado.
Liz sorriu para ela, pensando mais uma vez em como eram surpreendentes as semelhanas e as diferenas entre Chris e o irmo. Qualquer observador casual, por mais desavisado que fosse, notaria a semelhana entre os dois. Ambos eram altos, tinham cabelos negros e olhos muito azuis.
Porm, a maior diferena entre os dois era o tipo de comportamento. Richard era mais reservado e no costumava demonstrar o que estava pensando, enquanto Christine era mais amigvel, mostrando sempre um interesse sincero pelas pessoas que a cercavam.
Examinando as unhas bem manicuradas, Chris disse:
 A sra. Peyton s quer seu bem.
Eu sei.
Richard tambm.
Liz olhou para a amiga no mesmo instante, surpresa com o comentrio.
 Ora, Liz, eu teria de ser uma idiota para no perceber quanto ele est interessado em voc. Para dizer a verdade, nunca vi Richard agir de um modo
to possessivo antes. Ele costuma ser assim comigo, mas deve estar agindo dessa maneira com voc por estarmos morando na mesma casa.
Liz respirou aliviada. Felizmente, Chris no havia notado o verdadeiro motivo da possessividade do irmo.
No h razo para ele agir dessa maneira  declarou, voltando a tricotar.
Eu sei  anuiu Chris , mas voc nunca o convencer disso. Richard  do tipo que assume a liderana em qualquer situao. De certa forma, isso no  to ruim assim.  Depois de um pequeno silncio, continuou:  Quando papai morreu, Richard tinha apenas dezesseis anos, mas assumiu com perfeio o papel de homem da casa. E com uma casa velha como essa, a tarefa no foi nada fcil, pode acreditar. Havia sempre algo para ser consertado e o dinheiro era muito escasso. A situao ficou ainda pior quando mame morreu, poucos anos depois. Somente quando Richard terminou a faculdade e conseguiu o emprego na Visatek foi que a situao comeou a melhorar. Ele realmente adora lidar com aqueles computadores.
Liz havia visto o computador que Richard usava enquanto estava em casa. A mquina e seus acessrios formavam um conjunto imponente, dominando boa parte do escritrio. De sbito, parou de tricotar.
Acha que ele vai ficar muito tempo por aqui?
Provavelmente no mais do que um ou dois dias. Os trabalhos que ele lidera exigem a presena dele.
Qual  exatamente o trabalho dele, Chris?
Nunca lhe contei?
Nem mesmo Richard contara, pensou Liz, balanando a cabea negativamente.
Pensei que voc soubesse  continuou Chris.  Richard  engenheiro eletrnico, especializado em sistemas de reconhecimento, se  que isso explica algo. Ele tambm entende um pouco de computao grfica, sobre sistemas de informao e outras reas que costumam fazer os crebros esquentarem. Ainda bem que ele no pode falar muito sobre o trabalho. Geralmente os projetos so secretos e no podem ser divulgados.
Entendo.
Liz se balanou um pouco na cadeira, pensando no que a amiga revelara sobre o irmo.
Ele deve gostar muito da profisso  conjecturou.
O que Richard gosta mesmo  do desafio. Por isso ele  bom no que faz. Muitas empresas brigaram para t-lo como profissional, e em algumas ele nem teria de viajar tanto. S que a Visatek ofereceu condies irresistveis. Foi ele quem pagou minha faculdade, sabia? Por isso fiz questo de me esforar ao mximo para obter meu diploma.
Liz sabia que Christine havia terminado o curso de quatro anos de faculdade em trs, antes de se dedicar totalmente ao trabalho na rea de propaganda e marketing.
Ela prpria, por outro lado, demorara seis anos cursando a faculdade de letras, e no conseguira terminar o ultimo semestre, devido a vrios contratempos que tivera de enfrentar por causa de sua me.
Tem sorte por fazer o que gosta  disse a Chris.
 verdade. Na poca, Richard falou que o diploma me ajudaria muito no momento de escolher o emprego, e ele estava certo. Mame tambm sempre me incentivou a fazer pelo menos o bacharelado. Ela dizia que o diploma universitrio era um investimento para o futuro.
Liz tentou imaginar Beth lhe dando um conselho do mesmo tipo, mas no conseguiu. Sua me vivia mais preocupada com o novo papel que iria desempenhar no cinema do que com a formao cultural da filha. Assim que tomara conhecimento daquela triste realidade, Liz decidira sair de casa e levar uma vida mais "normal".
No fora fcil a princpio, mas depois de algumas semanas ela finalmente conseguira se desvencilhar dos constantes problemas da me. No se importava de haver sido chamada de "egosta" por Beth. No fundo, sabia que a convivncia entre elas s se tornaria melhor se as duas ficassem separadas.
 Talvez eu consiga terminar a faculdade depois que o beb nascer...
Ter muito tempo para se preocupar com isso  disse Christine, repetindo a frase que vinha consolando Liz nos ltimos meses, sempre que ela cogitava sobre o futuro.  Antes de o beb nascer, acho que voc deveria se mudar para um dos andares de baixo. H um quarto grande prximo ao de Richard e...
Estou bem aqui, Chris, obrigada. Vou mandar pintar o quarto ao lado de azul para o beb e o outro aposento continuar servindo como sala de visitas.
Chris sorriu.
Para mim est timo. Se precisar de mais moblia, d uma olhada na parte coberta da garagem. Acho que h um moiss guardado l.
Obrigada. Esta casa  maravilhosa, apesar de antiga  afirmou, olhando em volta.
Christine fez uma careta.
Voc acha? Para ser sincera, eu preferiria um apartamento no centro de uma cidade grande, com muita movimentao na vizinhana. Pretendo me mudar daqui assim que conseguir um aumento e uma promoo.
 mesmo?  Liz se surpreendeu.  Preferiria morar em um apartamento?
Chris assentiu.
	Ainda vou morar em um condomnio chique, voc vai ver  afirmou, com uma piscadela.  No importa o que voc faa, casas velhas esto sempre
com cheiro de mofo e de naftalina. Acho que Richard sente o mesmo, mas no quis vender esta propriedade por ela pertencer  famlia h vrias geraes.
Por isso ele... Oh, meu Deus!
Chris levou a mo ao peito, assustando Liz.
 O que foi? Viu um rato?
No  respondeu Chris, sorrindo.   que acabei de me lembrar de que Richard est nos esperando no trreo. Ele tirou seus presentes do carro e colocou-os na sala.  Aps uma pausa, franziu o cenho.  Liz, andou vendo ratos por aqui ultimamente?
Liz assentiu, relutante.
	Direi isso a Richard, para que ele tome alguma providncia.
Chris comeou a descer a escada antes que Liz tivesse chance de protestar.
Liz, voc no vem?  Chris a chamou do andar de baixo.
Estou indo.
Antes de sair, escovou os cabelos com vigor, at que cassem em ondas sedosas ao redor de seu rosto. Disse a si mesma que no estava ansiosa para rever Richard. Ainda assim, sentiu um frio na barriga, e no era pelo fato de o beb haver se mexido. Felizmente Richard s iria ficar na.cidade por um ou dois dias. No sabia se resistiria quela presena mscula por muito tempo.
Olhando-se mais de perto no espelho, notou as olheiras que pareciam no querer abandonar seu rosto. Disfarou-as com um pouco de maquiagem, na esperana de que Richard no as percebesse.
Porm, foi o primeiro detalhe que ele notou assim que ela entrou na sala de Chris. Apesar de no dizer nada a esse respeito, disse a si mesmo que iria acompanh-la ao mdico durante a consulta seguinte. Sabia que Liz iria protestar e esbravejar, mas ele precisava descobrir se aquele aparente cansao era normal.
 Chris me contou que voc viu um rato l em cima.
 Ele  bem pequeno  explicou Liz, como se esse detalhe fizesse alguma diferena.  E s o vi algumas vezes.
Ou talvez tenha visto vrios ratos diferentes de cada vez  salientou ele.  Vou armar algumas ratoeiras pela casa.  Ignorando o ar de protesto de Liz, Richard se dirigiu  irm.  E melhor me fornecer uma lista com os outros itens que esto faltando na casa, para que eu possa providenci-los enquanto estiver aqui. Sei que as calhas no esto funcionando direito e que o aquecedor central precisa ser limpo...
J fiz isso  declarou Liz.
Os dois olharam para ela ao mesmo tempo. Chris parecia surpresa e Richard aborrecido.
 Voc limpou o aquecedor?  perguntou ele. 
Ela assentiu.
 E tambm as calhas. Durante a ltima chuva, notei que elas estavam cheias de folhas de rvores. E possvel avist-las do meu quarto.
Christine arregalou os olhos, enquanto Richard pareceu ainda mais aborrecido.
Est querendo dizer que subiu em uma escada com trinta degraus para limpar as calhas?
Claro que no. Subi at l pelo sto e varri as calhas atravs das janelas.  Perplexa com a reao dos dois, explicou:  Eu costumava fazer isso quando ficava na casa de meu pai, na poca da minha infncia. No pensei que vocs se importariam.
Claro que no nos importamos!  exclamou Christine, enquanto Richard ficou em silncio, com os lbios apertados.  O problema  que fazer isso foi muito perigoso na sua condio. Precisa tomar mais cuidado, Liz. E se houvesse acontecido algo ao beb?
	Liz arriscou um olhar para Richard, mas logo desviou a vista, ao perceber uma sombra de irritao escurecendo os olhos azuis.
	Bem, mas no vamos mais falar sobre isso  declarou Chris, encerrando o assunto.  Temos vrios presentes para abrir.  Entregando uma caixa
a Liz, falou:  Esse  de Brooke.
Ainda irritado com o risco desnecessrio ao qual Liz se submetera, Richard ficou observando ela abrir o presente, como uma criana prestes a ganhar um novo brinquedo.
Os lindos olhos castanhos adquiriram um brilho terno quando ela abriu o pacote e deparou-se com um macaco jeans em tamanho miniatura.
 Oh, que gracinha...
Seus lbios se curvaram em um sorriso apreciador. Richard a considerou mais linda do que nunca e lembrou-se de quando vira aquele mesmo ar de felicidade no rosto dela, na noite em que haviam feito amor.
Quando ela abriu o presente ,de Christine, soltou uma exclamao de surpresa.
Oh, Chris,  lindo!  Tirou da caixa uma delicada manta branca de tric.  Foi voc mesma quem fez? Como eu gostaria de tricotar to bem quanto voc...
Ainda vai chegar l  disse Chris, dando-lhe um abrao afetuoso.  Tive anos de prtica, por haver nascido em uma cidade pequena onde nunca houve muito o que fazer.
Liz dobrou a manta com cuidado e colocou-a de volta na caixa.
No consigo nem terminar os sapatinhos  lamentou.
Se voc no conseguir termin-los, acho que o beb nem sentir a falta de um par de sapatinhos com todas essas roupas  salientou Richard, indicando os presentes espalhados sobre o sof.
Est brincando?  perguntou Christine.  Isso no  nem a metade do que o beb vai precisar. Susan disse que precisava trocar as roupas dos filhos trs ou quatro vezes ao dia. E quando os levava ao mdico, ficava espantada ao ver quanto haviam crescido em questo de meses. A propsito, lembre-se de pr gasolina no carro antes de levar Liz ao mdico. Precisei sair com ele hoje cedo, mas esqueci de passar no posto e o tanque est quase na reserva.
Que novidade  zombou Richard, fingindo no notar o breve sobressalto de Liz ao ouvir o comentrio de Chris.
	 Mas para mostrar quanto sinto por meu esquecimento, vou preparar um desjejum especial para voc, alis para vocs. Dentro de poucos minutos
provaro os ovos mexidos com bacon mais deliciosos de suas vidas!
Richard lanou um olhar irnico para Liz ao dizer:
	 Ela fala como se estivesse nos fazendo um favor, mas aposto que est s se esquivando de ter de ajudar a levar todos esses pacotes l para cima.
Essa minha irm  mesmo impossvel.
Liz sorriu, mas assim que Chris foi para a cozinha, trouxe o assunto anterior  tona.
	 Richard, o que sua irm quis dizer com voc me levar ao mdico?
Ele a olhou.
Ela quis dizer exatamente o que voc ouviu. Avisei que iria levar voc porque terei de ir a Vicks-ville de qualquer maneira.
Mas posso ir sozinha...
Christine disse que voc anda tendo crises de
nusea ultimamente.
Liz mordeu o lbio.
	 Chris fala demais.
	Richard assentiu.
	 Eu sei, mas talvez nesse caso isso tenha ajudado. Acha prudente sair sozinha e dirigir no seu estado?
Liz no achava aquilo prudente, mas tambm no queria que Richard a acompanhasse ao mdico.
Essas roupas serviro mesmo para o beb?  indagou ele, pegando uma blusinha minscula.
Claro que sim  confirmou Liz.  Recm-nascidos usam roupinhas at menores. Mas como eu disse ontem  noite, no h necessidade de voc ficar...
Pois eu acho que h - ele a interrompeu.
Pensei que voc estivesse em meio a um projeto importante. No tem receio de que algum o substitua na empresa?
No  respondeu ele, com voz firme.  Quando se tem o tempo de experincia que eu tenho, e depois de haver passado por tantos cargos,  difcil haver algum que tenha competncia suficiente para me substituir. Alm disso, posso comandar o projeto daqui, por enquanto. O que diabos  isso?  perguntou ele, segurando um tubo plstico com outro dentro.
Liz sentiu o rosto esquentar.
 Nada.
Richard estreitou os olhos, curioso.
 Deve servir para algo seno voc no o teria ganhado de presente.
Ele puxou o tubo do interior e voltou a enfi-lo no tubo maior. O movimento causou um barulho de suco.
Seria um...?
 um coletor de leite materno, droga!  explodiu Liz.  Quer me entregar, por favor?  Tirou o objeto da mo dele, furiosa com o brilho de divertimento que surgiu nos olhos azuis.  Isso no  um brinquedo, sabia? Ter um filho  algo muito srio.
O sorriso de Richard desapareceu no mesmo instante.
Acha que no sei? Alis, isso me faz lembrar de algo que eu queria lhe perguntar: por que ainda no fez o ultra-som sobre o qual a sra. Peyton falou? E no me venha com essa histria de no querer saber o sexo do beb.
Mas  verdade  insistiu ela. Diante do olhar de descrena de Richard, percebeu que no adiantaria tentar engan-lo.  O ultra-som  um exame muito caro.
Richard apertou os lbios, exasperado, enquanto Liz acrescentava:
No  um procedimento obrigatrio no meu caso, Richard, seria apenas por precauo. A dra. Cindy no ficou preocupada quando resolvi deixar o exame de lado.
Pois eu estou preocupado, e  por isso que irei com voc ao mdico. Para descobrir pessoalmente o que est acontecendo.
Promete que depois voltar para seu trabalho e me deixar em paz?
Claro que sim.
Ento est bem  concordou Liz.  Aceito que v comigo.
timo.
Liz exalou um suspiro de alvio que logo se transformou em um gemido de protesto quando Richard falou:
 S mais uma coisa...
 O que  agora?
Acho que deveramos dizer  mdica que sou o pai do beb.
Nem pensar!  protestou Liz.  Eu j disse que no quero que ningum saiba.
Mas no estaremos contando para a cidade, Liz!  salientou Richard, impaciente.  Pense melhor e concordar que a mdica precisa saber. E se acontecer algo com voc ou com o beb? E se ela...
Ele!
Precisar de sangue ou de alguma coisa que s eu ou voc possamos dar? Precisarei ser avisado de alguma maneira. Isso no passou pela sua cabea?
 Claro que passou, mas...  Liz se interrompeu. Preferira deixar a preocupao de lado quando ela lhe ocorrera. De fato, se ocorresse algum imprevisto, simplesmente no saberia o que fazer.
Era difcil ter de admitir, mas Richard estava certo. Teria de deixar que ele se envolvesse, pelo menos nesse aspecto. Afinal, a vida do beb poderia vir a depender disso.
Quando voltou a encar-lo, viu que Richard a estava olhando intensamente.
 Voc sabe que estou certo, Liz. Precisamos contar a verdade pelo menos  mdica. Pelo bem da criana.
Como ela poderia contestar algo to srio?
 Ok  concordou, por fim.  Pelo bem do beb.

CAPITULO VI

Richard se acomodou melhor na cadeira, observando mais uma vez a sala de espera do consultrio mdico. Ele e Liz estavam ali havia quase meia hora.
As paredes eram pintadas de um agradvel tom de amarelo e a decorao abrangia girafas alaranjadas, lees azuis e pequenos elefantes cor-de-rosa entre outros detalhes no menos interessantes.
Richard se mexeu novamente, tentando ajeitar as longas pernas no espao entre a cadeira e uma mesinha infantil, colocada no centro da sala. No estava sentindo-se  vontade. No porque fosse o nico homem presente, j que tambm havia outro rapaz acompanhando a esposa. O principal motivo de sua insatisfao era a persistente frieza de Liz.
Arriscou olh-la de soslaio. Ela havia prendido os cabelos em uma trana que a deixara com uma aparncia de adolescente, em vez de revelar seus vinte e seis anos. O penteado estava preso por um lao cor-de-rosa, da mesma cor de sua blusa e dos elefantes que enfeitavam a sala.
Ao notar que uma pequena mecha dos cabelos dela se soltara da trana, tentou ajeit-la, mas Liz se esquivou do contato e ajeitou os cabelos com as prprias mos, sem sequer olh-lo.
Ficou evidente que, embora ela houvesse consentindo que ele a acompanhasse, no estava nem um pouco satisfeita com sua presena ali. Evitara ao mximo lhe dirigir a palavra, mantendo-se praticamente calada durante o trajeto de quarenta minutos at o consultrio.
Ao notar que ela parecia hipnotizada pela revista aberta sobre seu colo, Richard cruzou os braos diante do peito. No estava acostumado a ver Liz to calada, aquilo o incomodava.
Queria recuperar pelo menos o lampejo de amizade que surgira entre eles, naqueles primeiros dias em que haviam compartilhado certa intimidade. No entanto, estava tendo poucas chances de falar com Liz sem ter Chris por perto.
De sbito, ela levantou a cabea e ele a fitou com um ar esperanoso. Sem dizer nada, ela passou por ele e foi ao toalete. Richard suspirou, mantendo os cruzados.
  o primeiro filho?  perguntou o rapaz que estava acompanhando a esposa.
Richard hesitou um instante, mas assentiu.
 O nosso tambm  afirmou o desconhecido. Estendendo a mo para Richard, completou:  Sou Ken Patterson.
Richard aceitou o cumprimento. Ken apontou para a loira sentada ao lado dele. Ela cumprimentou Richard com um gesto de cabea, enquanto o marido acrescentava:
 E esta  Barbie.
Dizendo isso, olhou-o com ar expectante. Ao notar a expresso confusa de Richard, ele perguntou:
 No entendeu? Ken e Barbie, os bonecos...
 Oh, sim, claro  respondeu Richard, olhando na direo do toalete.
Por que diabos Liz estava demorando tanto? Estaria ela passando mal?
Ken voltou a falar, interrompendo seus pensamentos.
 Nosso beb nascer em outubro.
Os dois no estavam fazendo a mnima questo de esconder o orgulho, como se fossem as nicas pessoas do mundo a estarem prestes a ter um filho.
Finalmente, Barbie se manifestou:
Quando sua esposa ter o beb, sr...?
Delaney. Richard Delaney.  Relutando em desmentir que Liz era sua esposa, respondeu:  Liz s ter o beb daqui a seis semanas.
Ken demonstrou um sbito interesse.
 Ei, talvez nos encontremos na maternidade. Sua esposa j est inscrita para a internao, no ?
Teria Liz feito aquilo?, Richard se perguntou.
 No tenho certeza  confessou.
Ken pareceu surpreso e Barbie se limitou a arquear as sobrancelhas perfeitas.
 Acabei de voltar para a cidade  explicou Richard, em um tom defensivo.  Passei algum tempo fora do pas.
Ken ficou visivelmente aliviado enquanto Barbie se inclinou para a frente ao dizer:
Tenho certeza de que sua esposa deve estar aliviada em t-lo de volta.
"Nem tanto", pensou Richard.
O que ser? Menino ou menina?
Menina  respondeu ele, com firmeza.
Oh, teremos um menino  disse Barbie, com um certo ar de que ter um menino significava mais do que ter uma menina.  Decidimos ter um menino primeiro, depois talvez uma menina.
	Richard no gostou nem um pouco da insinuao. Barbie falara como se ter uma menina primeiro fosse uma deciso totalmente errada. Estaria ela insinuando que o menino deles seria superior  sua menina? Conteve um resmungo impaciente. Era at engraado imaginar que alguma criana que aqueles dois pudessem ter poderia ser superior ao filho que Liz carregava no ventre.
Pegou uma revista, fingindo estar interessado na matria "Leite materno ou mamadeira? Como decidir?", assim os Paterson o deixariam em paz.
O plano funcionou bem, at Liz voltar. Ela mal havia se sentado quando Barbie se inclinou novamente para a frente e disse:
 Esse estgio cansa bastante, no? Alm de termos de ficar indo ao toalete a todo momento.
 E verdade  Liz concordou. 
Encorajada pela resposta, Barbie acrescentou:
Seu marido estava dizendo que seu beb tambm nascer em outubro.
Ele no  meu marido  Liz replicou no mesmo instante.  E apenas irmo da minha senhoria e ofereceu-se para me trazer at aqui.
Richard levantou mais a revista diante do rosto, aborrecido. Liz se referira a ele como uma espcie de taxista, e no como o homem com quem ela dormira e fizera um filho.
Quando abaixou a revista, deparou-se com os olhares de espanto dos Paterson. Ambos o estavam fitando como se ele houvesse fingido ser o presidente dos Estados Unidos ou algo do gnero. Aborrecido com os dois, e ainda mais com Liz, voltou a ocultar o rosto atrs da revista.
 Qual  o seu mdico?  Barbie perguntou a Liz.
 Dra. Cindy Kanuse.
Por cima da borda da revista, Richard viu quando Ken e Barbie se entreolharam. Adquirindo aquele irritante ar de superioridade, Barbie disse:
O meu  o dr. Daniel Mitchell.  Ela deu um risinho.  Ken no gostou muito da idia a princpio. Alm de bonito, dr. Dan  solteiro. Mas convenci Ken de que ele  o melhor obstetra que temos na cidade.
Quero o melhor para voc  justificou ele, segurando a mo dela.
Conheci o dr. Dan. Ele  muito simptico  disse Liz.
Simptico, hum?, pensou Richard, aguando os ouvidos. No era esse o tal mdico que Christine dissera haver sado com Liz? Se o sujeito no era mdico dela, por que estava to interessado em Liz?
Estreitou os olhos quando a possvel resposta surgiu em sua mente. Nesse momento, porm, a enfermeira chamou q nome de Liz. Quando ela ficou de p, ele lhe segurou o pulso com delicadeza.
 No se esquea de que tambm quero falar com a mdica.
Liz apertou os lbios, mas assentiu e retirou-se em silncio.
Os Paterson o fitaram com olhares ainda mais espantados, provavelmente deduzindo que ele fosse algum oportunista. Tanto que no voltaram a puxar conversa com ele.
Richard terminou de ler o artigo da revista com tranqilidade, antes de comear a ler outro sobre os cuidados que as mulheres deveriam tomar com os mamilos enquanto estivessem amamentando.
Depois de terminar esse ltimo artigo, Richard deixou a revista de lado, com impacincia. O que estava acontecendo afinal? No incio da consulta, a enfermeira lhe dissera que ele seria chamado logo aps o exame inicial. S que nenhuma das outras mulheres demorara tanto tempo no consultrio. Teria a mdica descoberto algo de errado com o beb? Ou com Liz?
Mexeu-se na cadeira, mas acabou ficando de p. Quando deu por si, estava andando de um lado para outro. Passados dez minutos do exerccio infrutfero, tomou uma sbita deciso e foi at a mesa da recepcionista. Ciente da curiosidade de Ken e de Barbie, abaixou o tom de voz ao dizer:
 Com licena, mas minha noiva queria que eu a acompanhasse para fazer algumas perguntas  dra. Kanuse.
A recepcionista assentiu.
 Talvez a enfermeira tenha esquecido de cham-lo. Deixe-me verificar.
Ken e Barbie continuaram a observ-lo, mas Richard no se importou. Pouco depois a enfermeira apareceu e fez um sinal para que ele a seguisse.
Richard a acompanhou pelo corredor. Pararam diante de uma porta e a enfermeira bateu de leve, antes de colocar a cabea na fresta e dizer:
 O noivo da srta. Sinclair quer lhe fazer algumas perguntas, doutora.
 Mande-o entrar  Richard ouviu a mdica responder.
A enfermeira ficou de lado e fez um sinal para que ele entrasse.
Richard no hesitou e seguiu em frente. Ainda deitada na mesa de exame, Liz o fitou com uma expresso atnita. Estava vestida com um daqueles camisoles de hospital, com a barriga coberta por um lenol branco. O tecido deslizou um pouco, revelando a pele alva de Liz, mas ela puxou o lenol no mesmo instante, lanando um olhar furioso em sua direo. Antes que ela pudesse protestar contra sua intruso, ele se dirigiu  mdica.
 Ol, doutora. Sou Richard Delaney, o pai da criana. Eu gostaria de saber como est o andamento da gravidez.
A mdica era uma bonita morena aparentando trinta e poucos anos. Saudou-o com um sorriso amistoso.
 E um prazer conhec-lo, sr. Delaney. Incentivamos os pais a participarem de todos os estgios do pr-natal. Sua ajuda tornar a gravidez bem mais
fcil para Liz.  Indicando uma cadeira, continuou:  Pode sentar-se e acompanhar o exame. Estou localizando o batimento cardaco do beb.
Richard fez o que a mdica sugerira, tomando o cuidado de manter certa distncia. Pelos gestos enfurecidos que Liz estava lhe dirigindo sempre que a mdica virava de costas, ficou mais do que evidente que sua presena no era bem-vinda ali.
S que ele no era do tipo que desistia facilmente. Nunca fora. Alm do mais, era sua obrigao acompanhar a gravidez de Liz, para saber se tudo estava indo bem. Ficou fascinado ao observar como era realizado o exame.
A mdica passou uma espcie de gel na barriga de Liz, antes de comear a deslizar um aparelho sobre ela.
"Juro que vou mat-lo", pensou Liz. Richard sabia muito bem que ela no o queria no consultrio durante o exame fsico, mas somente bem depois, quando a mdica houvesse terminado. Estava sentindo exposta e vulnervel diante daquele olhar intenso.
De sbito, uma srie de barulhos estranhos surgiram do amplificador ligado ao estetoscpio.
Isso  o estmago dela roncando  explicou a mdica.
Mais parece uma alcatia de lees brigando por um pedao de carne.  Richard no resistiu ao comentrio.
Liz fechou os olhos. Por que no acontecia algum milagre que o fizesse desaparecer dali? Nunca passara um embarao maior em toda sua vida.
O barulho se tornou ainda mais intenso conforme a mdica foi deslizando o estetoscpio sobre sua barriga.
Machuquei voc?  perguntou a mdica quando Liz se encolheu.
Ela tem ccegas a  respondeu Richard, para maior embarao de Liz.
Mal pde acreditar que Richard tivesse uma memria to boa para detalhes como aquele.
"V embora!", disse mexendo apenas os lbios quando a mdica se virou mais uma vez. Contudo, ele no estava olhando para seu rosto. Richard observava o estetoscpio como se estivesse hipnotizado, acompanhando com ateno cada movimento da mdica.
Liz havia acabado de decidir que repetiria a frase em voz alta quando um batimento ritmado comeou a ecoar pela sala.
 A est!  exclamou a mdica, satisfeita.
Liz sentiu-se invadida pela mesma sensao de deslumbramento que sempre experimentava ao ouvir o corao do beb. Involuntariamente, olhou para Richard. Por um instante, percebeu nos olhos dele o mesmo ar de encantamento que ela prpria estava sentindo.
 Meu filho  disse, sorrindo para ele. Porm, Richard se tornou srio no mesmo instante, como que contrariado.
 Filha  corrigiu ele.  O ritmo no est um pouco acelerado?  perguntou  mdica.
Est perfeitamente normal  respondeu ela, no momento em que o beb mudou de posio, provocando uma srie de barulhos diferentes.  Ok, por hoje est timo.
A dra. Kanuse entregou uma toalhinha a Liz, para que ela limpasse o gel da barriga. Enquanto isso, lavou as mos na pia do consultrio.
	Continue tomando as vitaminas, Liz  disse por cima do ombro.  Caminhe um pouco todos os dias. Relaes sexuais tambm so saudveis nesse
ponto da gravidez.
Richard arqueou uma sobrancelha. Liz sentiu o rosto esquentar.
 As crises de tontura esto melhorando?  perguntou a mdica, secando as mos.
Liz assentiu.
timo. Avise-me se comear a ter dores de cabea.  Sentando-se  mesa, a mdica pegou o bloco de receitas.  O beb est muito bem. Ainda assim, precisamos tomar um certo cuidado com seu peso, Liz.
O h de errado com o peso dela?  Richard quis saber.
A mdica sorriu, com ar profissional.
Liz est um pouco abaixo do peso recomendado para o terceiro trimestre. No  nada para se preocupar, mas quero que ela ganhe mais peso. Tambm precisa repousar bastante. Os ltimos estudos mostraram que ficar de p muito tempo, como Liz permanecesse no trabalho, aumenta os riscos de a mulher ter parto prematuro.
Ento acha que ela j deveria parar de trabalhar?  indagou Richard.
	A mdica o encarou.
Seria melhor se ela pudesse parar, mas Liz j me disse que isso no  possvel.
Claro que , se for o melhor para o beb  insistiu ele.  No , Liz?
Aborrecida com a intromisso de Richard, Liz jogou a toalha de papel no lixo e fechou o camisolo com mais firmeza em torno de si.
Conversaremos sobre isso depois  respondeu, com frieza.
E uma tima idia  aprovou a mdica.  Conversem sobre o assunto. Acabar percebendo que seu noivo tem razo, Liz. Talvez seja melhor parar de trabalhar nessas ltimas semanas de gestao.
Liz no respondeu nada. Assim que ela se vestiu e os dois saram do consultrio, ele falou:
O que h para discutir? Voc precisa parar de trabalhar. Se precisar de apoio financeiro, tenho condies de lhe fornecer.
No quero conversar sobre isso agora.
Pois eu quero  insistiu Richard.
Liz seguiu em frente. Porm, quando passaram pela recepo, ela parou de repente.
Espere um pouco. Preciso pagar a conta.
Eu pagarei  Richard se ofereceu.
No! Eu mesma quero pagar. 
	Ele enrijeceu o maxilar.
No me faa perder a pacincia, Liz.
 Est bem, pague  respondeu ela, tambm a ponto de perder a pacincia.
De que adiantaria discutir?, disse a si mesma. Depois preencheria um cheque e pediria a Chris para depositar na conta dele.
Saiu da clnica sem esperar por ele. Estava to furiosa que ao passar pela porta esbarrou em algum que vinha entrando.
 Ei, calma.
Liz foi segura por um par de mos firmes. Ao levantar a vista, deparou-se com o atraente rosto do dr. Dan.
Tudo bem com voc?
Sim.  Liz forou um sorriso.  Desculpe-me por haver esbarrado em voc.
No precisa se desculpar. No sou do tipo que reclama quando mulheres bonitas esbarram em mim 	acrescentou, com uma piscadela.
O dr. Dan era um homem alto, atraente, dono de um belo par de olhos acinzentados. Gostava muito de conversar, segundo Liz notara durante as vezes em que ele estivera na loja onde ela trabalhava.
Liz no teve como deixar de retribuir o sorriso franco que ele lhe lanou.
 Por que estava saindo com tanta pressa, Elizabeth? Precisa voltar logo para o trabalho?
Liz abriu a boca, mas antes que pudesse responder Richard j estava a seu lado.
Que tal almoarmos juntos?  Dan continuou a falar.  H um timo restaurante aqui perto...
Eu e Liz estvamos indo justamente para l 	respondeu Richard, com sua voz grave, enlaando o brao na cintura de Liz.  Aceita nos acompanhar?
Liz sentiu o rosto esquentar, enquanto o mdico lanava um olhar especulativo para a mo possessiva que Richard pousara em suave em sua cintura.
 Talvez de uma outra vez, obrigado  agradeceu o mdico.  Cuide-se, Elizabeth.
Dizendo isso, ele seguiu em frente. Richard estreitou os olhos, observando o mdico se afastar.
Ento, aquele era o "maravilhoso" dr. Dan? Pois o sujeito no lhe parecera to maravilhoso assim. Ser que Liz no percebera que ele estava ficando careca? E que tipo de homem era aquele, que ficava flertando com uma mulher grvida?
Est pronta para irmos comer algo?  perguntou a Liz.
No estou com fome  respondeu ela, caminhando em direo ao estacionamento.
Richard a seguiu de perto, porm, segurou-a pelo brao e a fez parar mais adiante.
O que deu em voc para agir desse jeito?  perguntou ela, indignada.
De que jeito?
Liz continuou a encar-lo, sem responder. Richard percebeu que o primeiro boto da blusa dela no estava bem fechado e tentou arrum-lo. Porm, Liz afastou a mo dele com um gesto brusco.
 Desse jeito!  respondeu ela.  Como se tivesse o direito de me dizer o que fazer ou mesmo de abotoar minha blusa! Apesar do que disse quela
enfermeira, voc no  meu noivo, portanto, pare de agir como se fosse!
Ele arqueou as sobrancelhas.
Tudo bem. Mas s vou parar quando voc deixar de agir como uma supermulher grvida.
Oh!  Liz se indignou.
Tentou abrir o trinco da porta do carro, esquecendo-se que ela estava trancada. Ficou batendo o p com impacincia, enquanto Richard abria a porta calmamente, no parecendo nem um pouco afetado pela situao tensa.
 Leve-me para casa  pediu Liz, assim que entraram no carro.
 Primeiro vamos almoar em algum lugar.
Eu j disse que no estou com fome, Richard.
No adianta mentir. Ouvi muito bem o barulho que seu estmago estava fazendo naquele consultrio.
Diante de tal "evidncia", Liz no teve como contestar. Richard levou-a para um restaurante familiar, com uma atmosfera bastante agradvel.
Quando a garonete apareceu para anotar os pedidos, Liz pediu apenas uma salada.
Traga uma canja tambm  disse Richard  moa. Diante do olhar indignado de Liz, explicou:  Ouvi dizer que canja  bom para gestantes.
S durante uma gripe ou coisa do gnero  salientou ela.
	Talvez a canja ajude a curar seu mau humor.
Liz preferiu ignorar a provocao. E tambm os outros comentrios de Richard, durante a refeio. No havia nada pior do que agentar a companhia de um homem ciente de ter razo.
De fato, sentiu-se bem melhor depois de tomar a deliciosa canja.
Sobre a questo do trabalho...  comeou Richard.
Ainda no posso sair da loja  ela o interrompeu.
 Mas no pode adiar isso, se  sua sade que est em jogo  salientou Richard, colocando de lado o prato vazio.  Deixe que eu a sustente durante esse perodo.
Liz o olhou no mesmo instante.
Isso est fora de cogitao. Eu lhe disse que ter esse filho foi uma deciso minha e, portanto, ele est sob minha responsabilidade. Logo serei me e preciso aprender a me manter sozinha.
Tudo bem, s que no momento isso no  possvel. Que outra escolha voc tem a no ser aceitar minha ajuda?
	Pensativa, Liz pegou um guardanapo de papel e comeou a rasg-lo em pedacinhos. Aquela era uma boa pergunta. Que outra escolha lhe restava? No tinha dinheiro suficiente para se sustentar at o nascimento do beb. A herana que recebera de seu pai ajudaria, mas no seria suficiente para sustent-la por muito tempo, sem que estivesse trabalhando. Pretendia trabalhar pelo menos mais um ms.
	 Acho que poderia telefonar para minha me e...
	Liz se interrompeu. Beth a ajudaria com certeza, mas tambm comearia a querer ditar regras em sua vida, como no passado.
S que eu teria de ir passar algum tempo com ela, na Califrnia  completou.  E no quero fazer isso  admitiu.
Ento aceite minha ajuda  insistiu Richard, com firmeza. Suspirou quando Liz continuou em silncio.  Fale comigo, Liz. Conte-me o que h de errado.
Ela acrescentou mais alguns pedaos de guardanapo  pilha que comeara a se .formar no centro da mesa.
 No quero depender de voc, s isso. Nem de ningum.  Olhou para ele.  No quero ser... fraca.
Richard pareceu prestes a protestar, mas Liz no lhe deu chance e continuou:
 Tem idia de quanto  difcil lidar com a ambio sadia com algum sempre pagando suas contas? Voc prprio teria trabalhado tanto para chegar
onde chegou se no houvesse precisado sustentar Christine e sua me?
Richard franziu o cenho.
 Ok, talvez voc tenha razo. Mas as situaes so diferentes, Liz.  Tomou a mo dela entre as dele.  Tenho uma responsabilidade moral e financeira com relao a voc e ao beb. Isso no pode ser ignorado.  Segurando a mo dela com mais firmeza, acrescentou:  No estou tentando enfraquec-la. Quero apenas fazer o que  certo.
Mas vai interferir...
Juro que no vou. Como poderei fazer isso, se logo terei de voltar ao trabalho?
O comentrio provocou uma onda de desapontamento em Liz, mas a sensao deixou-a apreensiva. Afastou a mo da dele no mesmo instante. No queria sentir falta de Richard quando ele fosse embora.
 O que foi?  Ele franziu o cenho novamente.  No estou entendendo, Liz.
Claro que Richard no entendia. Afinal, no fora ele que alimentara sonhos romnticos sobre uma certa noite de amor. Ele no passara dias, ou melhor, semanas, esperando o telefone tocar, pensou ela.
Olhou para Richard mais uma vez. Aquele olhar perscrutador a perturbava de uma maneira que ela no sabia explicar. Queria que ele fosse embora de uma vez. S assim conseguiria recobrar a paz que fora to difcil conquistar depois da ltima vez que ele partira. Precisava recuperar o controle de sua vida.
De qualquer maneira, melhor seria parar de lutar contra o bvio. Richard no era como sua me, que usava o dinheiro para manter as pessoas presas a ela. Com Richard seria justamente o contrrio. Quanto mais cedo concordasse, mais cedo ele partiria.
 Deixar que eu lhe pague esse dinheiro de volta assim que for possvel?  perguntou a ele.
Richard apertou os lbios.
	 Est bem  respondeu, apesar da expresso contrariada.
	 Mesmo assim, no quero que ningum saiba que voc  o pai.
Richard enrijeceu o maxilar, mas no contestou. Liz uniu as mos sobre o colo e respirou fundo.
	 Ok, ento deixarei o trabalho.
CAPITULO VII

Ele estava vencendo afinal, pensou Richard, fitando os belos olhos castanhos de Liz. Alm de conseguir que ela concordasse em dizer  mdica quem era o pai, tambm a fizera aceitar sua ajuda financeira. J no era sem tempo. Estava ficando cansado de discutir e no conseguir nada com ela.
	 timo  disse, ficando de p.  Vamos voltar para casa.
A certa altura do caminho, Richard viu-se forado a admitir que ainda estava descontente. Arriscando um olhar de soslaio, percebeu que Liz olhava a paisagem atravs da janela. Ele sentia como se precisasse fazer algo mais antes de partir. Talvez comprar algum item para o beb, como fraldas ou uma mamadeira, por exemplo. De sbito, lembrou-se do artigo que lera no consultrio.
 Vai amamentar o beb no seio?  perguntou de repente.
Ela o olhou, surpresa.
Acho que essa deciso no lhe diz respeito, Richard.
Pode ser, mas  que o leite materno...
Sei tudo sobre leite materno, no se preocupe  Liz o interrompeu.  Aceitei que contasse  mdica que era o pai e tambm que me ajudasse financeiramente, mas sua participao termina por a. Prometeu que no ia interferir em nada.
	Ela estava certa, concluiu Richard.
	 Desculpe-me  disse.  Estou apenas preocupado com voc e com o beb.
A lembrana do som daquele coraozinho batendo rpido voltou  sua mente.
Sentiu a mo de Liz tocar seu brao. Era a primeira vez que ela o tocava por iniciativa prpria, desde que ele voltara, pensou.
	 No precisa se preocupar, Richard. Est tudo sob controle. Bem, exceto pelo curso para gestantes...
Ele a fitou por um instante e voltou a prestar ateno na estrada. Ken e Barbie haviam mencionado as tais aulas.
	 No se inscreveu para elas?  perguntou a Liz. 
	Ela encostou a cabea no apoio do banco.
	 Sim, eu me inscrevi, mas acho que agora terei de cancelar as aulas. Christine iria ser minha treinadora...
Richard franziu o cenho. Christine, treinadora? Ela nunca participara de um time na vida!
 ...mas ter de partir para outra viagem de trabalho na prxima semana.
Richard ficou ainda mais preocupado. Isso significava que Liz teria de ficar sozinha naquela casa enorme e antiga. Precisava fazer algo a esse respeito.
No h mais ningum que possa acompanh-la?
Pensei em chamar uma certa pessoa. No tivemos contato por muito tempo, mas foi suficiente para restar um lao entre ns...
Richard sentiu o corao acelerar. Estaria Liz falando sobre eles?, perguntou-se.
 O problema  que ele  ocupado demais  continuou ela.
Oh, cus, ela estava mesmo falando sobre eles. Mas ele precisaria voltar para Seul de qualquer maneira.
 Ele  muito gentil, mas no sei se seria justo pedir que me acompanhasse. No quero coloc-lo em uma situao difcil...
Teria de ser bastante cauteloso em sua resposta, pensou Richard.
 Provavelmente ele ficaria muito satisfeito em ser convidado para acompanh-la, Liz. Mesmo que tenha de dizer que no poder ir.
Liz se ajeitou melhor no assento.
Tem razo. Da prxima vez em que eu me encontrar com o dr. Dan, direi...
Dr. Dan?!
Richard segurou o volante com tanta fora que as juntas de seus dedos ficaram brancas. Entrou com o carro no acostamento e freou-o com um movimento brusco. Desligando o motor, voltou-se para ela.
Est falando sobre aquele mdico que a convidou para almoar? Por que diabos est pensando em cham-lo para acompanh-la?
Ele  muito gentil, e tambm  mdico. Em uma das vezes em que o encontrei no centro da cidade, Dan falou que no tinha muitas atividades  noite. Portanto,  bem capaz que possa me acompanhar nas aulas.
Richard se esforou para manter a calma.
Ele no trabalha com beep?
Sim, mas no  chamado para emergncias a todo momento. Alm disso, o fato de ele tambm ser novo em Lone Oak faz com que tenhamos algo em comum. Ambos precisamos fazer novas amizades.
Voc no precisa  replicou Richard.  J tem a amizade de muitas pessoas por aqui. Por que no pede a Brooke ou a Susan para acompanh-la?
Elas j tm muito com que se preocupar. Brooke est trabalhando em dois empregos para ajudar a sustentar a tia idosa e Susan est sempre ocupada com as crianas. No quero causar mais problemas a elas.
Ento, que tal a sra. Peyton? Aposto que ela tem tempo sobrando.
Nem pensar! Ela  prestativa, mas...
Mas o qu?
Acabaria me deixando maluca! Prefiro chamar qualquer outra pessoa, exceto ela.
Ok, ento irei com voc.
Liz arregalou os olhos, sem acreditar no que ouvira.
 Voc?! Mas est de partida!
Richard no disse nada. Estava to surpreso quanto Liz pelo que dissera. Esquecera-se de que teria de voltar ao trabalho.
 No se preocupe.  Liz tentou tranqiliz-lo, ao notar seu silncio.  Acho que Dan no se importaria...
Richard enrijeceu o maxilar. Por que Liz insistia em cogitar a ajuda daquele sujeito?
Pedirei mais duas semanas de licena e substituirei Christine  declarou.
Mas...
Voc no  a nica aqui disposta a fazer sacrifcios, Liz. Quer deixar que eu faa minha parte, por favor?
Ela no respondeu, espantada com a reao incisiva de Richard.
 Farei isso pelo bem do beb, nada mais  completou ele.
 Preciso de mais duas semanas. Sim, John, sei que a situao em Seul est difcil. Andei pesquisando os dados pelo computador. S que estou com
um problema aqui e terei de resolv-lo pessoalmente  disse Richard, ao telefone, duas horas depois.
Enquanto ouvia o chefe falar, entreabriu a porta da cozinha, para se certificar se  Liz ou Christine no haviam descido para o andar de baixo por algum motivo. Depois da verdadeira batalha que travara para Liz concordar que ele a acompanhasse, no queria arriscar que ela o ouvisse discutir com o chefe ao telefone. Com certeza seria a desculpa perfeita para ela voltar atrs na deciso.
Felizmente, nenhuma das duas estava por perto. John parou para respirar e Richard aproveitou a oportunidade para dizer:
	 Sei que tenho alguns dias de dispensa acumulada e quero us-los agora. S preciso de duas semanas. Assim que eu conseguir resolver a situao, embarcarei
no primeiro vo para Seul. Pode contar com isso.
Quando John finalmente cedeu, Richard desligou o telefone, com um suspiro de puro alvio.
	 A est voc!
Richard se sobressaltou, antes de se virar. Christine estava encostada ao batente da porta, com os braos e os calcanhares cruzados.
	 Resolveu me espionar agora?  perguntou ele.
	Ela sorriu.
	 Eu no estava espionando. Liz no encontrou o ursinho de pelcia que Dorrie Jean deu a ela e eu me ofereci para procur-lo aqui embaixo. S que
voc estava ocupado em discutir com seu chefe que nem percebeu quando entrei.  Ela arqueou uma sobrancelha.  O que tem a me dizer sobre isso?
	 Nada.
Ele olhou em volta. Ao ver o urso de pelcia deixado sobre uma cadeira, entregou-o a Christine.
	 No adianta se esquivar da pergunta  declarou ela, aceitando o ursinho.  Sei o que est acontecendo. Liz me contou tudo.
Contou? Chris assentiu.
Confesso que fiquei chocada.
Richard tambm sentiu-se chocado. Pensara que Liz no contaria a mais ningum que ele era o pai do beb.
	 No  do seu feitio se oferecer para ser treinador de uma mulher grvida durante um curso para gestantes  continuou Christine.  E muito menos abrir mo do seu "precioso" trabalho para tanto.
Richard deu de ombros.
	 Vou apenas substitu-la at que volte da viagem a trabalho.
Foi o que Liz me contou. Mas sei muito bem por que est to interessado em ajud-la.
Sabe?
Claro que sim. No sou nenhuma idiota, . irmozinho.
Ele abriu a boca para se justificar, mas Christine prosseguiu:
	 E mais do que bvio que est fazendo tudo isso por estar interessado em Liz.
Richard hesitou, ao perceber at que ponto sua irm sabia a "verdade".
 Fique fora disso, Chris.
Ela pareceu indignada.
	 Eu nem sonharia em interferir! Ainda mais sabendo Liz...
	 Liz o qu? Fale logo, Chris.
Ok, j que insiste...  Ela olhou em volta, como que com receio de que algum mais pudesse escut-los. Quando voltou a falar, abaixou o tom de voz.  Acho que suas chances com ela so timas.
A impacincia de Richard desapareceu no mesmo instante. Liz deveria ter confessado seus sentimentos para Chris.
E mesmo?  perguntou, em um tom de voz casual.  E por qu?
Porque ontem ela me disse que j superou completamente o que sentia pelo pai do beb. Deve ter percebido que ele no passava de um cretino para engravid-la e depois deix-la desse jeito. Comparado a ele, voc  o pretendente perfeito!
Richard arqueou as sobrancelhas. Algo o avisou de que acabaria tendo uma crise nervosa se continuasse a conversa.
 Muitssimo obrigado  disse a Chris.
Ela sorriu, satisfeita.
	 No precisa agradecer. Ei, por que no leva o ursinho para ela? Ser uma boa chance de marcar alguns pontos.
Dizendo isso, entregou o ursinho a ele e retirou-se do aposento.
Richard ficou olhando para a porta fechada. Ento Liz j o esquecera? Estranho, mas a notcia no o surpreendeu.
Distrado, tirou uma casquinha de po grudada aos plos do ursinho. O plo sinttico parecia to macio quanto os cabelos de Liz.
"No toque em mim", dissera ela, fazendo-o fechar os olhos por um momento, ao recordar a frase. Ao contrrio de sua irm, ele no costumava viver tocando as pessoas. Mas era to difcil manter as mos longe de Liz... Abra-la e acariciar-lhe o rosto e os cabelos sedosos parecia to natural para ele quanto respirar.
De sbito, lembrou-se de que, mesmo por um breve momento, os dedos de Liz haviam se entrelaado aos seus sobre a mesa do restaurante. Sim, ela retribura seu gesto carinhoso! E qual a mulher que faria isso sem sentir nada por um homem?
Talvez houvesse sido um gesto involuntrio. Ou o orgulho de Liz no lhe permitisse demonstrar que ela ainda sentia-se atrada por ele.
Bem, ao menos uma coisa era certa: ele estava diante da oportunidade perfeita para descobrir a resposta.
Ajeitando os plos do ursinho de pelcia, disse:
 Sabe uma coisa, meu amigo urso? No vejo a hora de comear essas tais aulas.

CAPTULO VIII

Liz, porm, no estava nem um pouco ansiosa pelo incio das aulas.
	Parece um lugar agradvel  disse Richard, ao parar o carro diante um pequeno prdio prximo ao hospital.
Ela no respondeu.
 Pela quantidade de carros, no fomos os primeiros a chegar  completou ele.
Liz continuou em silncio. Richard suspirou, exasperado.
	 Vai ficar carrancuda a noite inteira?  perguntou a ela.
	 No estou carrancuda  refutou Liz.
	Estava  apenas  demonstrando  sua  insatisfao pela intromisso de Richard.
	 Pois no parece outra coisa para mim  insistiu ele, saindo do carro.
Deu a volta pelo veculo, para abrir a porta para ela e pegou o travesseiro no banco de trs.
	 Deveria ter trazido seu prprio travesseiro  disse a ela.
Liz sentiu o rosto esquentar. O comentrio de Richard sugeria a atmosfera de intimidade que os dois haviam compartilhado naquelas primeiras noites.
Evitou olhar para Richard, por saber exatamente quais eram as lembranas que permeavam a mente de Richard naquele momento.
O que foi?  perguntara ele, em uma daquelas noites, enquanto os dois se mantinham abraados, depois de haverem feito amor.
Estou sentindo falta do meu travesseiro  respondera ela, com voz lnguida.  Tenho dificuldade para dormir sem ele.
Richard se levantara, pegara o travesseiro no guarda-roupa e entregara-o a ela. Liz o agradecera com um beijo, que logo dera incio a outro ardente ato de amor.
Liz apertou os lbios. No gostava nem um pouco que Richard soubesse tantas intimidades a seu respeito.
Ao chegarem  porta, foram atendidos por uma simptica morena, cujo sorriso de boas-vindas logo revelou que se tratava da instrutora. Seu nome era Amlia Berry, segundo constava em seu crach.
 Faltam apenas mais alguns casais para comearmos  avisou ela, conduzindo-os at uma sala acarpetada.
O aposento tinha apenas algumas almofadas no cho, um aparelho de som e um projetor apontado para uma parede. J havia cinco casais sentados em semicrculo, segundo Richard notou.
 Sentaremos sobre almofadas  anunciou a instrutora.  Acho que isso criar um ambiente mais relaxante entre ns.
"Relaxante para quem?", pensou Liz, esforando-se para conseguir se abaixar. Richard ofereceu o brao para ela se apoiar. Ela lanou-lhe um olhar pouco amigvel, mas aceitou a ajuda. Era prefervel aceitar a ajuda de Richard do que acabar dando um vexame.
Ao sentar-se, sorriu para os outros casais, notando que Richard havia comeado a conversar com a instrutora. A maioria das mulheres estava sentada com as pernas cruzadas, posio que ela j no podia fazer havia meses.
Quando a instrutora foi receber outro casal que acabara de chegar, Richard sentou-se a seu lado. Deve ter notado seu desconforto, pois arqueou as sobrancelhas e disse:
Por que no se apoia em mim?
No, obrigada. Estou bem assim.
Estava mais do que evidente que aquela posio no era nem um pouco confortvel para ela, mas Liz conseguiu virar as pernas para um lado e ficar mais  vontade.
Tentou relaxar, embora estivesse sendo difcil. As outras mulheres pareciam mais serenas e estavam bem vestidas. Ajeitou seu camiso de maneira quase inconsciente. No tivera nimo para comprar roupas novas. Talvez houvesse sido melhor usar seu macaco jeans, mas j se cansara daquele visual.
Solidria ao seu dilema, Chris aparecera com aquela bonita camisa em estilo masculino fechada com botes de presso. A camisa lhe servira perfeitamente, embora houvesse ficado um pouco apertada nos seios.
Conferiu o primeiro boto, certificando-se de que continuava fechado. Para sua surpresa, Richard se inclinou em sua direo e sussurrou:
Sabia que essa camisa  minha?
No!  Liz arregalou os olhos.  Chris me disse que a comprou em uma liquidao.
Esse  o eufemismo que ela usa para se referir ao meu guarda-roupa  explicou ele, com ar de divertimento.  Ela est sempre pegando minhas roupas e fingindo esquecer de onde elas saram.
Sinto muito. Prometo devolv-la assim que chegarmos em casa.
No precisa fazer isso. Voc fica muito bem de azul.
Apesar do olhar de censura que lanou a ele, Liz teve de admitir a si mesma que apreciara o elogio. Espantada com a prpria reao, deu graas quando Amlia retornou, seguida pelo ltimo casal.
Agora que todos j chegaram, podemos comear  anunciou a instrutora, enquanto Ken e Barbie ocupavam seus lugares no semicrculo.
Que tal comearmos nos apresentando? - sugeriu Amlia, com um sorriso.  Mencionem tambm quando tero o beb e se j sabem o sexo.
Liz conteve o flego. Detestava fazer aquele tipo de atividade. Concentrou-se na apresentao dos outros casais, enquanto pensava em quanto falaria sobre si mesma quando chegasse sua vez.
As mulheres falaram durante a maior parte do tempo, sendo interrompidas apenas por comentrios ocasionais dos homens. Enquanto os ouvia, Liz ia categorizando mentalmente cada casal.
Os Benedict estavam prestes a ter o quinto filho e mantinham expresses quase idnticas de aborrecimento. Os McLean mais pareciam lderes de torcida do que um casal que iria ter um filho em breve. Os outros dois casais que se seguiram eram bastante jovens, mas pareciam dispostos a enfrentar o desafio. Liz foi se tornando tensa quando sua vez foi se tornando mais prxima.
Quando a mulher a seu lado terminou sua tmida explanao, Liz respirou fundo. Porm, antes que pudesse comear a falar, Richard se adiantou:
 Sou Richard e esta  Liz. Nossa filha nascer em outubro.
 Nosso filho  corrigiu ela, sem pensar.
Mordeu o lbio assim que viu o brilho de triunfo nos olhos de Richard. Diante deles, Ken e Barbie trocaram um olhar de cumplicidade.
Oh, tero gmeos?  perguntou a "lder de torcida".
No!  refutou Liz, horrorizada.
Cus, sua barriga estaria to grande assim?, pensou. Amlia deve ter notado seu desespero, j que decidiu intervir:
 Liz j est em um estgio bem avanado da gravidez. Ela e Richard esto assistindo s aulas um pouco mais tarde do que a maioria dos casais
 explicou ela. Sorrindo para os Patterson, acres centou:  Depois deles, vocs sero os prximos, em termos de data.
Barbie sorriu, levando a mo ao ventre, enquanto Ken os apresentava aos outros.
Sou dentista e minha esposa  psicloga infantil  acrescentou ele, distribuindo cartes de ambos.  E uma boa idia levar seus filhos a um psiclogo infantil o quanto antes. O processo de nascimento pode deixar traumas. Alm disso,  bom que os leve a um dentista assim que se iniciar o processo de dentio. Atualmente, temos aparelhos especiais que...
Obrigada, sr. Patterson, mas acho melhor comearmos a aula  Amlia interrompeu a propaganda, para alvio de todos.
Ela comeou com uma palestra sobre os vrios estgios de desenvolvimento do beb. No incio, Liz prestou muita ateno, porm, aos poucos sua mente comeou a divagar. J lera tanto sobre tudo aquilo que nada lhe parecia novo.
Entretanto, ao olhar para Richard, surpreendeu-se ao notar que ele estava atento a cada palavra da instrutora. Cus, ele at comeara a fazer anotaes!
Richard estava mesmo levando tudo aquilo a srio, pensou ela. Quando Amlia salientou a importncia do aleitamento materno, ele olhou para Liz com uma expresso de "eu lhe disse" estampada no rosto.
Ela se limitou a observ-lo durante algum tempo, mas logo uma nova preocupao passou a ocupar sua mente. Precisava ir ao toalete. Ser que a instrutora nunca pararia de falar?, perguntou-se, aflita. Para piorar a situao, o beb acordou e comeou a chutar, forando ainda mais sua bexiga j cheia.
Deu graas quando Amlia finalmente fez uma pausa. Apressou-se em ir ao banheiro antes que algum entrasse l primeiro.
Saiu minutos depois, imensamente aliviada e foi direto sentar em uma das cadeiras que haviam sido colocadas a um canto da sala. As outras mulheres logo seguiram seu exemplo. Pelo visto, ela no fora a nica a sentir-se desconfortvel em ficar no cho.
Somente a "lder de torcida" e Barbie se mantiveram firmes na herica resoluo de continuarem no cho. Os homens ficaram de p, reunidos em pequenos grupos, mas Liz notou que Richard chamara a instrutora de lado e parecia estar perguntando algo mais especfico a ela.
Minutos depois, ele veio at Liz e estendeu a mo para ela.
 Venha, a aula vai recomear.
Liz fez uma careta, relutando em ficar de p.
 Vai gostar da prxima parte. Ah, e pegue o travesseiro  avisou ele, ajudando-a a ficar de p.  Amy disse...
 Amy?
A instrutora  explicou Richard.  Ela pediu que a chamasse de Amy. Bem, ela disse que o restante da aula ser reservada para prticas e tcnicas de relaxamento.
Liz deixou que Richard a conduzisse at o outro lado da sala.
 Espalhem-se pela sala  pediu Amlia.  Primeiro quero que aprendam a relaxar sob o toque do parceiro.
Liz no se preocupou com o primeiro exerccio e at conseguiu relaxar os msculos dos braos sob o comando de Richard. Entretanto, o segundo exerccio no se revelou to fcil assim.
Ai!  protestou Richard, afastando a mo do brao dela.  Voc me beliscou!
Voc me beliscou primeiro.
Mas era o que eu tinha de fazer! No ouviu Amlia mandar? Servir para voc aprender a relaxar mesmo com dor. E garanto que eu no a belisquei com a mesma fora com que voc me beliscou  acrescentou ele, massageando o local dolorido.
No quero que me belisque e est acabado  declarou Liz.  Que tipo de exerccio maluco  esse?
Richard tentou explic-lo, mas desistiu quando Amlia voltou a bater palmas, anunciando que o exerccio terminara.
 Ateno, pessoal. Nosso tempo est quase no fim, e quero terminar a aula com ensinando uma meditao com massagem, que vocs podero praticar em casa, junto com as tcnicas de respirao. Mames, deitem-se no cho, viradas para o lado direito, por favor. Parceiros, sentem-se prximos a elas e sigam minhas instrues.
Liz no queria se deitar. Richard pde perceber isso pela expresso contrariada com a qual ela o fitou. Porm, acabou cedendo com um suspiro e deitou-se de costas para ele.
Amlia diminuiu as luzes da sala e colocou uma msica relaxante no aparelho de som.
	Agora, parceiros, vamos comear com uma massagem simples nos ombros. Eliminem com gentileza a tenso de suas parceiras.
Parceiros... Richard gostou da idia. Quer Liz gostasse ou no, seriam parceiros durante os prximos dias. Tocando os ombros dela com delicadeza, comeou a massagear os msculos rgidos.
Todavia, sua satisfao logo se desvaneceu, quando ele notou que Liz ficou ainda mais tensa. Ela no gostava de seu toque. Deixando a frustrao de lado, continuou a massagem com pacincia.
Liz foi relaxando aos poucos e acabou ficando sonolenta. Suas plpebras se tornaram pesadas e foi difcil se manter acordada.
Mesmo grvida, Liz ficava com a cintura marcada quando se deitava de lado. Naturalmente, o olhar de Richard se voltou para aquelas curvas femininas e para as protuberncias dos seios mais volumosos e sensuais.
	Massageiem os braos agora  falou Amlia, num tom de voz suave.  Comecem pelos ombros e desam at os dedos.
Liz tinha braos esguios e delicados. Richard teve de se conter para no beijar aquela pele macia.
	No esqueam de massagear os dedos  lembrou Amlia.
Claro que ele no esqueceria de massagear os dedos de Liz. Comeou pela palma da mo dela e foi evoluindo a massagem at os dedos.
 Agora passem para os tornozelos. A gravidez costuma provocar tenses nessa regio.
Richard adorava as pernas de Liz. Longas, esguias e deliciosamente bem torneadas... Os tornozelos delicados eram o complemento perfeito para toda aquela feminilidade. Richard massageou-os com as pontas dos dedos, pressionando-os com gentileza.
Liz suspirou, visivelmente relaxada. Satisfeito com o resultado de sua massagem, Richard prosseguiu no mesmo ritmo.
 Passem a massagear a regio lombar das parceiras  instruiu Amlia.  Esse local fica bastante dolorido, devido ao peso do beb.
Richard sentou-se novamente ao lado de Liz e comeou a massage-la. Ela suspirou mais uma vez, demonstrando que o cansao da regio lombar tambm estava sendo aliviado.
Ele sorriu consigo, gostando de v-la vestida com sua camisa. Estranho como uma camisa masculina conseguia deix-la com uma aparncia to feminina.
 Ok, mames, virem para o outro lado  a voz de Amlia interrompeu os pensamentos de Richard.
Liz virou-se devagar, mas o movimento forou o tecido da camisa, fazendo os dois primeiros botes se abrirem.
O olhar de Richard se voltou automaticamente para a renda do suti branco, atravs da qual era possvel ver o mamilo intumescido. Surpreso com aquele indcio de excitao, Richard desviou a vista para o rosto de Liz.
Por um breve momento, seus olhares se encontraram. O brilho nos olhos de Liz denunciavam a mesma sensualidade que ele distinguira neles meses antes. Ento ela desviou a vista rapidamente, ocupando-se em fechar os botes.
Richard sentiu uma nova onda de desejo invadir seu corpo. Teria sido aquele brilho de sensualidade nos olhos de Liz apenas fruto de sua imaginao?, questionou-se.
Tocou o tornozelo dela. Liz se encolheu como um animalzinho assustado pego em uma armadilha. Ela entreabriu os lbios, tornando-se ofegante de repente.
Richard sentiu sua prpria respirao acelerar. Liz ainda o desejava. Aquele forte sentimento ainda existia entre eles.
De sbito, a luz foi acesa.
 Pronto, terminou  disse Liz, levantando-se sem esperar pela ajuda dele.
Richard tambm ficou de p, mas ela se retirou da sala antes dele, segurando o travesseiro diante de si como um escudo protetor.
Ele continuou no mesmo lugar, curvando os lbios num sorriso.
"Ainda no terminamos esse exerccio, Liz", pensou. "Definitivamente, no."

CAPITULO IX

Estaria Richard interessado nela? A pergunta surgiu com freqncia na mente de Liz durante o resto da semana.
No entanto, no conseguia encontrar uma resposta para suas dvidas. Afinal, ele aceitara a situao que se estabelecera entre eles e parecia satisfeito com o acordo financeiro que haviam travado. Alm disso, provavelmente estava aliviando a conscincia ao acompanh-la s aulas para gestantes.
Ao lembrar-se das aulas, sentiu um arrepio pelo corpo. Ter as mos de Richard tocando-a novamente de uma maneira quase ntima estava se revelando como uma verdadeira prova de autocontrole. Fazia muito tempo que no era acariciada intimamente por ele, e talvez por isso estivesse reagindo daquela maneira.
No que se considerasse alguma femme fatale. Ainda mais com oito meses de gravidez. Naquela condio, com certeza no podia se comparar a uma mulher capaz de preencher as fantasias de um homem.
Talvez estivesse imaginando aquele interesse por parte de Richard, disse a si mesma. Ainda assim, vez por outra flagrava-o a observ-la com um brilho diferente no olhar. O mesmo brilho que ela vira naquela primeira noite...
Enquanto olhava Christine arrumar a bagagem, poucos dias depois, disse:
 Para ser sincera, eu gostaria que voc no precisasse viajar.
Oh! Por que no aprendia a manter a boca fechada? No pretendia declarar seu pensamento, mas as palavras simplesmente lhe haviam escapado.
Christine a olhou, surpresa.
 Sinto muito, Liz. Mas no precisa se preocupar. Sei que ficar segura com Richard aqui.
"To segura quanto um ratinho indefeso sob os cuidados de um gato faminto", pensou Liz.
 Espero que Richard no seja chamado com urgncia no trabalho  acrescentou Chris.  Notei que ele recebeu muitos telefonemas nos ltimos dias.
Liz tambm percebera o fato. Chegara at a atender uma das ligaes em que um homem com voz grave pedira para falar com o "sr. Delaney".
Richard atendia todos os telefonemas no escritrio e sempre que ele saa de l, Liz esperava ouvi-lo dizer: "Preciso voltar para Seul ainda hoje".
Onde ele est agora? Trabalhando no computador?  perguntou a Chris.
Foi a uma loja de materiais de construo comprar uma nova torneira para a cozinha. S que antes de sair recebeu um telefonema de Susan, convidando-o a visit-la e ver o novo carro que ela comprou.  Chris deu-lhe uma piscadela.  Aposto que foi apenas uma desculpa para ficar sozinha com Richard. Desde que Susan se divorciou, tem dado sinais de que est interessada nele, s que de uma maneira muito sutil. Bem diferente do modo como a sra. Peyton age com Dorrie Jean.
Ao ouvir aquilo, Liz pensou nas dvidas que a haviam assaltado nos ltimos dias. Estaria Richard realmente interessado nela mesmo com Susan estando disponvel? Se fosse se comparar com a loira e esbelta divorciada, realmente a competio era injusta no momento.
No dia seguinte  partida de Christine, Richard comeou a examinar os hbitos alimentares de Liz, recomendando-lhe somente "alimentos nutritivos" para ela e para o beb.
Liz no estava gostando nem um pouco daquilo, mas achou melhor no contrari-lo.
Na quarta-feira, sua irritao desapareceu por completo, quando Richard lhe trouxe um belssimo ramalhete de rosas.
 A cor rosada combina com suas faces  gracejou ele.
Liz teria desconfiado de uma tentativa de flerte, se Richard no houvesse acrescentado:
 Sempre compro um ramalhete para Christine quando estou na cidade. Ela adora rosas.
Ento Richard a considerava no mesmo nvel da irm dele, pensou Liz. De certa forma, a concluso a deixou at mais tranqila. Porm, somente at a noite, durante a aula para gestantes.
Ficou bastante afetada quando assistiram ao vdeo de um parto natural. Ainda bem que Richard no ficaria na cidade por tempo suficiente para acompanh-la durante aquele processo embaraoso. Nunca deixaria que ele a visse suada e desesperada como aquela mulher.
Todavia, para seu maior espanto, em vez de ficar apreensivo com o filme, Richard se mostrou fascinado. Os outros mal tiveram tempo de fazer comentrios, devido s vrias dvidas que ele sanou com a instrutora.
Depois, durante o relaxamento dirigido por Amlia, Liz observou a reao das outras mulheres em volta. Nenhuma delas parecia afetada pelo toque dos parceiros quanto ela ficava sempre que Richard a tocava.
Seria impresso sua ou ele massageara com mais lentido a rea de suas pernas e de seus quadris? Quando ele passou a massagear seus braos, ela o fitou nos olhos. Aquele leve roar do polegar dele em seu seio teria sido fruto de sua imaginao? De qualquer maneira, a expresso no rosto de Richard parecia inocente.
Pelo menos foi o que Liz acreditou at a sexta-feira  noite. Havia acabado de chegar de uma caminhada com a sra. Peyton, que insistira em acompanh-la, quando surpreendeu-se ao se deparar com a mesa da sala de jantar do andar de baixo arrumada.
Luz de velas, toalha de mesa cor-de-rosa, talheres de prata e louas de porcelana formavam um belo e aconchegante visual. No centro da mesa, uma nica rosa vermelha, colocada em um vaso solitrio, dava o toque final de romantismo ao ambiente.
Liz sentiu a boca secar. J vira essa cena antes. At mesmo o delicioso aroma de frango assado era familiar, pensou, quando seu corao comeou a bater mais forte. Esse fora o mesmo ambiente que ela criara na noite em que decidira fazer amor com Richard.
 Ol  disse ele, vindo por trs.
Liz sentiu um arrepio. Richard estava prximo, muito prximo.
 Oh, ol  respondeu, dando um passo atrs.  No vi voc se aproximar. Deixe-me acender a luz.
Ela acionou o interruptor e nada aconteceu. Olhou para Richard.
 Parece que estamos sem energia eltrica...
 Faz algum tempo que estou querendo jantar  luz de velas com voc. Venha sentar-se, enquanto vou buscar a comida. Est tudo pronto.
Alm de frango assado, Richard tambm preparara batatas assadas na manteiga, salada de legumes e arroz. Para sobremesa, um convidativo bolo de chocolate com cobertura de chantilly.
Mais salada?  perguntou ele, em meio  refeio.
No, obrigada.
E que tal um pouco mais de batatas?
Esto timas, mas prefiro guardar espao para a sobremesa. Esse bolo est  muito apetitoso.
Richard serviu-a de um pedao do bolo. Sabia que ela adorava chocolate.
Aps o jantar, Liz o ajudou a retirar os pratos e foi para a sala em seguida. Sentindo necessidade de se ocupar com algo, pegou o cestinho de tric de Christine e ps-se a arrumar alguns novelos. Manteria a conversa em um tom impessoal, sem comentrios sugestivos.
Richard entrou casualmente na sala. Foi direto at a lareira e colocou mais algumas achas de lenhas para queimar. Logo um agradvel perfume de pinho comeou a recender pelo ambiente.
 As noites esto se tornando frias  disse ele.  Percebi. At j separei mais cobertores para colocar na cama.
Liz conteve o flego. Por que tinha logo de mencionar a palavra "cama", se esse era o ltimo assunto que ela queria trazer  tona?
Para sua maior apreenso, Richard se aproximou devagar e sentou-se a seu lado. Depois tirou algo do bolso e lhe entregou.
 Abra.
Liz pegou o pequeno embrulho e abriu-o sem pressa. Sorriu ao ver um lindo par de sapatinhos de l cor-de-rosa.
So lindos  disse a ele.  Pena que a cor seja esta, porque estou certa de que ser um menino.
Menina!
Menino!
Richard estreitou os olhos e tirou os sapatinhos da mo dela, deixando-os de lado.
Acho que est precisando de um pouco de descanso.  Ficou de p e a fez ficar tambm.  Vamos praticar aquele relaxamento que Amy nos ensinou.
No, obrigada. J estou relaxada  respondeu Liz, tentando se afastar dele.
Isso vai ajud-la a relaxar ainda mais  insistiu ele. Jogando algumas almofadas sobre o tapete, diante da lareira, completou:  Sente-se.
Mas eu no...
	Sente-se, Liz.
Ela obedeceu.
	Voc  muito autoritrio  protestou, enquanto ele se ajoelhou atrs dela.
Richard comeou massageando seus ombros. A princpio, ela ficou tensa, mas logo relaxou um pouco. Engraado como Richard estava tocando exatamente os pontos certos, como se soubesse com preciso onde sua tenso era mais intensa.
Seguiu-se um longo silncio, interrompido apenas pelo crepitar da lenha sendo queimada. Richard continuou a massagem. Aos poucos, um delicioso torpor foi se apoderando do corpo de Liz.
Richard tocou seu ombro, fazendo-a deitar sobre o tapete. Ela hesitou por um instante, mas acabou cedendo e deitou-se de lado. Ele mudou de posio e apoiou os ps de Liz sobre seu colo. Por cima da meia, massageou-lhe os calcanhares sensveis, fazendo-a relaxar ainda mais.
Liz suspirou, sentindo o calor das mos de Richard se espalhar por seus ps. Quando Richard tirara seus sapatos?, perguntou-se.
Estava prestes a perguntar isso a ele quando deixou escapar um bocejo.
 Oh, desculpe-me  disse, levando a mo aos lbios.
 Notei que voc anda bastante cansada ultimamente  afirmou Richard.  Talvez devesse pensar em dormir um pouco durante as tardes.
Liz franziu o cenho. Nunca gostara de dormir de dia. Quando abriu a boca para responder, Richard acrescentou:
 Pelo bem do beb.
 Ok  murmurou ela.  Pelo bem do beb. 
Richard sabia que ela faria qualquer coisa pelo filho, pensou Liz. Por isso dissera aquilo.
O agradvel calor da lareira comeou a aquecer seu rosto e sua barriga. As mos carinhosas de Richard massageando seus calcanhares e tornozelos surtiu um efeito completamente relaxante. Estava ficando cada vez mais difcil manter os olhos abertos...
Os livros que li nos ltimos tempos dizem que um relaxamento fsico completo  a melhor cura para o estresse  declarou Richard.
Hum-hum  murmurou Liz, despertando por um momento.
As mos de Richard foram subindo devagar, massageando suas coxas. Nem ela mesma fazia idia de que aquela regio de seu corpo estava to tensa.
Fechou os olhos, quase adormecendo.
 Por isso, acho que deveramos fazer amor... Pelo bem do beb.
A voz de Richard pareceu distante, mas ela conseguiu murmurar:
 Sim, pelo bem...
Despertando completamente, perguntou:
 O que voc disse?!
CAPITULO X

Richard pousou a mo sobre o quadril de Liz. Tornando-se ciente do fato, Liz se desvencilhou do contato e colocou uma almofada diante de si, em um gesto defensivo.
Voc ouviu o que eu disse  respondeu Richard. Ela segurou a almofada com mais firmeza.
No quero me envolver fisicamente com voc.
Por qu?  perguntou ele.
Ora, a resposta est mais do que bvia!
No para mim.  Richard tomou a mo dela entre as dele.  Ento, diga-me mais claramente.
Bem, eu...
As razes eram bvias, mas, por um instante, Liz no conseguiu se lembrar quais eram elas. Distraiu-se ao sentir o polegar de Richard acariciando seu pulso. Seria a luz da lareira que deixara a expresso de Richard to branda?
 Qual foi mesmo a pergunta?  Liz perguntou.
Os lbios de Richard se curvaram em um sorriso.
 Perguntei por que no quer fazer amor comigo  repetiu, com pacincia.
Liz pestanejou.
Oh! Em primeiro lugar, porque estou grvida.
E da? Mulheres grvidas tambm fazem amor. A prpria mdica nos recomendou isso, est lembrada?
	 Mas pense no que aconteceu da ltima vez  salientou Liz.
Richard segurou a mo dela com mais firmeza.
 Estou pensando...
O tom de voz sensual tambm levou Liz a recordar o que havia acontecido. Aos poucos, sentiu o rosto esquentar.
Estou me referindo ao fato de haver engravidado.
Isso  algo com que certamente no precisamos nos preocupar desta vez.
Mas no seria correto...
Claro que seria, Liz. No h nada errado em duas pessoas se amarem.
Sim, ele tinha razo. Richard a conduziria pela mesma trilha de prazer que ela experimentara na primeira vez. Quando terminassem de fazer amor, seu corpo estaria exausto, mas satisfeito...
 No, Richard  respondeu, apesar do que estava se passando em sua mente.
Ficou de p com certa dificuldade e foi direto para a porta. Porm, logo Richard a alcanou e segurou-a pelo brao.
 Espere.
Liz parou e ficou olhando Richard acionar o interruptor e acender a luz.
Ei!  Ela arregalou os olhos.  Pensei que estivssemos sem luz!
Afrouxei um pouco a lmpada da sala de jantar, s isso  explicou ele.
Liz cravou as unhas nas palmas das mos.
 Voc me enganou!
Richard balanou a cabea negativamente.
 Eu nenhum momento eu disse que a luz havia acabado. Foi voc quem deduziu isso.
 Omitir algo  to grave quanto mentir  replicou ela.
Richard arqueou uma sobrancelha.
 Concordo. Principalmente em face do que voc no disse.
Algo na expresso de Richard avisou Liz de que ela se arrependeria se o questionasse. Porm, sua curiosidade foi maior do que o receio.
 O que est querendo dizer?
Ele continuou a fit-la nos olhos.
 Estou me referindo ao motivo que deu como desculpa para no fazer amor comigo, mesmo sem nunca haver dito que no me desejava.
Sem querer ouvir mais nada, Liz subiu a escada, em direo ao terceiro andar.
Trs horas depois, deitada em meio ao escuro, Liz finalmente admitiu a verdade: Richard estava, certo. Ela o desejava.
Do lado, a chuva batia contra a janela, como que protestando sua recusa em admitir a verdade.
Virou-se na cama, procurando uma posio mais confortvel. Os cobertores estavam pesados, deixando-a acalorada e impaciente. Os locais onde Richard a massageara ainda estavam sensveis, como se ele houvesse acabado de toc-los.
A atrao que sentia por ele no fazia sentido. Afinal, Richard no era o tipo de homem fiel e dedicado com quem ela sonhara se casar um dia. Todavia, seu corpo parecia no querer enxergar a lgica dos fatos. S de se lembrar da ltima vez em que haviam se amado, j sentia um delicioso calor envolv-la por completo.
Com um gemido, virou-se para o outro lado, ajeitando melhor o travesseiro, na esperana de acabar adormecendo. Entretanto, seu corpo parecia mais alerta do que nunca. Minutos depois, o insistente calor continuava a inquiet-la, trazendo-lhe  mente lembranas sensuais.
Estava tensa e intranqila, assaltada pelo mesmo desejo ardente que a levara para os braos de Richard, oito meses antes.
Sentando-se na cama, ajeitou o travesseiro com os punhos cerrados e voltou a deitar-se.
Richard falava como se tudo fosse muito fcil. Fazer amor, relaxar, livrar-se da tenso e prosseguir como se nada houvesse acontecido.
Liz virou-se de lado mais uma vez e fechou os olhos. Aquilo seria pura insensatez...
Abriu os olhos de repente. Ou no seria?
Sentou-se na cama novamente, unindo as mos sobre o colo. De qualquer modo, no era mais a moa ingnua que dormira com Richard, meses antes. Sabia que ele considerava o trabalho em primeiro lugar e que isso no mudaria.
Ento por que estava cogitando a possibilidade de um breve envolvimento?, perguntou-se. Talvez porque tivesse seus prprios planos a respeito do tipo de homem com quem queria conviver. Dessa vez, no poderia ser magoada emocionalmente, j que superara seus sonhos romnticos com relao a Richard.
Se ficasse com Richard, pelo menos mais uma vez, talvez o resultado fosse justamente o contrrio do que ela imaginava, e seu receio se revelasse desnecessrio. Com sorte, havia at a possibilidade de se tornar imune para sempre  proximidade dele.
Alm do mais, como o prprio Richard mencionara, ela j estava grvida e, qualquer que fosse sua deciso, esse fato no mudaria.
A mdica incentivara relacionamentos ntimos entre os dois. Os prprios livros sobre gestao mostravam o mesmo, citando que esse era um bom mtodo para aliviar o estresse. E Deus sabia quanto ela estava sentindo-se estressada.
Ento, o que a impedia de ir procur-lo?, perguntou-se, afastando os cobertores para o lado. Faria amor com Richard e manteria completo controle da situao, a fim de curar sua atrao por ele de uma vez por todas. Dessa vez, simplesmente se recusaria a deixar que qualquer reao emocional atrapalhasse sua deciso de se manter indiferente.
Decidida, levantou-se e pisou no tapete. Mal havia dado alguns passos quando foi assaltada por uma nova onda de dvidas. Levou as mos ao ventre. A quem estava querendo enganar?
Achava mesmo que teria coragem de ir ao quarto de Richard, com oito meses de gravidez e pedir a ele que fizesse amor com ela? Mesmo que Richard demonstrasse interesse por ela, ele no fazia idia de quanto seu corpo mudara nos ltimos meses.
Liz suspirou. No conseguiria fazer aquilo. Voltou a sentar-se na cama, mantendo os ps sobre o tapete. De repente, algo peludo esbarrou em seu p.
Quando deu por si, j havia soltado um grito desesperado e colocado as pernas sobre a cama.
Richard subiu a escada no mesmo instante e entrou no quarto em questo de segundos. Encontrou Liz no meio da cama, trmula e desesperada.
 Cuidado!  gritou ela, ao v-lo.
Richard parou de repente e olhou em volta, tenso. Parecia pronto para atacar seu oponente, onde quer que ele estivesse.
 A no, l!  avisou Liz.
Ele se virou novamente.
Onde? No consigo v-lo.
Acho que ele se escondeu embaixo da cama. Richard estava prestes a virar-se novamente, mas parou e olhou para ela, franzindo o cenho.
Embaixo da cama? O qu, afinal, estou enfrentando?
Um rato.
Ele abaixou os braos, sem acreditar no que acabara de ouvir. Passou a mo pelos cabelos e disse:
Puxa, voc me assustou.
Ora, ele me assustou!  replicou Liz, em um tom de voz defensivo.  No posso dormir aqui com esse bicho andando pelo quarto.
Ento v dormir em outro aposento.
Parecia uma sugesto razovel, pensou Liz. O nico problema era que ela no estava com a mnima disposio para pr os ps sobre o tapete.
Aps tentar convenc-la a sair do quarto e no obter sucesso, Richard decidiu resolver .o problema a seu modo. Pegou Liz no colo, ignorando seus protestos.
Ele estava vestido apenas com a cala do pijama e a pele quente de seu peito provocou um efeito quase instantneo em Liz. Aturdida, mas aliviada demais para protestar, enlaou os braos em volta do pescoo dele.
 Espere!  pediu quando Richard comeou a andar.  Meu travesseiro. O rato pode tentar dormir em cima dele ou algo do gnero.
Richard voltou at a cama e inclinou-se um pouco para que Liz pudesse pegar seu precioso travesseiro.
 Tambm precisamos remover as roupas do beb  lembrou ela, quando j iam passando pela porta.
Richard assentiu mais uma vez. Teve de se esforar mais quando ela pegou as peas de roupa, aumentando o peso que ele estava suportando.
Oh, e tambm...
Chega, Liz  ele a interrompeu, dirigindo-se  porta.  E s um rato, no um animal selvagem. No vai tentar destruir tudo que vir pela frente.
Richard conseguiu acender o interruptor com o cotovelo, iluminando o corredor do lado de fora do quarto.
Quando ele comeou a descer a escada, Liz segurou-se nele com mais fora.
Liz, quer abaixar esse travesseiro, por favor? No estou conseguindo enxergar 
Um Bebe; A Caminho

nada!
Oh, desculpe-me  respondeu ela, obedecendo.
Richard seguiu em frente, adorando sentir o perfume dos cabelos de Liz a invadir suas narinas, aguando-lhe os sentidos.
 Eu no sabia que voc tinha tanto medo de ratos  disse, tentando esquecer os sintomas que seu corpo comeava a demonstrar.
 Nem eu  confessou Liz.  S que nunca senti um encostar no meu p antes.
Richard se encaminhou para o quarto dele, sem perguntar a Liz se ela queria ir para l.
Vou espalhar ratoeiras pela casa amanh.
Oh, no faa isso  pediu ela.  No quero que o mate. Apenas tente desloc-lo para outro lugar.
Richard sorriu.
 Est bem. Tentarei captur-lo e solt-lo na floresta. Mas, at l, estar mais segura aqui.  Dizendo isso, colocou-a na cama.  Sob a minha proteo.

CAPITULO XI

Liz se encostou nos travesseiros macios. Os lenis ainda mantinham o calor do corpo de Richard. Trmula, cobriu-se at o pescoo.
	Acho que no deveramos fazer isso.
O luar estava entrando pela fresta da cortina, iluminando o corpo atltico de Richard. Liz conteve o flego diante da viso.
	Pois eu acho que deveramos  respondeu ele,
aproximando-se perigosamente.
Liz percebeu o brilho de desejo nos olhos azuis, quando ele se deitou a seu lado. Ela engoliu em seco no momento em que o olhar de Richard se desviou para seus lbios entreabertos.
Ele foi se inclinando devagar, at envolv-la em um beijo ardente. Os olhos de Liz se fecharam no mesmo instante. Os beijos de Richard eram sempre abrasadores, disso ela se lembrava muito bem.
Seu desejo se reacendeu com mais intensidade do que nunca, levando-a a retribuir as carcias sensuais e quase exigentes de Richard.
Entretanto, quando ele comeou a abrir o primeiro boto de sua camisola, Liz pousou a mo sobre a dele, fazendo-o parar.
Richard levantou a cabea e fitou-a nos olhos.
 O que foi?  sussurrou.  Voc no me quer?
No  isso...
Liz desejou que a questo fosse simples daquela maneira.
Ento o que ?  perguntou ele, beijando-lhe a tmpora.
E que...
Richard a olhou mais uma vez, mas Liz desviou a vista, sem conseguir sustentar aquele olhar intenso.
 Estou muito diferente, Richard.
Ele segurou-lhe o queixo com delicadeza.
 Esses lindos olhos castanhos continuam iguais  murmurou, roando os lbios nos dela.  O nariz...  Beijou-a.  Os lbios...  Beijou-a mais
uma vez.  Voc est mais linda do que nunca.
Richard beijou Liz at deix-la ofegante e querendo mais do que nunca ser amada por ele.
 Seus lbios continuam to doces quanto antes. Mas aqui as coisas mudaram...  acrescentou com um sorriso sensual, acariciando-lhe um dos seios
avolumados.  Mas no se trata de uma diferena que eu no apreciaria...
Liz gemeu quando ele acariciou seu mamilo com o polegar. Richard sorriu novamente, antes de beijar cada mamilo atravs do fino tecido da camisola. Devagar, deslizou a mo pela barriga dela.
 Aqui tambm houve mudana...  Desceu mais a mo, acariciando-a com sensualidade ao completar:  Mas essa rea me parece muito familiar...
Liz fechou os olhos, desejando que ele fosse mais alm. Dessa vez, quando Richard fez meno de tirar sua camisola, ela no resistiu.
Pouco depois, o traje caa no cho. Liz o olhou com um ar de desejo e de vulnerabilidade.
 Voc est linda...  sussurrou Richard,
Ela sabia que no estava como antes, mas, de fato, sentiu-se linda sob o olhar carinhoso de Richard.
As carcias foram se tornando mais ntimas, at Liz ter a certeza de que o queria mais do que tudo naquele momento.
Estou machucando voc?  perguntou Richard, quando ela soltou um gemido mais alto.
No  respondeu Liz.
Estava aflita porque o queria completamente. Levada pelo desejo, acariciou-o de maneira provocante, demonstrando o que ia em sua mente.
Entendo a mensagem, Richard sorriu de modo carinhoso e deitou-se na cama, pronto para receb-la.
 E melhor assim  disse.  Para que eu no a machuque.
No demorou muito para que o pice os arrebatasse a uma verdadeira chuva de estrelas, permeada por sussurros e palavras entrecortadas.
Liz teve a impresso de estar flutuando ou coisa parecida, tamanha foi a leveza que se apoderou de seu corpo.
Muito tempo depois, continuava deitada nos braos de Richard, compartilhando o momento de intimidade e de completa satisfao. Com o ouvido colado ao peito dele, aos poucos foi acompanhando o ritmo de seu corao voltar ao normal. Por fim, afastou-se devagar e virou-se para o outro lado.
Richard tambm se virou, moldando o corpo de encontro ao seu. Em seguida, passou o brao por cima dela, pousando a mo em sua barriga.
Liz esperou que ele adormecesse por completo, antes de se afastar dele devagar, com cuidado para no acord-lo. Ficou quase na beirada da cama, resistindo  vontade de procurar novamente o calor do corpo de Richard.
Conseguira, disse a si mesma, contendo as lgrimas que ameaavam invadir seus olhos. No acariciara os cabelos dele, nem os msculos firmes. Permanecera controlada durante todo o tempo.
Dessa vez no haveria repercusses. No cairia novamente na armadilha do corao.
CAPTULO XII

No dia seguinte, Liz sentiu-se totalmente sob controle de suas emoes. Sua autoconfiana era tanta que quando Richard saiu para recolher as folhas das rvores na grama do jardim, ela resolveu fazer algo que vinha adiando havia meses.
Decidida, entrou no escritrio de Richard e foi direto ao telefone. Aps um breve momento de hesitao, digitou o nmero do telefone de sua me.
Segurou o aparelho com mais fora, enquanto esperava que Beth atendesse. Vrios toques depois, comeou a se impacientar. Sua me sempre deixava que o telefone tocasse inmeras vezes antes de atend-lo. Dizia que tinha de manter a imagem de estrela, dando a entender que era uma pessoa ocupada demais para atender o telefone ao primeiro toque.
Al?
Ol, mame.
Oh, ol, Elizabeth  respondeu ela, sem disfarar o tom de desapontamento na voz.  Nem imaginei que fosse voc. Como est conseguindo sobreviver nessas terras selvagens de Oregon?
Na opinio de Beth, os nicos Estados dignos de considerao eram os que tinham algum estdio de cinema.
 Estou bem, Beth.  Liz respirou fundo.  E grvida.
Seguiu-se um silncio do outro lado da linha. Liz sentiu um frio no estmago, enquanto esperava a reao da me. Conteve a vontade de chorar ao ouvir o riso irnico de Beth.
Ora, confesso que isso eu no esperava  disse ela.  Se voc tivesse dezesseis anos, sim, mas j no  mais uma adolescente. Pretende... tomar alguma providncia?
Se est sugerindo um aborto, a resposta  "no"  respondeu Liz, sem hesitar. Acariciando a barriga, acrescentou:  Pretendo cuidar sozinha da criana.
 uma atitude admirvel, meu bem. Mas tem certeza de que  isso mesmo o que quer? Onde est o pai da criana?
 Est na cidade, mas no estamos comprometidos. 
Se bem que no fora isso que parecera na noite anterior, pensou ela.
 Bem, se o rapaz no  algum importante no vale mesmo a pena querer ficar junto dele.
Liz preferiu nem se dar ao trabalho de responder ao comentrio da me. Beth continuava to prepotente quanto antes.
Bem, liguei apenas para lhe dar a notcia de que ser av  avisou.
Oh, meu Deus!  A voz de Beth denotou verdadeiro horror diante da idia.  No posso ser av to cedo! Tenho apenas...
Quarenta e nove anos  completou Liz.
Quarenta e um. Acha que aquele produtor teria me chamado para fazer o papel de uma jovem me se eu fosse uma velha?
Liz no se preocupou em responder. Nada faria Beth admitir sua verdadeira idade ou o fato de que fazia muito tempo de que nenhum produtor a chamava para fazer um filme. Para algum "normal", era difcil viver no mundo de fantasia que Beth insistia em criar em torno de si.
Sendo assim acho melhor voc voltar para casa  declarou Beth.
Vou continuar aqui, mame.
 Querida, tenha bom senso. Tambm preciso de voc aqui. Alm do mais, como vai cuidar sozinha de um recm-nascido?
Liz se recusou a ceder s imposies da me.
 No vou voltar  disse, com firmeza. 
Beth suspirou.
Ento, meu conselho  que convena o pai da criana a se casar com voc. Tem a arma perfeita para usar contra ele: sentimento de culpa. Funcionar com perfeio, pode acreditar. Mesmo que o casamento no dure, pelo menos ter conseguido algo dele.
No quero um casamento temporrio, mame. Se eu me casar, ter de ser de verdade.
E um pouco tarde para isso, meu anjo. Se ele quisesse se casar com voc, teria feito o pedido antes de engravid-la, no acha?
Sim, tem razo, pensou Liz. Frustrada, terminou a conversa logo em seguida e desligou o telefone.
No conseguiu deixar de considerar que sua me tinha certa razo. Richard se aproximara e insistira em acompanhar a gravidez por puro sentimento de culpa. Se no fosse pelo comentrio de Beth, teria corrido o risco de esquecer esse detalhe.
Talvez no fosse mesmo uma boa idia se envolver fisicamente com ele. Entretanto, como conseguiria resistir?, perguntou-se com um suspiro.
Continuaria dizendo a si mesma que seu relacionamento com Richard no passaria de um envolvimento fsico. Nele, amor era um sentimento proibido.
Liz o estava evitando. A suspeita surgiu vrias vezes na mente de Richard durante os dias que se seguiram.
A princpio, achou que fosse apenas coisa de sua imaginao. Afinal, que motivo teria ela para fazer isso? Estavam dormindo juntos e fazendo amor todas as noites. Ento, por que ela estaria fugindo, se. enquanto estavam juntos, Liz correspondia s suas carcias com tanto ardor? No, ele devia estar mesmo imaginando coisas.
Na segunda-feira, haviam jantado fora e feito amor durante boa parte da noite. Na tera-feira de manh, ele acordou cheio de energia. Liz, por sua vez, parecia um pouco aborrecida por algum motivo. Apesar de seus protestos, ela insistiu em arrumar a casa, pelo menos parcialmente.
No fim da tarde, quando Liz entrou no escritrio, ele a abraou e levou-a direto para o quarto. Chegando l, deitou-a na cama e a manteve segura.
Liz estreitou os olhos.
 Deixe-me levantar, seu... seu... autoritrio!
Richard arqueou as sobrancelhas, com ironia.
Isso  o mximo que consegue dizer? Parece que alm de ser nervosa, voc tem um vocabulrio bastante limitado.
No sou nervosa!
Richard balanou a cabea, esforando-se para conter o riso.
 Pois no  o que parece. Espero que nossa filha no esteja ouvindo tudo isso. Deixe-me descobrir.  Soltando-lhe as mos, encostou o ouvido na
barriga dela.  Equipe de Suporte chamando Controle da Misso. Est na escuta?
 Oh, Richard, pare com isso.
Liz tentou afast-lo, mas ele no desistiu.
 Espere!  disse a ela.  Estou ouvindo alguma coisa... Acho que ela quer nos dizer algo.
 E ele\ Quer dizer, oh, deixe-me sair daqui. 
Richard levantou a cabea e olhou-a por um instante.
	Fique quieta, Liz. Toda essa movimentao est causando esttica.  Dizendo isso, encostou o ouvido na barriga dela novamente.  O que disse? Ah,
mame est assim porque no faz amor h mais de doze horas? Ah...
Dessa vez, Liz o afastou com tanta firmeza que ele quase caiu da cama.
Meu problema no  falta de sexo  falou por entre os dentes.
Nem o meu  insinuou Richard, ficando de p.  Acho que seu problema  falta de um bom cochilo. Por que no tira um enquanto preparo o jantar?
Mas no estou cansada  respondeu ela, mesmo sabendo que era pura teimosia de sua parte. Porm, reconhecendo que ele tinha razo, voltou atrs.  Ok, vou ficar deitada por alguns minutos.
No entanto, quando Richard voltou para v-la, duas horas depois, Liz ainda se encontrava profundamente adormecida, com as mos unidas sob a face rosada.
Ele a cobriu, decidindo ir dormir na sala para no acord-la. Porm, ela despertou quando ele estava prestes a se retirar. Sem resistir ao sorriso sonolento que Liz lhe lanou, deitou-se ao lado dela, deixando de lado a deciso anterior.
Na quinta-feira  noite, foram ao treinamento para gestantes. Durante o intervalo, os casais conearam a conversar sobre os nomes que dariam aos filhos. Os Benedict se mostraram abertos para sugestes. Os "lderes de torcida" disseram haver reduzido a lista para Troy ou Dion.
Barbie passou a mo pela barriga, j mais volumosa, ao anunciar:
 Nosso precioso vai se chamar Kenneth Iven Patterson Jnior, como o pai. Kenneth significa "elegante".
Todos se entreolharam, admirados, exceto Richard.
 Kip  disse.
Barbie olhou para ele, tornando-se sria.
O que disse?
As outras crianas o chamaro de Kip, por causa das iniciais  explicou Richard.  Ou talvez de Jnior.
A expresso de Barbie dizia claramente "s por cima do meu cadver". Mesmo assim, ela sorriu e respondeu:
  um pensamento interessante. E qual o nome que pretendem dar  menina ou ao menino que tero?
Richard olhou para Liz.
Acho que ser Nicholas  disse ela, hesitante.  Em homenagem a meu pai.
Que gracinha!  exclamou Barbie, unindo as mos.  Se bem que ele corre o risco de ser chamado de Nick. Tem certeza de que no quer cham-lo de... como  mesmo? Delbert? Em homenagem ao pai?
 Meu nome no  Delbert  Richard interveio.
Liz no falou muito depois disso, nem voltou a tocar no assunto no trajeto de volta para casa. Entretanto, quando estavam deitados, ela resolveu tocar no assunto novamente.
 Seu sobrenome tambm  Jnior, no , Richard? Certa vez, ouvi Chris dizer que voc tem o nome de seu pai.
Richard ficou em silncio por algum tempo, antes de responder:
	Na verdade, sou o quinto Delaney a herdar o nome da famlia. Meu tatarav comeou a tradio de nomear o primognito com esse "rtulo" que os descendentes carregam como um fardo pelo resto da vida.
Liz sorriu, acariciando o peito dele.
Chris tambm me contou como voc quebrou o nariz. Brigou com um menino que zombou de seu nome. Disse que desde aquele dia ela no ousou contar a ningum seu verdadeiro nome.
Sim, ela sabe que ficar em apuros se fizer isso  confirmou ele. Virando-se para ela, fitou-a nos olhos ao dizer:  S revelo meu verdadeiro nome s pessoas que me amam de verdade.
Richard ficou em silncio, como que esperando que ela dissesse algo. Contudo, Liz no falou.
Muito tempo depois de ela haver adormecido, ele continuava acordado, olhando para o teto parcialmente iluminado pelo luar que entrava pela janela. No podia continuar se enganando, pensou. A situao entre eles ainda no estava resolvida. No incio, pensara que se a levasse para a cama as coisas voltariam a ser como antes. S que se enganara.
Liz o tratava com gentileza durante a maior parte do tempo, mas os dois no tinham mais as longas conversas que costumavam compartilhar no incio do relacionamento. Nunca haviam conversado sobre nada muito ntimo, mas os assuntos variados preenchiam o tempo de ambos de uma forma muito agradvel.
Entretanto, parecia que Liz no estava querendo compartilhar mais nada com ele, exceto a cama. Mesmo assim, tinha a impresso de que ela tambm estava mantendo algo em segredo, enquanto faziam amor.
Todavia, o que mais o afetava era o modo como Liz sempre se afastava dele aps um momento de maior intimidade. Em vez de querer dormir em seus braos, como no passado, ela se recolhia em um lado da cama e simplesmente o ignorava, como se no quisesse mais ser tocada por ele. Ou como se um ou dois palmos de distncia apagasse tudo o que acabara de acontecer entre eles.
Richard enrijeceu o maxilar. Pois isso no funcionaria dali em diante, pensou ele, virando-se para ela e abraando-a por trs. Instintivamente, Liz se aninhou em seus braos, sem sequer acordar.
Ele a manteve junto de si, enquanto tentava pensar em uma maneira de acabar com aquela espcie de jogo que ela estava tentando manter.
Sentiu o beb se mexer na barriga de Liz e firmou mais sua mo de encontro a ela. Liz era sua e aquele filho tambm.
Richard estreitou os olhos. Talvez fosse justamente esse o problema. Enquanto ela no admitisse que o beb tambm era dele, Liz continuaria querendo acreditar que no havia nada srio entre eles.
Se Liz admitisse para todos que o filho era dele, continuaria sentindo aquela necessidade de manter distncia? Provavelmente no. Por outro lado, seria muito difcil conseguir convenc-la a contar a todos que ele era o pai. A no ser que...
Seus lbios se curvaram em um sorriso. Dessa vez, Liz no iria escapar.
O plano comeou a dar certo logo na manh seguinte, quando ele e Liz foram flagrados dormindo na mesma cama por Christine e Dorrie Jean, no momento em que as duas passaram diante da porta aberta do quarto.
Mantendo o brao em torno de Liz e os olhos semicerrados, viu as expresses horrorizadas nos rostos de sua irm e da vizinha.
Ele ouvira as duas entrando na casa, minutos antes. A voz de Chris, reclamando sobre o peso das malas, era inconfundvel. Pensou em acordar Liz, mas desistiu ao pensar melhor na situao. Essa seria justamente a oportunidade que ele estava esperando. Se Christine e Dorrie Jean os vissem na mesma cama, Liz no poderia mais negar seu envolvimento com ele.
 Oh, meu Deus!  exclamou sua irm, antes que a vizinha a amparasse e a levasse para outro aposento.
Richard esperou alguns segundos e s ento acordou Liz.
Liz?  sussurrou.  Christine voltou da viagem.
Oh, timo...  murmurou ela, sonolenta, aninhando-se no travesseiro.  Diga que...  Abriu os olhos de repente.  O qu?!
Richard a olhou, com calma.
Christine voltou mais cedo da viagem  repetiu.
Oh, no...  gemeu Liz, afastando os cabelos do rosto.  Ah, meu Deus...
Ela cobriu a cabea com o lenol. Richard franziu o cenho.
O que est fazendo? Tentando se esconder?
No diga tolices!  ralhou Liz.  Estou tentando encontrar minha camisola. Preciso sair daqui antes que sua irm nos veja juntos.
Ela j nos viu  afirmou Richard, calmamente.  E Dorrie Jean tambm.
Liz congelou sob o lenol.
 Ah, meu Deus...  gemeu mais uma vez.
Richard esticou os braos, espreguiando-se com languidez. Viu a camisola de Liz cada no cho. Estendendo a perna para fora da cama, capturou o tecido com os dedos dos ps e escondeu a pea sob seu travesseiro. Cruzou as mos atrs da cabea no momento em que Liz ressurgiu de baixo dos lenis.
 Onde ela foi parar?  perguntou Liz, puxando o lenol at o pescoo.
Ele deu de ombros.
No sei.
Aqui est!  exclamou ela, vendo uma parte da renda revelada sob o travesseiro dele.
Richard suspirou, admitindo a derrota.
 Como ela foi parar a?  questionou Liz, desconfiada.
Ele ergueu as mos, fingindo inocncia.
No tenho a mnima idia  respondeu. 
Ela vestiu a camisola, sem nimo de question-lo.
Acha mesmo que elas nos viram?
Sim  Richard confirmou.
Tem certeza?  insistiu Liz.
Absoluta.
Bem, ento o que vamos fazer?
Ir at elas e dizer ol?  sugeriu ele.  No podemos ficar aqui o dia inteiro. A menos que voc prefira...
Como pode brincar numa hora dessa?  indignou-se ela.
No  o fim do mundo, Liz.  Richard se levantou e vestiu o jeans, antes de voltar a olh-la.  Vista-se para que possamos ir ver as duas juntos.
No!  replicou Liz, imaginando o choque de Chris e seu prprio embarao.
Est com vergonha de ser vista comigo?
No  isso. O que me preocupa  o que as duas iro pensar. Aqui estou eu, grvida, e j dormindo na cama de um homem que elas no sabem ser o pai do meu filho.
Ento diremos a verdade a elas e pronto.
No posso fazer isso, Richard. No quero. O que as pessoas da cidade diriam?
Pelo amor de Deus, Liz! Quem se importa com isso?
Eu me importo!  bradou ela.
Comovido pelo desespero de Liz, Richard abrandou o tom de voz.
No se preocupe. V se vestir que eu irei explicar tudo a elas.
No! Talvez eu consiga convenc-las a no contarem nada a ningum.
Dorrie Jean no dir nada.
No?  indagou ela, esperanosa.
No.
Richard parecia to seguro do que dissera que Liz sentiu-se tranqila por um momento. Porm, somente at ele acrescentar:
 Mas Christine no guardar segredo.
Liz jogou os lenis para o lado.
Preciso impedi-la de fazer isso. No faa nada at que eu chegue l.
Liz, voc no confia em mim?
Todavia, ele saiu do quarto antes que ela pudesse responder. Liz correu para det-lo, mas quando chegou ao corredor Richard j havia sumido de vista.
Sem pensar duas vezes, foi at seu quarto, vestiu uma roupa e saiu em direo  cozinha. Dorrie Jean estava de p, prxima  porta, e colocou a mo na maaneta assim que a viu entrar.
 Ol, Liz. Desculpe-nos por havermos... acordado voc  disse, embaraada.  Preciso voltar para casa agora. Mame est me esperando para acompanh-la  pedicure.
 Deixe-me acompanh-la at o porto, Dorrie  ofereceu-se Liz, ignorando os olhares de Richard e de Chris.  Quero falar com voc por um instante.
Dorrie assentiu e as duas saram para o lado de fora, caminhando em direo ao porto. Liz estava pensando em como dizer o que ia em sua mente quando Dorrie Jean iniciou a conversa.
Estou to feliz por voc, Liz.
Est?  Ela mordeu o lbio.  Hum... O que Richard significa para voc exatamente?
Para mim, ele  um amigo, nada mais. Fiquei feliz por saber que ele a pediu em casamento, embora voc ainda esteja pensando na resposta. Acho que deveria aceitar.
Oh, Dorrie... Deve estar achando que sou uma pessoa terrvel.
Claro que no. Estou feliz que Richard e voc estejam juntos. Ele  muito gentil. Nunca zombou de mim, como os rapazes na escola. Certa vez, at me levou para passear. Foi a pedido de mame, eu sei, mas Richard nunca me revelou isso. Agiu como se a idia houvesse partido dele.  Um raro sorriso curvou os lbios da moa. Tocando o brao de Liz, acrescentou:  Ele deve realmente gostar muito de voc. Caso contrrio, no assumiria a responsabilidade de cuidar do filho de outro homem.
Liz engoliu em seco.
A questo  um pouco mais complicada, Dorrie, mas eu ficaria muito agradecida se voc no dissesse nada a ningum.
Pode ficar tranqila.
Obrigada.
	Liz ficou olhando a moa partir, antes de voltar para a cozinha, com um suspiro. Porm, Christine no estava mais l. Richard estava preparando ovos mexidos. Ao v-la, perguntou:
Quer um ou dois? Acho melhor comer dois. No se alimentou direito ontem  noite.
No estou com fome  declarou Liz, mesmo sabendo que no faria diferena.  Onde est Chris?
Provavelmente ao telefone, espalhando a novidade.
Oh, meu Deus...
Liz fez meno de sair correndo da cozinha, mas Richard a deteve.
Calma. Eu estava apenas brincando. Seria to terrvel assim se isso acontecesse?
Sim  confirmou ela.  Voc no quer um compromisso de verdade e eu desejo mais do que apenas sexo em um relacionamento.
Dizendo isso, retirou-se da cozinha antes que Richard tivesse tempo de retrucar. Encontrou Christine no segundo andar, desfazendo as malas.
	Oh, timo que tenha vindo at aqui  declarou ela, ao ver Liz se aproximar.  Precisamos conversar e eu no tenho muito tempo. Terei de partir
amanh cedo.
Liz conteve uma careta de desapontamento. Por que os Delaney nunca conseguiam ficar muito tempo em um mesmo lugar?
Liz, voc est bem? Parece um pouco plida.
Estou apenas cansada.
Ela se arrependeu logo em seguida de haver dito aquilo.
 Posso entender o motivo  insinuou Chris, com um brilho malicioso nos olhos.  Depois de v-la na cama com meu irmo...
 Foi exatamente sobre isso que vim lhe falar, Chris.
Pois v em frente. Mal posso esperar para saber os detalhes dessa histria.
Meu envolvimento com Richard foi apenas um impulso de momento.
Christine estreitou os olhos.
 Desculpe-me, mas no acredito nisso, Liz. Sei que meu irmo no  santo, mas ele nunca se aproveitaria de voc apenas por atrao fsica.
Na verdade, fui eu quem me aproveitei dele. Por favor, Chris, importa-se de no falarmos mais sobre isso por enquanto? Quero apenas sua promessa de que no contar a ningum.
Claro que eu no contaria a ningum. Pelo menos, no de propsito  acrescentou.  Prometo que tentarei manter a boca fechada.
No entanto, Liz no se livrou das insinuaes de Chris at a manh seguinte.
Richard se preocupa muito com voc  disse ela, enquanto as duas arrumavam a loua, aps o jantar, naquela mesma noite.
Ele quer  mandar em mim todo o tempo, Chris.
Richard  meio cabea-dura s vezes, mas isso no chega a ser um defeito dele. Alm do mais, ele disse que quer se casar, mas que voc  a nica que no aceita a idia de casamento.
"Mas que traidor!", pensou Liz, indignada.
 E se ainda no se decidiu por achar que ele no a ama, saiba que est enganada  continuou Chris.  Se Richard no a amasse, no estaria disposto a
assumir o filho de outro homem  acrescentou ela, fazendo Liz se lembrar das palavras de Dorrie Jean.
 Ele no me ama, Chris. Richard nunca me disse isso. E mesmo que houvesse dito, eu no me casaria com seu irmo. Quero um pai de verdade para o meu filho. Algum que possa estar sempre ao lado dele. Sei por experincia prpria quanto  difcil para uma criana ver o pai apenas uma ou duas vezes por ano.
Ainda assim, Chris insistiu na idia at sua partida, na manh seguinte. Apesar das implicncias e discusses, os Delaney eram muito unidos e, pelo visto, Chris no conseguia entender como uma mulher poderia se negar a ficar com seu irmo.
Talvez fosse mais fcil lidar com a situao depois que ela partisse, pensou Liz. S que ela se enganou. A princpio, pensara que Richard tentaria retomar o relacionamento ntimo com ela, mas quando uma semana se passou sem que ele tentasse faz-lo, Liz comeou a ficar incomodada.
Certa manh, desceu para o andar de baixo logo cedo, na esperana de tomar o desjejum com ele. Porm, Richard j havia se trancado no escritrio, apesar do horrio. Talvez ele estivesse ocupado demais com o trabalho, e nada mais, pensou ela.
Quando deu por si, estava com o ouvido colado  porta. Ouviu vrios termos tcnicos enquanto Richard conversava com algum ao telefone. De sbito, ela se afastou dali como se houvesse levado um choque. Deus, por que fizera aquilo? No era do feitio ficar ouvindo atrs das portas. E se Richard sasse de repente e a flagrasse ali? Como iria se explicar?
Aps um leve desjejum, subiu sentou-se em sua cadeira preferida e comeou a tricotar, esperando que a ocupao ajudasse a fazer passar o tempo. O beb chegaria em menos de um ms e Richard prometera ajud-la a pegar o moiss que Chris dissera haver na garagem. Pelo visto, ele se esquecera completamente. Como sempre, tinha coisas mais importantes para se preocupar.
Porm, que mal faria lhe dar um pouco de ateno?, ela se perguntou. Bem que ele se interessara por ela logo que chegara, mas depois que entrara no ltimo ms de gravidez e ficara com o corpo ainda mais modificado, ele simplesmente a deixara de lado.
Sentiu os olhos se enchendo de lgrimas, e comeou a tricotar quase com fria. O que era para ser uma botinha virou um amontoado de ns, aumentando ainda mais sua vontade de chorar.
Quando Richard a encontrou, meia hora depois, Liz continuava na cadeira. Estava com os olhos e o nariz vermelho de chorar, segurando um emaranhado de l sobre o colo.
Permaneceu de p  porta, observando-a. Notara que Liz estava ficando muito sensvel naquele ltimo ms de gravidez, conforme os livros sobre gestantes avisavam. Teria de ser cauteloso.
 H algo errado, Liz? Assistiu a algum comercial desagradvel?  Ele olhou para a tev.  No, o aparelho est desligado. J se alimentou? Sabe que fica irritada quando est com fome.
Liz se sobressaltou, indignada com o comentrio indelicado. Todavia, teve de admitir que havia mesmo chorado depois de ligar a tev e assistir a um comercial ou dois e que no comera nada na ltima hora. De fato, os comerciais que mostravam bebs e animaizinhos estavam lhe parecendo muito comoventes nos ltimos tempos, mas Richard no precisava haver mencionado aquilo!
Ainda mais depois de ela haver ficado ali sentada, pacientemente, durante quase uma hora, esperando-o para pegar o moiss na garagem. Falou tudo isso a ele enquanto se dirigiam  cozinha.
 Tem razo  anuiu Richard.  Sou mesmo um insensvel  acrescentou, espiando o que havia na geladeira.  Iremos pegar o moiss assim que voc comer algo, ok? Oh, aqui est o leite.
No quero comer nada  replicou Liz, torcendo o nariz.
Tome um pouco de leite, enquanto preparo um sanduche para voc  mandou Richard.
Esperou que Liz fosse protestar, mas, pelo visto, ela desistira. Sentou-se  mesa e, com ar de desgosto, ficou olhando Richard encher com generosidade um copo com leite.
Em seguida, entregou-o a ela. Liz tomou dois goles e olhou para ele.
Tome tudo  falou Richard, com firmeza. Apesar de contrariada, ela o obedeceu.
Est satisfeito agora?  perguntou, ao terminar. 
	Richard notou que ela ficara com uma marca de leite acima do lbio superior. No, havia muito tempo que no estava satisfeito.
Ficara aborrecido por Liz no haver admitido a verdade para Christine e Dorrie, mas a teimosia dela s servia para deix-lo ainda mais determinado.
Ele a deixara sozinha durante a ltima semana, esperando que Liz sentisse sua falta ou que demonstrasse algum sinal de que precisava dele. Porm, a cada dia ela parecia mais distante. Estava cansado de esperar. E seu tempo comeava a se esgotar. Dentro de trs dias, teria de voltar para Seul.
Num impulso, fez Liz ficar de p e abraou-a. Ela arregalou os olhos, surpresa. Abriu a boca para protestar, mas os lbios de Richard cobriram os seus, em um beijo ardente.
Quando ele se afastou, Liz sentiu-se meio zonza.
Richard a fitou nos olhos. Seria ela capaz de encontrar isso com algum outro homem?, perguntou-se. Puxando-a novamente para si, sussurrou:
	 Vamos subir para o quarto, Liz...
Ela desejara ouvir isso uma hora antes. No momento, porm, a sugesto s serviu para deix-la furiosa. Ento Richard pensava que poderia ignor-la durante uma semana e de repente lev-la para a cama?
	 No irei a lugar nenhum com voc! S sabe considerar suas prprias convenincias!
Richard estreitou os olhos.
 Se acha que existe alguma convenincia nesse acordo, pense duas vezes. Estou aqui para ajud-la, Liz, mas tudo que tenho recebido  apenas seu
mau humor.
Liz sentiu vontade de chorar, mas jurou a si mesma que no daria esse gosto a ele.
Ningum lhe pediu para ficar  retrucou.  Alis, por que no vai embora de uma vez?
Talvez eu faa isso mesmo.
timo.
 timo!  replicou ele, retirando-se da cozinha.
Liz cravou as unhas na palma das mos. No precisava dele! Nem de homem algum!
Decidida, foi at a garagem. Teria mesmo que pegar aquele moiss sozinha. Ao empurrar a porta pesada, sentiu uma intensa dor nas costas, mas no se importou.
Avistou o moiss em cima de uma prateleira, junto com uma poro de caixas. Felizmente, o local no ficava muito no alto, apenas alguns centmetros acima da carroceria da caminhonete estacionada l dentro.
Quando no conseguiu encontrar uma escada, Liz no se deu por vencida. No seria difcil subir ali e pegar a caixa. Bastaria subir na caminhonete e esticar o brao.
Havia comeado a subir na carroceria, quando se sobressaltou ao ouvir a voz de Richard atrs de si.
 Liz! Est maluca? Pode se machucar!
O susto a fez perder o equilbrio. Deu graas por Richard estar perto o suficiente para ampar-la, evitando que o pior acontecesse.
 Eu sabia que no deveria deix-la sozinha!  ele se censurou.
Liz segurou o brao dele de repente.
Est plida  observou Richard, preocupado.  Voc se machucou? Vamos ao mdico e...
Estou bem, mas... oh!  Ela arregalou os olhos.
O que foi, Liz?
Minha bolsa estourou  respondeu ela, num fio de voz.

CAPITULO XIII
Odeio voc!  Eu sei.
	Odeio! Odeio!
Richard apertou os lbios.
 No momento, nem eu estou muito satisfeito comigo  confessou.
Liz ia responder algo, mas a dor de uma nova contrao a impediu de falar. Richard segurou a mo dela com mais fora. A Liz que chegara ao hospital aparentemente calma, transformara-se em uma verdadeira "fera" depois de dezoito horas em trabalho de parto.
	 No gosto de nada em voc!  explodiu ela, quando conseguiu voltar a falar.  Seus ombros so largos demais, e detesto a maneira como seus cabelos vivem
sempre caindo no lugar certo. E muito... montono.
Richard passou a mo pelos cabelos ofendidos.
	 Sinto muito.
Liz arregalou os olhos, sentindo que outra contrao se aproximava dolorosamente.
Tambm no gosto de seu nariz!
Eu o quebrei, lembra?
	Pois chegue mais perto que eu o consertarei!  bradou ela, soltando a mo dele.
Cauteloso, Richard se manteve a certa distncia.
 No acho que seja uma boa idia  disse a ela.  Segure minha mo.
Liz obedeceu, apertando a mo de Richard quando foi assaltada por outra contrao. Quando a dor mais intensa se foi, olhou para ele.
 Richard, acho que no vou agentar por muito tempo...
Ele concordou com ela. Os mdicos e as enfermeiras diziam que as contraes estavam indo at bem demais para um primeiro filho, mas no estava sendo nada fcil. Nem para ele e muito menos para Liz.
 Richard...
Ele olhou para ela. Os lindos olhos castanhos lhe pareceram mais vulnerveis do que nunca.
Eles tm certeza de que aquele meu susto no prejudicou o beb?
Garantiram que est tudo bem.
E como sabem?
Com pacincia, Richard repetiu o diagnstico que os mdicos lhe haviam dado.
Disseram que voc j havia entrado em trabalho de parto cerca de duas horas antes de aquilo acontecer. S no entendo por que no me falou que estava com dores nas costas.
Pensei que no fosse nada demais  explicou Liz.  Minhas costas estavam sempre doloridas ultimamente.
Nesse momento, uma enfermeira entrou na sala de parto e checou o monitor ao lado da maa de Liz.
 Muito bom  elogiou ela. Voltando-se para Richard, falou:  Posso ficar com ela, se quiser descansar um pouco.
Liz segurou a mo dele com firmeza.
No v!  pediu ela.
Pode ficar tranqila  respondeu Richard.  No sairei de perto de voc.
A enfermeira a olhou com ar de reprovao e se retirou.
Ela no gosta de mim  sussurrou Liz, cerrando os dentes mais uma vez.
Relaxe  aconselhou Richard.  Tente trabalhar a dor, em vez de se entregar a ela.
Liz suspirou quando a contrao se foi. Pensara que no iria querer ter Richard a seu lado nesse momento, mas j no sabia o que seria dela se ele no estivesse ali, dizendo-lhe palavras carinhosas de incentivo.
Ao sentir a aproximao de outra forte contrao, tentou sentar.
O que foi?  perguntou Richard, passando o brao pelos ombros dela.
Quero ir para casa, por favor  pediu ela, exasperada.
Richard a segurou com firmeza.
 Fique parada, Liz. No ir a lugar nenhum.
Ela no soube se o contestava ou se chorava. A dor estava ficando mais forte, praticamente insuportvel.
 Respire devagar  disse Richard.  Olhe para mim.
Liz cerrou os dentes, mas no deixou de olh-lo. Quando a contrao passou, estava mais suada do que nunca.
	 timo  Richard a elogiou, beijando-a na testa.  Est indo muito bem.
A enfermeira voltou para verificar o monitor e ver com quantos centmetros estava a dilatao.
	 No falta muito agora  disse ela.
	Liz no acreditou no que ouviu. As enfermeiras vinham falando a mesma coisa desde que ela entrara no hospital, na tarde do dia anterior.
	 Richard, no estou agentando mais.
Ele, porm, no desistiu. Mandou que ela respirasse, relaxasse, olhasse em seus olhos... A certa altura, notou que outras pessoas haviam entrado na sala.
As contraes foram se tornando cada vez mais rpidas at que sentiu algo se tornar diferente em meio a tudo aquilo.
	 Ela est pronta  anunciou a enfermeira.  Vamos comear a puxar agora, Elizabeth.
Seguiu-se uma movimentao na sala e Liz percebeu o ar expectante dos mdicos e das enfermeiras. Sentindo uma nova fora surgir de repente dentro de si, comeou a fazer fora para liberar o beb, seguindo as palavras de incentivo de Richard.
	 Isso mesmo, Liz!  dizia ele.  Voc vai conseguir! Est vindo!
Da em diante no demorou muito. Logo todos ouviram a voz do mdico principal anunciar:
 uma menina!
Meu Deus, nem sei o que dizer...  murmurou Richard, encantado.  Veja, Liz. Ns fizemos um pequeno milagre.
Os olhos dela se encheram de lgrimas. Pediu para segurar a filha, mas duas enfermeiras se afastaram com ela.
 O que houve?  perguntou, preocupada. S ento deu-se conta de que o beb no chorara.  Richard, v ver o que est acontecendo!
Antes mesmo de ela falar, ele j estava indo em direo s enfermeiras, parecendo to tenso quanto ela.
Uma outra enfermeira lanou um sorriso encorajador para Liz, mas ela estava aflita demais para not-lo.
De repente, o pequeno corpinho se arqueou e um verdadeiro berro ecoou pela sala.
Liz tambm comeou a chorar, s que de puro alvio.
	 Pronto  disse-lhe uma das enfermeiras.  Esto limpando a menina para que seu marido possa traz-la at aqui.
Quando Richard pegou aquele pequeno ser no colo, apaixonou-se no mesmo instante. Aproximou-se de Liz com o cuidado de quem carregava um rara pea de porcelana.
Por um momento, Liz no conseguiu enxergar a filha direito, devido s lgrimas que nublaram seus olhos. Mas Deus, como ela era linda... Tinha os mesmos olhos azuis do pai.
	 No  linda?  perguntou Richard, inclinando-se para olh-la melhor.
O beb comeou a chorar a plenos pulmes.
	 Parece que  temperamental como a me  brincou ele.
	 No sou temperamental!
	Richard sorriu.
A porta foi aberta quando os mdicos e enfermeiras se retiraram. De sbito, ouviram uma agitao no corredor, anunciando a chegada de outra futura me.
	 Seu idiota! Se olhar para mim novamente, vou...
	A porta se fechou, abafando o som vindo de fora.
Liz olhou para Richard e balanou a cabea, com ar de desaprovao.
 No sei por que todo esse escndalo  disse a ele.  Uma mulher precisa saber se controlar nesse momento.
Richard riu alto.
	 Voc que o diga.  Olhando Liz e a filha juntas, achou que nenhuma outra viso poderia parecer to perfeita.  Que nome dar a ela, Liz?
 No tenho certeza...
Que tal Nikki?  perguntou ele.  Em homenagem a seu pai.
Algo na voz de Richard chamou a ateno de Liz. Ele parecia quase to cansado quanto ela, mas, por um momento, seus pensamentos se tornaram muito claros para ela.
Sim, Nikki seria o nome perfeito. Combinava com a delicadeza de sua filha.
E que tal Elizabeth como segundo nome?  acrescentou Richard.  Em homenagem a voc e  sua me.
Oh, acho a idia maravilhosa.
Liz tocou o rosto dele com carinho. Richard sentou-se ao lado dela, sorrindo com charme. Passou o brao pelos ombros dela, encostando o queixo no alto de sua cabea, num gesto carinhoso.
 Oh, Richard...  murmurou Liz.  Apesar de haver dito o contrrio, voc no imagina quanto eu queria ter uma menininha.
Richard sorriu. Ele sabia.
CAPTULO XTV

Durante os dois dias que se seguiram, a vida se tornou completamente perfeita para Liz. Richard permaneceu a seu lado durante a maior parte do tempo, admirando cada novo gesto ou som que Nikki fazia.
O corao de Liz se enchia de ternura a cada vez que ela via Richard trocar a fralda da filha ou peg-la no colo.
Na ltima manh em que ela ficaria no hospital, uma enfermeira entrou no quarto antes de Richard chegar e entregou-lhe um papel.
  a certido de nascimento  explicou ela.  Preencha as lacunas e entregue no balco da recepo antes de sair.
Enquanto preenchia a certido, Liz hesitou no momento de escolher o sobrenome da filha. Nicole Elizabeth Sinclair soava muito bem. Mas Nicole Elizabeth Delaney soava melhor ainda.
Provavelmente Richard tambm gostaria. Se bem que ele no mencionara mais casamento nos ltimos dias. Teria mudado de idia?
No, no mudara. O amor pela filha estava mais do que evidente no modo como ele a olhava. No entanto, Liz no percebia o mesmo carinho de antes quando ele olhava para ela. Ainda assim, acreditava que ele estivesse esperando o momento certo para pedi-la novamente em casamento.
Colocou os papis embaixo do travesseiro quando Richard apareceu  porta.
Ei, minhas meninas ainda no esto prontas?  perguntou, indo direto at o moiss colocado ao lado da cama.
Nikki j est pronta  anunciou Liz.  Importa-se de lev-la para dar uma volta enquanto tomo um banho e troco de roupa?
Claro que no.
Richard pegou a filha com um cuidado que mais uma vez deixou Liz admirada. Nem ela mesma faria to bem, pensou, orgulhosa.
 Voltaremos dentro de meia hora  anunciou Richard, antes de sair.  Parece que no h nada muito interessante por aqui  falou, ao observar o
corredor vazio. Olhando para Nikki, perguntou:  Quer ver outros bebs?
Levou Nikki at o berrio, onde outras cinco crianas estavam deitadas em cestinhos. Riu quando a viso o fez lembrar de uma poro de pezinhos expostos na vitrine de uma padaria.
	 E ento, princesa, o que est achando de seus colegas? H bebs de todos os tipos aqui. Pequenos, grandes... Ei, veja s aquele do canto!  exclamou
e levantou Nikki, para que ela tambm pudesse ver.
Porm, sua nica reao foi bocejar.
 No est achando interessante?  indagou ele, acariciando os cabelinhos macios de Nikki.
Inspirou o delicado perfume que ela emanava e beijou-a na testa.
 Ah, voc tambm est aqui?  disse algum atrs dele.
Ao se virar, Richard se deparou com Ken.
	 Parece que ns dois fomos os primeiros pais da classe  brincou ele, olhando para Nikki.  Ali est meu filho, Kenneth Jnior.
Orgulhoso, Ken apontou para o beb loiro e gorducho que parecia encher o cesto quase completamente.
	 Ele se parece com voc  afirmou Richard.
	Ken sorriu, satisfeito.
	 Ns tambm achamos. E seu beb, como se chama?
Feliz em mostrar a Ken como realmente deveria ser a aparncia de um beb, Richard virou a filha para que ele pudesse v-la.
 Esta  Nicole Elizabeth  anunciou, orgulhoso.  O nome foi escolhido por mim.
Ken a olhou por um momento.
 bonitinha. Mas parece um pouco pequena, no?
Ela tem o tamanho normal  replicou Richard, tentando conter a irritao.
Oh.  Ken olhou novamente para o filho, ao dizer:  Kenneth  um beb bastante robusto. Nasceu com quase cinco quilos.
Richard deu um breve assobio.
Barbie deve ter adorado isso. 
Ken fez uma leve careta.
Bem, ela... conseguiu se manter firme.
 Entendo. Liz tambm se saiu muito bem. Ouvimos quando Barbie chegou ao hospital. Nikki j havia nascido. Mais precisamente s oito horas da
manh. E Jnior, a que horas nasceu?
	 Onze e pouco  respondeu Ken.
	Richard sorriu, satisfeito.
 Na verdade, parece que eu fui o primeiro pai da classe. Bem, precisamos voltar para o quarto. Tchau, Ken e Kip.
At mais, Richard e Ned. 
Richard hesitou.
Ned?
Claro. As iniciais dela so NED, no? Seu sobrenome no  Delaney?
Sim  confirmou Richard.
"Mas o de Liz no ", pensou ele. No era possvel que depois de tudo o que haviam passado juntos ela no quisesse dar seu sobrenome a Nikki.
 At mais, Ken.
Voltou direto para o quarto. Porm, antes de entrar, puxou a manga da blusa de Nikki e verificou o que estava escrito na pulseira presa a seu pulso. Sinclair. Droga, Liz havia dado o prprio sobrenome  sua filha!
Liz levantou a vista quando ele entrou no quarto. Estava vestida com uma delicada blusa amarela e uma saia branca. Seu sorriso desapareceu quando ela viu a expresso de fria no rosto dele.
O que foi? Nikki est bem?
Sim. Acho que apenas eu no estou muito bem por aqui.  Quando ela franziu o cenho, confusa, Richard acrescentou:  Vai se casar comigo?
Ela arregalou os olhos, surpresa.
Ora... Tem certeza de que  isso o que quer?
Claro que tenho. Quero que Nikki e voc tenham meu sobrenome. Todos sabero que somos uma famlia. Tambm no deseja isso?
Sim  admitiu Liz.
Richard se aproximou e beijou-a, com cuidado para no machucar o beb entre eles.
 Vou telefonar para o cartrio. Talvez possamos nos casar amanh mesmo.
No. Vamos esperar para realizar uma cerimnia na igreja na prxima semana  sugeriu Liz.  Quero que Chris esteja presente e talvez... minha me. O que foi?
Richard balanou a cabea.
 No temos tempo para isso. Terei de estar no Hava na quinta-feira.
No pode fazer isso!  Liz se indignou.  Voc me pediu em casamento e pensei que fosse ficar comigo.
No posso, Liz. Seno perderei minha promoo. Mas prometo que voltarei...
Liz se afastou dele, com os olhos cheios de lgrimas. No entanto, manteve-se firme ao perguntar:
 Quando? Na prxima semana?
Richard balanou a cabea negativamente.
Na prxima semana? Prximo ano?  insistiu ela.  Continua querendo tudo  sua maneira, no , Richard? Pois sinto muito, mas terei de recusar sua proposta.
Nicole tambm  minha filha, Liz, e ter de admitir isso quer voc goste ou no. Levarei o caso  justia se for necessrio.
Nikki comeou a chorar, provavelmente assustada com a voz alterada do pai. Liz tirou a filha do colo dele e tentou acalm-la. Respirou fundo, contendo o choro e pegou a sacola com os pertences do beb.
O movimento brusco, fez cair alguns papis do bolso externo da sacola. Ao se abaixar para peg-los, Richard viu que se tratava dos itens para a certido de nascimento. Qual no foi seu espanto ao ler o nome de sua filha: Nicole Elizabeth Delaney.
Olhou para Liz no mesmo instante.
Eu j havia me convencido de que era tolice no querer admitir a verdade  explicou ela.  Poder ter sua filha nas poucas vezes em que aparecer em casa durante o ano.
Liz...
Ele tentou toc-la, mas Liz se afastou.
 Mas no ter a mim!
Durante o trajeto at em casa, Liz falou com Richard apenas o estritamente necessrio. Chris j havia chegado da ltima viagem e Liz deu graas por ela ficar sempre por perto, impedindo Richard de voltar a tocar no assunto.
Enquanto isso, ele se manteve otimista, achando que Liz acabaria mudando de idia. De fato, tinha tanta certeza disso que na manh seguinte, quando estava tirando o carro da garagem para ir para o aeroporto, sentiu a aproximao de algum e virou-se no mesmo instante, pensando que fosse Liz.
Entretanto, disfarou o desapontamento ao ver que era Dorrie Jean.
 Ol, Richard. Est de partida de novo?
No havia nenhum tom de acusao na voz da moa, mas, por algum motivo, ele se colocou na defensiva.
Estou em Lone Oak h quase um ms  explicou.  O que est fazendo por aqui to cedo?
Gosto de acordar nesse horrio e caminhar um pouco, enquanto as ruas esto vazias.
Richard apenas assentiu, sem interesse pelas atividades matutinas de Dorrie Jean. Arriscou um ltimo olhar na direo da casa. Se Liz quisesse se despedir dele, essa seria sua ltima chance.
Como que lendo seus pensamentos, Dorrie Jean disse:
 Vi voc chegando naquele dia do blackout. 
Richard olhou para ela.
Sabia que eu estava aqui? 
Ela assentiu.
E tambm que Liz se encontrava em casa  acrescentou.  Imaginei que voc fosse o pai da criana.
Ento por que no disse nada antes?
Porque o assunto no  da minha conta. Assim como tambm no  o fato de voc estar partindo novamente.
Acha que estou sendo injusto com Liz, no ?
Bem, acho que se voc precisa partir  isso o que deve fazer. Liz ficar bem de qualquer maneira.
Era o que ele tambm achava, mas, de alguma maneira, Richard no sentiu-se bem em ouvir aquilo vindo de outra pessoa.
 Christine vai ajud-la no que for preciso. E sei que voc tambm far isso.
Dorrie Jean assentiu.
Gosto muito de Liz, alis todos na cidade gostam dela. No precisa se preocupar. Ela e sua filha ficaro bem.
timo. Vou continuar ajudando-as financeiramente.
Isso  muito bom. Mas, para ser sincera, no acho que Liz esteja querendo apoio financeiro. Ela precisa de algo mais sentimental.
Richard estava prestes a perguntar do que ela achava que Liz precisava, mas a moa olhou para mais adiante e continuou:
 A luz da cozinha l de casa acabou de ser acesa. Mame deve estar preocupada comigo. At logo, Richard. Voltaremos a nos ver quando voc
voltar, qualquer dia desses.
Richard ficou olhando-a se afastar, antes de voltar a observar sua prpria casa. No havia nenhuma luz acesa. Liz no pretendia mesmo se despedir. E ele no poderia esperar mais tempo, seno chegaria atrasado ao aeroporto.
Antes de virar a esquina, deu uma ltima olhada para a casa. Nunca ficara to relutante em partir. No passado, preocupava-se apenas com os problemas do trabalho, sem pensar muito no que estava deixando para trs. No momento, porm, no conseguia parar de pensar em Liz e em Nikki. Mas, como Dorrie Jean dissera, ele no precisava e preocupar. Todos gostavam de Liz na cidade, Chris, a sra. Peyton, Susan... o tal mdico. Richard enrijeceu o maxilar. No era possvel que aquele sujeito fosse procur-la. Por outro lado, o que impediria de faz-lo? Afinal, Liz no era casada. Quando chegou ao aeroporto, foi direto para o setor de embarque, pensando em tudo que Dorrie Jean lhe dissera.
J estava em pleno vo quando o choro de beb chamou sua ateno. Do outro lado do corredor, uma jovem me tentava acalmar o filhinho recm-nascido. A cena o fez se lembrar de Nikki, e seu corao pareceu se apertar. Como estaria sua filha?
Sem dvida, devia estar muito bem com a me. Mas e quando Liz ficasse cansada? Ele era o nico que sabia fazer Nikki dormir. Ela adorava quando ele lhe acariciava as tmporas e o queixo... Foi ento que se deu conta de que no havia dado a dica para Liz. Deus, como pudera se esquecer disso?
Olhou para o beb da outra passageira, que continuava chorando a plenos pulmes. Num impulso, foi at a mulher para oferecer ajuda. Ao notar sua aproximao, ela o fitou com tanta desconfiana que Richard quase se arrependeu pela atitude que tomara.
 Desculpe-me se a assustei, mas  que acabei de deixar minha filhinha em casa e sei bem como  isso. Nikki tambm  assim, temperamental.
A mulher sorriu para ele, ajeitando melhor o beb no colo.
Deve estar com saudade dela.
Sim  admitiu Richard, percebendo quanto aquilo era verdade.
Encontrava-se longe de Nikki e de Liz havia apenas uma hora e j estava morrendo de saudade.
 Aposto que sua esposa tambm deve estar sentindo sua falta.
Richard lembrou-se de como Liz nem aparecera para se despedir dele.
Acho que as duas devem estar bem sem mim.
Oh, no acredito nisso  falou a mulher.   to difcil para uma me cuidar de um beb sozinha que a presena do pai  sempre um alvio.
O beb finalmente parou de chorar, ao mesmo tempo em que Richard experimentou um frio na barriga. S ento entendeu o que Dorrie Jean tentara lhe dizer. Do ponto de vista fsico e financeiro, Liz podia cuidar sozinha de Nikki. Portanto, no era isso o que ela queria dele.
Como Dorrie Jean e aquela mulher haviam deixado claro, Liz precisava de algum para lhe oferecer apoio emocional, nos altos e baixos da vida. Algum para ajud-la nas pequenas e nas grandes decises que afetariam a vida de Nikki.
Depois que tivera Liz nos braos pela primeira vez, passara a sentir uma estranha atitude de possessividade com relao a ela. Liz era sua e de nenhum outro homem.
Por outro lado, nunca quisera admitir que ele prprio tambm pertencia a ela. Acostumara-se  sua liberdade e, inconscientemente, no quisera abrir mo dela.
Por isso partira daquela maneira, sem se importar em deixar Liz e a filha para trs, e prometendo voltar apenas quando fosse possvel.
"E isso mesmo, Richard Delaney", pensou consigo. "Voc agiu como um idiota durante todo esse tempo."
Como era possvel que uma casa estivesse to cheia de pessoas e ao mesmo tempo parecesse to vazia? perguntou-se Liz.
Mantendo Nikki nos braos, conversava e ria com a sra. Peyton e Dorrie Jean, que haviam aparecido para visit-la. Porm, fazia aquilo apenas por educao porque no estava conseguindo se concentrar em quase nada do que elas diziam.
Quando a porta se abriu de repente, em meio ao discurso empolgado da sra. Peyton, Liz olhou para a entrada no mesmo instante. Porm, sua expectativa logo se revelou vazia. Era Christine quem acabara de chegar.
Comprei tudo que me pediu, querida. Mantimentos suficientes para durarem pelo menos duas semanas.  O sorriso de Chris desapareceu quando declarou:  Desculpe-me por ter de partir assim, to rpido. Tem certeza de que ficar bem?
Sim, claro  respondeu Liz.
No se preocupe, Chris  interveio a sra. Peyton.  Passarei aqui todos os dias para ver se tudo est bem.

Eu tambm  acrescentou Dorrie Jean. 
Liz sorriu para elas.
Obrigada.
As lgrimas contidas desde a partida de Richard, no dia anterior, ameaaram invadir seus olhos, mas Liz se recusou a sucumbir a elas.
"Voc sobreviveu da ltima vez em que a deixou, e no ser diferente agora", disse a si mesma.
Como que sentindo a frustrao da me, Nikki se mexeu e soltou um leve gemido.
No  possvel que ela j esteja com fome novamente!  exclamou a sra. Peyton.
No deve ser fome  disse Liz.  Ela mamou h apenas meia hora.
Seus seios estavam sensveis e doloridos. Nikki podia ser delicada, mas mamava com a fria de um leozinho.
 Posso peg-la um pouco?  pediu a sra. Peyton.
 Talvez ela pare de chorar.
Liz entregou o beb, embora com certa relutncia. A sra. Peyton fez algumas gracinhas para Nikki, que logo parou de chorar.
Ela gosta de mim!  exclamou, triunfante.  Eu lhe disse que entendo de bebs.
Deve estar surpresa por ouvir uma voz diferente  sugeriu Christine, trazendo um prato com biscoitos.
 Tolice  replicou a sra. Peyton.  Deve estar achando que sou a av dela. Alis, o que sua me disse sobre a neta, Liz?
 Ainda no contei a ela  respondeu ela, sem pensar.
Porm, arrependeu-se no mesmo instante.
 Liz! A av deve ser a primeira a receber uma notcia dessa!
"No, o pai deve ser o primeiro a saber", pensou ela, lembrando-se da expresso que Richard fizera ao ver a filha.
  melhor contar a ela agora mesmo  declarou a sra. Peyton.  Telefone para sua me, Liz. Eu cuidarei de Nikki.
Para sua prpria surpresa, Liz no contestou. De fato, vinha mesmo pensando em ligar para a me. Talvez devesse reconsiderar a idia de voltar para casa.
Pediu licena e foi at o escritrio. O computador de Richard continuava l. Virou-se de costas para a mquina e digitou o nmero do telefone de Beth.
Pela primeira vez, ela no demorou para atender.
J estava mesmo em tempo de voc ligar  disse Beth.  Eu fiquei preocupada com sua demora. S depois que desliguei o telefone, da ltima vez em que conversamos, foi que me dei conta de que no tinha o nmero do telefone do lugar onde voc est.
Irei pass-lo em um minuto  Liz prometeu.  Liguei para contar que j tive o beb.
Seguiu um silncio do outro lado da linha.
Estou estupefata  afirmou Beth.  Essa foi a gravidez mais rpida que j vi em toda minha vida.
Quando telefonei, eu j estava no estgio final da gravidez  explicou Liz.
Voc est bem?
Sim, e o beb tambm.  uma menina. Ns... Eu a batizei de Nicole, em homenagem a papai, e Elizabeth em homenagem a voc.
Oh, Liz, estou comovida  disse Beth, com sinceridade na voz.  Se bem que Elizabeth Nicole soaria melhor...
Um sorriso curvou os lbios de Liz.
 Acho que duas mulheres com o primeiro nome de Elizabeth j  mais do que suficiente na famlia, mame.
Beth suspirou.
 Bem, a deciso  sua... e do pai, suponho. Ele ainda est por a?
Liz segurou o aparelho com mais fora.
 No.
Houve outro momento de silncio.
Querida, sinto muito. Ento ele no a pediu em casamento?
Sim, ele pediu, mas eu recusei o pedido.
Por qu?
Porque ele no iria ficar comigo todo o tempo. O trabalho dele envolve constantes viagens.
Oh, isso  triste. Ele deveria ter dito a voc antes.
Ele me contou, mame.
Depois que vocs se envolveram?
No, antes.
Oh. Bem, ele deveria ter procurado outro emprego para ficar com vocs. Os homens no passam de egostas!
Ele no  desse tipo, mame. Na verdade, ficou comigo quanto pde, inclusive durante o parto. E tambm est nos sustentando financeiramente.
E o mnimo que ele deve fazer. E voc? Quando voltar para casa? Mal posso esperar para ver essa princesinha.
Liz j no tinha certeza se queria voltar para a casa da me.
 No sei. Nikki ainda  muito sensvel para viajar.
 Avise-me quando vier. Mas no demore, ok? 
Aps se despedir, Liz colocou o telefone no gancho, pensativa. A porta se abriu de repente e Dorrie Jean apareceu com Nikki no colo.
 Achei melhor traz-la para voc e tir-la do colo de mame  explicou a moa.  Ela est ficando com fome e impaciente.
 Mas Nikki mamou h menos de uma hora!
Oh, estou me referindo  minha me  esclareceu Dorrie, contendo o riso.
Por fim, as duas riram alto.
Minha me  terrvel s vezes.
Desculpe-me pela sinceridade, mas tem razo  anuiu Liz.
Mas gosto dela mesmo assim. Afinal, ningum  perfeito.
Dorrie Jean se despediu e saiu em seguida.
Liz tornou-se pensativa. Tambm amava sua me  sua maneira, pensou consigo. E talvez Beth no fosse a nica da famlia a esperar perfeio de todos, concluiu.
No tinha o direito de exigir que Richard se afastasse do trabalho por sua causa. Ele adorava o emprego. Alm do mais, ele no tinha uma me a quem recorrer em caso de necessidade. De fato, era ele quem estava cuidando da famlia desde os dezesseis anos.
Embalando Nikki, parou um instante quando uma sbita concluso lhe ocorreu com a intensidade de um raio. Amava Richard! A resposta era simples, e ao mesmo tempo to complexa!
Nikki se impacientou novamente e Liz a segurou mais junto de si, encostando os lbios nos cabelos dela.
 Est na hora de sua me agir como uma mulher madura, Nikki  murmurou.
A porta se abriu de repente. Pensando que fosse a sra. Peyton que viera se despedir, virou-se com um sorriso.
 Sra. Peyton, eu...
Calou-se, aturdida ao se deparar com Richard. Ele fechou a porta e veio em sua direo, mas hesitou quando Liz no demonstrou nenhuma reao.
 Por favor, no tente fugir de mim, Liz. No agora que voltei para casa.
Ela continuou no mesmo lugar, sem saber como reagir.
Eu te amo  continuou Richard.  Eu deveria haver lhe dito isso antes de partir. Alis, falar na primeira noite em que ficamos juntos teria sido mais adequado. Porque no momento em que a conheci, eu soube que minha vida havia mudado.
Oh, Richard... No est dizendo isso s para que eu me sinta melhor?
No. Mas eu me sentiria bem mais feliz se voc tambm dissesse que me ama.
Sim, eu te amo, Richard. Amo muito.
Ele a beijou, ignorando o leve chute de protesto que Nikki deu em sua barriga. Quando se separaram, ambos olharam para a filha.
 Deixe-me segur-la um pouco  pediu Richard. Ao peg-la no colo, fingiu um ar de censura ao dizer:  Pare com isso, mocinha. No v que estou me
declarando  sua me?
Nikki parou de choramingar no mesmo instante e olhou para ele, como que reconhecendo o pai.
 Eu te amo, princesinha  falou ele, beijando-a na testa.  Mas no momento voc est muito geniosa. E nada melhor do que outra geniosa para cuidar de
voc.  Aproximou-se da porta.  Christine!
 Sim, meu adorado irmo?  respondeu ela, da cozinha.
 Pegue Nikki por um instante, sim? Preciso conversar com Liz.
Quando a irm apareceu, ele entregou a filha a ela. Assim que Chris passou pela porta, ele acrescentou:
 A propsito... sou o verdadeiro pai de Nikki. E voc  tia dela.
Chris arregalou os olhos.
 Oh, meu Deus!
Richard fechou a porta diante dela e trancou-a em seguida.
Isso no foi nem um pouco educado  ralhou Liz, esforando-se para conter o riso.
Eu sei  respondeu Richard, com um sorriso satisfeito.
Ele se aproximou de Liz, ansioso para t-la novamente nos braos. Trocaram um longo beijo, ignorando os protestos e ameaas de Chris, vindos do lado de fora da porta.
Quando se separaram, muito tempo depois, Chris parecera haver desistido e se retirado.
Oh, meu amor...  Richard murmurou ao ouvido de Liz.  Nunca mais quero deix-la.
Nem eu quero que me deixe.  Ela franziu o cenho.  Mas tambm no quero que desista de seu emprego. Eu estava errada...
No, voc estava certa.  Richard a abraou com fora.  Quanto ao trabalho, pedi transferncia para a rea local e no terei mais de ficar viajando com freqncia. Apenas uma ou duas vezes por ano.
Mas voc ficar feliz com isso?
Ficarei feliz se estiver com voc e com Nikki. Alm do mais, continuarei fazendo o que gosto na empresa. Eu aprecio o trabalho, no as viagens.
Oh, ser maravilhoso!  Liz o beijou.  Tem certeza de que quer continuar em Lone Oak?
Richard arqueou as sobrancelhas, surpreso.
 Voc no quer? Gosto desta casa. Mas se quiser criar nossos filhos em outro lugar...
Liz sorriu.
 No, no quero. Adoro esta casa e mal posso acreditar que finalmente ficaremos juntos nela. Eu te amo, Richard.
 Eu tambm te amo.
Ela estreitou os olhos.
Pode ser, mas ainda no estou muito convencida disso.
Por qu?  Ele franziu o cenho.
 Porque ainda no me disse seu verdadeiro nome.
Richard continuou a olh-la, hesitante. Liz ficou esperando a resposta, com um sorriso se insinuando nos lbios.
 Pois se aceitar se casar comigo, terei coragem de diz-lo ao mundo inteiro!
"Elizabeth Anne Sinclair e Adelbertus Delaney o convidam para seu enlace matrimonial, a ser realizado no sbado, vinte e dois de novembro, na igreja de Lone Oak, Oregon."
FIM

 
DICAS

UM ANO COMPLETO
Desenvolvimento motor e psicolgico
O desenvolvimento da criana continua acelerado, ela j consegue dizer algumas palavras como: mame, papai, gua. Percorre a casa toda e mexe em tudo. Lembra-se de onde esto guardados determinados objetos, principalmente seus brinquedos e coisas que lhe so proibidas. Procura e carrega seus brinquedos preferidos. De p, abaixa-se e apanha objetos que esto no cho sem perder o equilbrio. Consegue agachar-se sozinha e, sentada, deita-se sem ajuda.  capaz de enfiar os braos nas mangas das roupas. Fica em p, firme, sem ajuda. Manifesta sentimentos: se a me sai, ao voltar pode encontr-la agressiva ou indiferente.
Alimentao
Daqui para a frente, os temperos podem comear a fazer parte da alimentao da criana: cebola, alho, cheiro verde. O leo tambm pode passar a ser usado e os melhores so os de canola, milho e girassol. Doce de leite, iogurtes, sorvetes de creme e de frutas, marmelada e goiabada passam a ser incorporados s sobremesas.
Uma vez por semana, a sopa, a carne ou o arroz podem ser temperados com um refogado. O alho ainda aparece em pequenas quantidades. A criana tambm j pode receber um ovo cozido inteiro ao final do primeiro ano. A gordura animal, mesmo a manteiga, precisa ser evitada. Assim como o caf, o ch mate e o preto que, se usados, devem ser diludos com leite.
Frituras, comidas condimentadas ou com muito sal, nozes, amendoim, frutos do mar, chocolate e balas, ainda ficam fora do cardpio da criana. No entanto, um bolo simples do tipo po-de-l, sem cobertura e com recheio de doce de leite ou goiabada, pode ser oferecido  criana de vez em quando. Po integral, margarina e leite com um pouco de caf, tambm constituem uma boa refeio matinal se acompanhados de uma fruta fresca.
Os princpios utilizados nos primeiros meses para observar se os alimentos novos causam problemas orgnicos na criana continuam necessrios.
Nota: A compra de iogurtes requer certos cuidados. Deve-se verificar a data de fabricao e a validade do produto. Embalagens cujas tampas estejam estufadas devem ser recusadas. Coloque esses produtos por ltimo no carrinho e leve-os rapidamente para casa e para a geladeira. Compre apenas em pequenas quantidades, para ter certeza de que o beb s vai consumir dentro do prazo de validade.
Novos alimentos podem ser acrescentados, e o cardpio do beb fica muito mais rico. Veja nossas sugestes a seguir, bem como as receitas.

CARDPIO I
. Desjejum
(6-7 horas)
1/2 fatia de po integral com margarina 1 copo de leite com um pouco de caf
1	colher (ch) rasa de acar
        Banana crua.
. Lanche
(9-10 horas)
Suco de laranja, com o mnimo de acar possvel
. Almoo
(10-11 horas)
2	colheres (sopa) de pur -de mandioquinha
colheres de sopa de arroz
colheres (sopa) de caldo de feijo
2-3 colheres (sopa) de miolo cozido e esmigalhado Flan de laranja
. Lanche
(14-15 horas)
3 biscoitos tipo Maria com gelia de fruta, mel ou margarina
. Jantar
(18-19 horas)

Canja de galinha com cenoura e chuchu
1	colher (sopa) de queijo tipo minas ralado
       Torrada
Creme de abacate
CARDPIO II
. Desjejum
(6-7 horas)
Mingau de banana
. Lanche
Suco de cenoura com o mnimo de acar possvel
. Almoo
(10-11 horas)
3 colheres (sopa) de pur de ma 3 colheres (sopa) de arroz
2	colheres (sopa) de caldo de feijo
1	poro de cao cozido
       Queijo branco com goiabada
. Lanche
(14-15 horas)
2	biscoitos tipo maisena e pedaos de pera
. Jantar
(18-19 horas)
3	colheres (sopa) de arroz
2 colheres (sopa) de caldo de feijo
colher (sopa) de queijo ralado
colheres (sopa) de carne da galinha desfiada
1	batata-inglesa assada
        Gelatina
CARDPIO III
. Desjejum
(6-7 horas)
2	biscoitos tipo maisena esmigalhados com 2 colheres (sopa) de leite
2 colheres (sopa) de calda de pssego e 1 pssego picado
. Lanche
(9-10 horas)
Leite, com o mnimo de acar possvel
. Almoo
(10-11 horas)
colheres (sopa) de sopa de legumes
colheres (sopa) de arroz

colher (sopa) de pur de feijo
colheres (sopa) de fgado bovino modo
. Lanche
(14-15 horas)
1 ovo cozido picado ou amassado
. Jantar
(18-19 horas)
Sopa de espinafre, acelga, carne e macarro ca-
belo-de-anjo
Torrada
Ma crua
 
O leite aps o jantar pode e deve ser mantido para as crianas que o solicitam.


 

RECEITAS


Doce de leite
1 lata de leite condensado
Retire o rtulo da lata e coloque-a na panela de presso. Abra a lata com gua, tampe a panela e cozinhe durante cerca de 40 minutos. Tire da panela e deixe esfriar antes de abrir a lata. Depois, passe o doce para uma forma refratria que se feche her-meticamente e mantenha-a na geladeira. Retire apenas a poro que o beb ai consumir com cerca de 20 minutos de antecedncia.
Nota: Por enquanto, os doces industrializados ficam fora do cardpio da criana, uma vez que no se pode saber se foram preparados com o necessrio cuidado.
Manjar branco
1/2 copo de leite
1/2 copo de leite de coco
1 colher (sobremesa) de maisena
1 colher (sopa) rasa de acar
Junte todos os ingrediente numa panelinha, misture bem e leve ao fogo brando. Cozinhe por alguns minutos mexendo at engrossar. Quando comear a engrossar, despeje numa forma retrataria e leve  geladeira. Retire pelo menos 20 minutos antes de servir.
Pur de cenoura
(Esta receita  bsica para o preparo de qualquer pur de legumes)
1 cenoura mdia (250 g)
sal
1 colher (caf) de margarina (opcional)
1	colher (sobremesa) rasa de maisena
Raspe a cenoura e corte em pedaos. Coloque numa panelinha com 1/3 litro de gua e uma pitada de sal e cozinhe at que o legume fique macio. Ento escorra (reserve a gua restante) e passe pela peneira. Em seguida, junte a gua do cozimento reservada, a margarina (se for us-la) e a maisena e misture bem. Leve de volta ao fogo brando e cozinhe, mexendo sempre, at que o pur comece a engrossar. Tire do fogo e deixe esfriar antes de oferecer ao beb.
Pur de batata
2	batatas mdias (200g)
sal
1 colher (caf) de margarina 1/2 copo de leite
Descasque as batatas e cozinhe em 1/2 litro de gua temperada com uma pitada de sal at que fiquem macias. Ento escorra e passe pelo espremedor. Coloque de volta na panela e junte a margarina e o leite, misture bem e cozinhe em fogo brando, mexendo sem parar, por 2 ou 3 minutos. Apague o fogo e deixe esfriar para servir.
Nota: use batata-inglesa ou batata-doce.
SANDRA PAUL nos diz: "Meu marido  realmente um homem 'duro', mas quando se trata dos filhos, ele vira um 'corao de manteiga'. Ainda me lembro de como ele acompanhou meu primeiro parto. Na verdade, as enfermeiras tiveram de cuidar mais dele do que de mim. (Para minha total indignao!) Porm, logo ele se tornou um especialista em trocar fraldas e em ninar bebs. Como meu marido, Richard Delaney tambm descobre que adora crianas. Afinal, qual o heri que no adora?"
